Atualização 07/03: O governador do Estado de New York, Andrew Cuomo, declarou estado de emergência neste sábado (7), quando o número de casos confirmados de coronavírus subiu para 76.

O governador Gavin Newsom declarou oficialmente estado de emergência na Califórnia devido ao novo coronavírus na quarta-feira (4).

A declaração do Governador veio horas depois que a Califórnia anunciou sua primeira morte pela vírus, envolvendo uma pessoa que ficou doente em um navio de cruzeiro com mais de 1.200 passageiros residentes no estado.

Newsom está pedindo ao Legislativo que disponibilize US$ 20 milhões para o Estado responder ao coronavírus e anunciou que o Departamento de Saúde Pública da Califórnia está providenciando milhões de máscaras N95 para distribuir aos profissionais de saúde nas linhas de frente.  

Ajuda federal

A Câmara dos EUA aprovou um pacote bipartidário de coronavírus de US$ 8,3 bilhões para combater a epidemia e agora aguarda votação no Senado.

A legislação inclui financiamento para o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que abriga o CDC e os Institutos Nacionais de Saúde. Também inclui dinheiro para ajudar a desenvolver uma vacina, para equipamentos médicos e de proteção, bem como ajuda aos governos estaduais e locais que lidam com o vírus.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, disse que está "otimista" de esta semana ainda aprovar a lei e enviá-la ao Presidente Trump para sancionar.

Atualização 05/03: O Senado dos EUA aprovou na quinta-feira (5) o pacote de financiamento de emergência de 8,3 bilhões de dólares para responder aos casos crescentes da nova doença por coronavírus (COVID-19) e à crescente preocupação pública, enviando-o ao presidente Donald Trump para assinatura.

O projeto de lei foi aprovado por 96-1 no Senado.

O projeto aumentará o financiamento para o teste do vírus, apoiará o desenvolvimento de vacinas e reduzirá os custos de tratamentos médicos.

O acordo de financiamento surgiu quando os temores de propagação de vírus estão crescendo entre os americanos, com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA relatando 148 casos de COVID-19 na quinta-feira, incluindo cerca de 50 casos sem fonte clara de infecção. Houve 11 mortes no país, 10 no estado de Washington e uma na Califórnia.

O pacote não contempla ajuda financeira aos trabalhadores doentes.

Em um país em que uma grande proporção de trabalhadores carece de poder econômico para ficar em casa, muitos não têm escolha a não ser continuar trabalhando, principalmente os empregados horistas, como os da indústria de serviços de alimentação. A lei da Califórnia determina que os funcionários tenham pelo menos três dias de afastamento por doença remunerados, mas não existe um requisito federal para licença médica remunerada.

Los Angeles

Autoridades da área de Los Angeles descobriram seis novos casos de COVID-19 no condado nas últimas 48 horas, levando-os a declarar uma emergência local para ajudar a liberar fundos federais e estaduais.

Três dos novos casos são de viajantes que visitaram o norte da Itália, dois são de familiares que tiveram contato próximo com uma pessoa infectada fora do e uma tem um emprego que a coloca em contato com viajantes.

Um paciente foi hospitalizado e os outros foram isolados em casa.

Os técnicos sanitários afirmaram que vão acelerar a realização de testes do vírus, o fornecimento de apoio para os moradores de rua e a divulgação de atualizações diárias sobre o surto por rádio.

Kathryn Barger, presidente do Conselho de Supervisores do Condado de Los Angeles, disse a repórteres na quarta-feira que assinou uma proclamação declarando uma emergência local.

"Quero reiterar que essa não é uma resposta enraizada no pânico", disse Barger.

A supervisora do condado Hilda L. Solis explicou que a proclamação permite que as autoridades locais obtenham mais recursos dos níveis federal e estadual do governo.

A Dra. Barbara Ferrer, diretora do Departamento de Saúde Pública do Condado de Los Angeles, disse que o município precisa se preparar para mais casos. O departamento está aumentando sua capacidade de teste e kits de teste adicionais estão a caminho, acrescentou Ferrer.

"Garantiremos que as pessoas que testam positivo para o novo coronavírus e seus contatos próximos sejam rapidamente identificadas e monitoradas e apoiadas de perto enquanto estiverem isoladas e/ou em quarentena", disse ela.

Ferrer também disse que as pessoas devem manter distância umas das outras em locais públicos e podem querer usar "saudações verbais no lugar de apertos de mão e abraços". As empresas também devem ajustar suas políticas de licença, disse ela.

Na semana passada, o CDC intensificou seu apelo ao público para começar a se preparar para um possível surto de pandemia nos EUA, mencionando que escolas e empresas podem precisar fechar.

"Este é o momento para as pessoas terem um plano do que fariam caso a escola de seus filhos precise fechar", disse Ferrer na quarta-feira.

Ferrer alertou contra os golpistas que estão tentando vender tratamentos e medicamentos com "promessas de cura e proteção".

As cidades de Pasadena e Long Beach também estão declarando emergências de saúde pública relacionadas ao novo coronavírus. Atualmente, não há casos confirmados nessas cidades.

San Francisco declarou estado de emergência em 25 de fevereiro.

Moradora de rua na Calçada da Fama, Hollywood Boulevard, Los Angeles. Foto: © David Fulmer
Moradora de rua na Calçada da Fama, Hollywood Boulevard, Los Angeles. Foto: © David Fulmer
Fotos: Richard Masoner, Laurie Avocado, Ken Walton, Cheyenne Cobb, David Dennis, Sasha Asensio
Fotos: Richard Masoner, Laurie Avocado, Ken Walton, Cheyenne Cobb, David Dennis, Sasha Asensio

Homeless

A Califórnia em 2017 respondia por 22% da população sem-teto dos Estados Unidos, porém o estado representa apenas 12% da população total do país.

A população total de desabrigados da California foi estimada em 150 mil pessoas em 2019. Apenas 20% aparenta ter alguma doença mental.

O Condado de Los Angeles, população de 10 milhões, tem estimadas 60 mil pessoas em situação de rua, segundo o Los Angeles Homeless Services Authority.

A Cidade de Los Angeles tem estimados 4 milhões de habitantes e 36 mil moradores de rua – 25% passam a noite no relento, 25% pernoitam em abrigos de acolhimento de emergência, 7% dormem em tendas, 13% em abrigos improvisados, 16% em motohomes, 7% em vans e 7% em automóveis. Os veículos frequentemente são decrépitos e inoperantes.

Um total de 85% dos sem-teto de Los Angeles são adultos sem filhos, 70% são do sexo masculino e 44% são negros, mesmo que representem apenas 8% dos residentes de Los Angeles.

O dinheiro está na raiz da crise dos sem-teto da cidade – empregos que pagam muito pouco e moradias que custam muito. Metade dos sem-teto diz que não tem moradia porque perdeu o emprego e não pode pagar aluguel.

A média dos aluguéis é o dobro da média americana.

Mais de 800 mil pessoas em Los Angeles gastam mais de 90% de sua renda com aluguel - e esses indivíduos precariamente abrigados correm alto risco de ficarem sem-teto.

"A inacessibilidade nesta cidade está enviando cada vez mais pessoas para as ruas", disse Tracy Jeanne Rosenthal, cofundadora da União de Inquilinos de LA.

Quando as pessoas são despejadas devido a enormes aumentos de aluguel, elas geralmente não têm outras opções de moradia, acrescentou: "Se você foi despejado em Los Angeles, foi despejado de Los Angeles. Se você quer permanecer alojado, precisa sair da cidade”.

São Paulo

Segundo levantamento da Prefeitura de São Paulo, cidade com população de 12,2 milhões de habitantes, 25 mil pessoas maiores de 17 anos estavam em situação de rua na Capital em janeiro de 2020. Entidades sociais afirmam que o número ultrapassaria 32 mil pessoas, o dobro do último censo, realizado em 2015.

* Com informações do Los Angeles Times, CNBC, NHK, Agência Brasil, BBC, The Guardian

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