"O acordo do governo canadense para permitir a reparação de turbinas de propriedade russa cobre um período de até dois anos a partir de agora e permitirá a importação e a re-exportação de até seis unidades – um acordo muito mais extenso do que havia sido divulgado anteriormente", relatou o jornal canadense The Globe and Mail nesta quarta-feira (13).

"A Global Affairs Canada concedeu à gigante industrial alemã Siemens Energy uma isenção sob as sanções russas do Canadá por dois anos", disse o jornal. A Siemens agora está autorizada a enviar turbinas do gasoduto Nord Stream para as instalações da empresa no Canadá em Montreal para reparo e manutenção regulares, observou.

Pelos termos negociados, a turbina embargada em Montreal, devido às sanções à Gazprom, está sendo enviada de volta para a Europa, enquanto as outras cinco serão enviadas à Siemens Canada nos próximos dois anos para manutenção regular, disseram fontes ao jornal.

"A Siemens Canada enviará o equipamento de turbina para a Alemanha, cujo governo o entregará à Rússia. A rota de retorno indireto permitirá ao Canadá dizer que não renegou suas sanções", acrescentou o jornal.

Adrien Blanchard, Secretário de Imprensa da Ministra das Relações Exteriores, Mélanie Joly, não confirmou ou negou o prazo de dois anos, mas disse que "essas turbinas seguem um cronograma regular de manutenção que foi interrompido devido às sanções".

"O cronograma de manutenção agora recomeça por um período limitado de tempo. No entanto, o ministro pode revogar a permissão a qualquer momento", disse Blanchard em um comunicado.

Alexey Grivach, do Fundo Nacional de Segurança Energética da Rússia, acredita que uma licença temporária do Canadá "não pode servir à Gazprom como compradora de equipamentos". Em sua opinião, "a Siemens deve fornecer garantias de que o equipamento receberá o suporte técnico necessário durante toda a sua vida útil, e não enquanto o governo do Canadá, os Estados Unidos ou a Alemanha assim desejarem".

De acordo com o jornal russo Kommersant, o primeiro item acabado ainda está no Canadá e será enviado para a Rússia via Alemanha em 15 de julho. Mais duas unidades podem ser enviadas para o Canadá para reparos em um futuro próximo. No entanto, a Gazprom declara que não tem certeza de que receberá as turbinas e, isso seria capaz de restaurar totalmente o bombeamento através do Nord Stream.

Trudeau

O governo Trudeau e a Alemanha haviam afirmado inicialmente que apenas uma turbina estava em questão.

No domingo (10), Keean Nembhard, Secretário de Imprensa do Ministro dos Recursos Naturais, Jonathan Wilkinson, revelou que seis estão envolvidas.

O Primeiro-Ministro Justin Trudeau estava sob intensa pressão do chanceler alemão Olaf Scholz, que levantou a questão na cúpula do G7 no final de junho.

O Canadá foi fortemente pressionado pela Alemanha a devolver a turbina a fim de manter a solidariedade da aliança da OTAN. Trudeau defende o acordo do governo canadense chamando-o de "uma decisão muito difícil".

Ele disse que o Canadá não queria que regras punitivas destinadas ao governo do presidente russo Vladimir Putin contribuíssem para a crise energética da Europa e prejudicassem os consumidores de gás natural em países como a Alemanha.

"As sanções visam Putin e seus facilitadores e não têm a intenção de prejudicar nossos aliados e suas populações", disse Trudeau a repórteres nesta quarta-feira.

A exportação de gás russo via Nord Stream está suspensa de 11 a 21 de julho para manutenção anual programada. Desde meados de junho, o gasoduto vem operando com apenas 40% de sua capacidade máxima, prejudicado pela falta da turbina e por falhas nas bombas da estação russa de compressão de gás.

Atualização 25/07/2022

A Gazprom recebeu documentos da Siemens sobre o retorno da turbina do Canadá para o Nord Stream. Eles não removem os riscos previamente identificados e levantam questões adicionais, avaliou a holding em um comunicado.

O jornal Kommersant, citando fontes, informou que a Siemens enviou à Gazprom um documento emitido pelo Canadá que permite reparar e transportar turbinas para a estação de compressão de Portovaya até o final de 2024.

"Sabemos que ainda há problemas com outras unidades, que a Siemens também está ciente. Mas, é claro, a turbina será instalada depois que todas as formalidades forem concluídas. E as entregas [de gás] continuarão na medida em que isso for tecnicamente possível", disse a repórteres, nesta segunda-feira (25), o porta-voz presidencial russo Dmitry Peskov.

Devido a atrasos com a documentação, a turbina perdeu a balsa de 23 de julho da Alemanha para Helsinque. Se as partes trocarem documentos com sucesso, o equipamento poderá ser transportado em poucos dias. No entanto, fontes do Kommersant duvidam que a entrega da turbina aumentará os volumes sobre o Nord Stream, uma vez que outras cinco unidades, de um total de 8 da estação de compressão Portovaya, necessitam de manutenção.

Elas podem ser enviadas ao Canadá para reparos a qualquer momento, de acordo com as fontes, mas a Gazprom ainda não autorizou a remessa. O jornal russo diz que a manutenção de uma turbina leva cerca de três meses.

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