"A gente criou o maior banco digital do mundo. O maior até agora era um banco indiano, com 116 milhões de contas digitais. A gente vai superar, com 120 milhões de clientes reais. Não é aquele que você cria a conta e não tem utilização. Não estou nem juntando os clientes que a Caixa já tinha [93 milhões]. Esses acabam indo para o Internet banking, que é outro grupo. Estou falando dos 65 milhões do Auxílio [Programa de Auxílio Emergencial (PAE)], que devem virar 66 milhões, dos 5 milhões do Benefício Emergencial [BEm], aquele de manutenção de emprego, e dos 60 milhões do FGTS. Todos estão recebendo digitalmente. Como há alguma sobreposição, sobram 120 milhões", detalhou o Presidente da Caixa, Pedro Guimarães, em entrevista ao Valor em 23 de julho.

A abertura da conta e a movimentação devem continuar gratuitas, com a receita do novo banco sendo obtida com microcrédito, títulos de capitalização e seguros.

Segundo apurou a Gazeta do Povo, a Caixa estima que cerca de 70% dos correntistas do banco digital em estudo potencialmente consumirão alguns dos produtos ofertados. Na avaliação, seriam 36 milhões de clientes "desbancarizados" ou que não tinham acesso a microcrédito pela insuficiência de garantias e renda.

De acordo com a Gazeta, a "equipe econômica entende que o banco digital em si já foi criado com o Caixa Tem e com a abertura das contas digitais, mas é preciso formalizar esse processo através de uma subsidiária, visando uma futura abertura de capital".

"A ala mais liberal da equipe econômica vai além de uma IPO e defende a venda desse banco digital", escreve a Gazeta do Povo.

Evidências de preparativos para a criação do novo banco da Caixa estão sendo observadas há vários meses.

Na ocasião do crédito da primeira parcela do Auxílio Emergencial, os beneficiários que eram clientes da Caixa tiveram a quantia depositada em suas contas regulares. Os demais, receberam a parcela em uma conta poupança social digital, aberta automaticamente em nome do beneficiário, com o valor disponível para movimentação imediata através do aplicativo Caixa Tem, incluindo pagamentos de boletos e transferências para outros bancos.

No pagamento da segunda parcela, ocorrida entre 20 e 26 de maio, os beneficiários foram surpreendidos com duas mudanças importantes: foram criadas contas digitais para os correntistas da Caixa e os recursos seriam disponíveis nas datas dos créditos apenas para movimentação por meio do Caixa Tem. Saques e transferências para outras contas bancárias, inclusive da Caixa, só seriam permitidas em datas posteriores, de acordo com o mês de nascimento do beneficiário. A explicação para a mudança foi na linha de "salvar vidas".

No dia 29 de maio, a Caixa anunciou uma atualização do aplicativo Caixa Tem que permitia pagar compras em estabelecimentos conveniados à Elo, empresa controlada pelo Banco Bradesco, Banco do Brasil, e Caixa Econômica Federal.

Segundo o Vice-Presidente de tecnologia do banco, Cláudio Salituro, a funcionalidade foi desenvolvida em dez dias.

“É muito simples e muito fácil de fazer”, disse Salituro. Ele acrescentou que o processo ajudaria no combate à pandemia, à medida que o beneficiário não precisa tocar na maquininha nem digitar senhas, com a transação realizada através da leitura de QR Code. “O processo é seguro e sem contato físico com a maquininha”.

Segundo estimativas da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP), o Auxílio Emergencial injetou R$ 15o bilhões no comércio varejista do País.

A solução do governo federal harmonizou duas estratégias distintas:  1) socorrer as pessoas pobres e desempregadas; 2) atenuar a queda da atividade econômica e ajudar a retomar a economia.

A forma de atingir esses objetivos na China tem dividido seus economistas.

Enquanto o país está ajudando as empresas a manter trabalhadores e pressiona seus bancos estatais a emprestarem mais, a China evitou gastar em grandes pacotes econômicos ou inundar seu sistema financeiro com dinheiro.

O país comunista também se absteve de dar dinheiro diretamente ao seu povo.

Para Justin Lin Yifu, conselheiro econômico do governo central da China, "as pessoas podem não gastar o dinheiro quando o recebem, não sendo convertido diretamente em demanda".

Lu Ting, economista-chefe da Nomura, entende que esses incentivos de consumo falham em cuidar das pessoas pobres e desempregadas.

Liu Qiao, decano da Guanghua School of Management, da Universidade de Pequim, acredita que dar dinheiro tem melhores efeitos em grupos de baixa renda.

"O cupom estimula o consumo, o dinheiro protege os meios de subsistência das pessoas", explicou Liu, enfatizando que não há contradição.

O Presidente Bolsonaro confirmou na sexta-feira (21) que o Programa de Auxílio Emergencial será estendido até dezembro de 2020. A expectativa é que os valores das parcelas sejam divulgados na terça-feira (25), quando o Presidente anunciará medidas do Governo Federal para recuperação da economia.

* Com informações da Gazeta do Povo, Valor Econômico

Veja também:

Leitura recomendada: