“Com base nos dados disponíveis, estimamos que o PIB tenha ficado  estável ou crescido ligeiramente. Para os trimestres seguintes,  esperamos alguma aceleração, que deve ser reforçada pelo efeito da  liberação de recursos do FGTS [Fundo de Garantida do Tempo de Serviço] e  PIS-Pasep [Programa de Integração Social/Programa de Formação do  Patrimônio do Servidor Público]”, afirmou.

Campos lembrou que os resultados do Produto Interno Bruto (PIB), soma  de todos os bens e serviços produzidos no país, do segundo trimestre,  serão divulgados nesta quinta-feira (29), pelo Instituto Brasileiro de  Geografia e Estatística (IBGE).

“Em relação à atividade econômica, dados recentes sugerem a  possibilidade de retomada do processo de recuperação da economia  brasileira, que tinha sido interrompido nos últimos trimestres. Nosso  cenário supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual”, disse.

Campos Neto defendeu a continuidade de reformas na economia  brasileira. “Em um contexto de pouco espaço fiscal para investimentos  públicos, reiteramos a importância da continuidade do processo de  reformas e ajustes que gerem sustentabilidade da trajetória fiscal  futura. Ao reduzirem incertezas fundamentais sobre a economia  brasileira, as reformas tendem a estimular o investimento privado”,  destacou.

Ele acrescentou que “uma retomada mais robusta da economia depende  também da agenda microeconômica, que inclui iniciativas que visam ao  aumento de produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade da  economia e melhoria do ambiente de negócios”.

Inflação e taxa de juros

Segundo Campos Neto, a consolidação da inflação em torno da meta  definida pelo Conselho Monetário Nacional e a ancoragem das expectativas  de inflação têm permitido a redução consistente da taxa de juros. Ele  lembrou que a taxa básica de juros, a Selic, que estava em 14,25% ao ano  em outubro de 2016, está atualmente em 6% ao ano.

Campos Neto disse ainda que o nível de ociosidade elevado da produção  no país pode continuar reduzindo as expectativas de inflação. “Por  outro lado, uma eventual frustração das expectativas sobre a  continuidade das reformas pode afetar prêmios de risco e elevar a  trajetória da inflação.”

“A consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá  permitir ajuste adicional no grau de estímulo monetário [redução da  taxa Selic]. É fundamental enfatizar que a comunicação não restringe a  próxima decisão do Copom [Comitê de Política Monetária] e que os  próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução  da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e  expectativas de inflação”, destacou.