Governador de Rondônia Marcos Rocha cumprimenta Yamixãrah Tintin Suruí, vencedor da primeira edição do Concurso Tribos, que avaliou a qualidade do café cultivado em duas terras indígenas: Sete de Setembro, localizada em Cacoal, e Rio Branco  em Alta Floresta
Governador de Rondônia Marcos Rocha cumprimenta Yamixãrah Tintin Suruí, vencedor da primeira edição do Concurso Tribos, que avaliou a qualidade do café cultivado em duas Terras Indígenas: Sete de Setembro, localizada em Cacoal, e Rio Branco em Alta Floresta. Foto: Giliane Perin/Secom

Com grande variabilidade de sabores e cafés de características sensoriais ricas e complexas, direto da floresta,  cafeicultores indígenas de Rondônia foram premiados na primeira edição do  Concurso Tribos, realizado pelo Grupo 3corações, a maior empresa de cafés do País, com 27% de participação no mercado nacional.

O evento contou com a participação de cerca de 400 indígenas, além da  presença do Governador de Rondônia, Marcos Rocha e demais autoridades.  Representantes de todas as instituições parceiras do Projeto Tribos também estiveram presentes.

Foram inscritas neste concurso 64 amostras e 61% delas foram  classificadas como cafés especiais, com notas acima de 80 pontos na  metodologia da Associação Americana de Cafés Especiais,  reconhecida mundialmente.

“A qualidade excepcional destes cafés  demonstram o potencial dos Robustas Amazônicos e como o uso de  tecnologias sustentáveis podem fazer com que os indígenas transformem  sua realidade”, comenta o pesquisador da Embrapa Rondônia e especialista  em qualidade de café, Enrique Alves.

Produtores de cafés há mais de 30 anos em Rondônia, os indígenas têm cultura, tradição e níveis de relação com o ambiente muito amplo e  diferenciado. Os resultados obtidos na competição decorrem de treinamentos de colheita e pós-colheita que foram realizados pela Embrapa Rondônia, em parceria com a Emater-RO, técnicos da Secretaria de Agricultura de Alta Floresta D’Oeste e Cacoal e especialistas do Grupo 3corações.

“Em poucos meses, foi possível modificar o perfil sensorial dos cafés  produzidos por estas etnias indígenas de forma excepcional”, comemora Enrique Alves.

O Projeto Tribos, uma aposta no empreendedorismo indígena por instituições governamentais e a iniciativa privada, está sendo conduzido nas comunidades Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, e Terra  Indígena Rio Branco, em Alta Floresta D’Oeste.

“Estes povos estão utilizando tecnologias modernas de processamento dos  frutos como, por exemplo, as fermentações conhecidas como ‘Sprouting  Process’, que intensificam os atributos como doçura e acidez do café,  gerando bebidas complexas, exóticas e que poderão ser muito apreciadas  mundialmente. É uma nova era para os robustas e conilons finos e  Rondônia tem dado exemplo”, ressalta Alves.

Nas próximas fases do projeto será dada ênfase na conservação do solo, mananciais e florestas e na redução do uso de agroquímicos.

Neste primeiro ano do Projeto Tribos, o Grupo 3Corações garantiu a  compra de toda a produção dos cafés cultivados nas duas Terras Indígenas.

Para Pedro Lima, presidente da 3corações, o Projeto Tribos cria valor para todos os envolvidos.

“Ao longo dos 60 anos de  história do Grupo 3corações, buscamos parcerias genuínas e duradouras.  Este é um projeto que caminha neste sentido e, além disso, traz ousadia e  inovação na criação de oportunidades. Estamos construindo o Projeto  Tribos com responsabilidade e cuidado em cada atitude, sempre visando os pilares ambientais, protegendo as  florestas, os pilares econômicos, com a produção de um café de  qualidade, e sociais, destacando e valorizando o protagonismo indígena. O nosso trabalho é voltado para desenvolver a cadeia produtiva do café.  Este projeto, o Projeto Tribos, é uma oportunidade única de uma  iniciativa sustentável que cria valor para os envolvidos”, diz Pedro Lima.

O Governador do Estado de Rondônia, Marcos Rocha, elogiou a  iniciativa do Grupo e parabenizou a dedicação dos indígenas rondonienses  no cultivo do café dentro das aldeias.

“Eu quero parabenizar a empresa 3Corações e os povos indígenas  pela dedicação e pelo amor ao café, ao cultivo, às lavouras. O café  aqui, neste concurso hoje, é apenas uma amostra da qualidade do que é  produzido em Rondônia”, ressaltou o Governador.

“O indígena quer trabalhar e o governo está ao  lado de todos. Estamos juntos. Neste período que estamos no governo,  foram entregues máquinas agrícolas em aldeias indígenas, entregamos  sementes, abrimos estradas para que os indígenas possam escoar a  produção, temos trabalhado na regularização fundiária. Enfim, temos  trabalhado por todos, para que Rondônia possa produzir mais, valorizando  a sua produção”, disse o Governador Marcos Rocha.

Premiação

A equipe de degustadores foi composta por especialistas renomados de diversas regiões produtoras do País. Para o coordenador do grupo, os resultados  da avaliação das bebidas surpreenderam e representam um marco para o  reconhecimento da qualidade dos Robustas Amazônicos. “O resultado que provamos nas xícaras vai impressionar  todo o Brasil”, destaca o especialista em cafés especiais Silvio Leite.

O cafeicultor Yamixãrah Tintin Suruí, da Aldeia Tikã, da Terra Indígena Sete de Setembro, ficou com o 1° lugar. O café dele obteve 89,63 pontos com  notas de chocolate, caramelo e frutas amarelas. Este café foi comprado  por R$3.000,00 cada saca e ele recebeu mais R$25.000,00 de prêmio em  dinheiro.

Em poucas palavras, o indígena definiu sua emoção. “Falo pouco o Português, mas quero dizer que o que eu estou sentindo é uma felicidade muito grande. Tenho vontade de sorrir o tempo todo. Não quero parar de  ter essa alegria. Tenho a minha plantação, que cuido com a ajuda da  minha família, e é isso que a gente quer fazer. A gente quer trabalhar,  ter um café bom e conquistar as nossas coisas”, emociona-se Tintin Suruí.

Em 2° lugar ficou o cafeicultor Valcemir Canoé, com  89,38  pontos, com notas de ameixa, uva passa, conhaque e chá preto. Ele é da  Aldeia São Luiz, localizada na Terra Indígena Rio Branco, em Alta  Floresta D'Oeste. A compra das sacas foi por R$2.000,00 cada uma e  recebeu mais R$15.000,00 em dinheiro.

O 3º lugar foi para o  cafeicultor Erivelton Mopimoy Surui, com 88,94 pontos, com notas de  tâmaras, doce de leite, guaraná e cravo. Ele é da Aldeia Joaquim, da  Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal. O Grupo 3 Corações adquiriu  este lote por R$1.000,00 cada saca e ofereceu mais R$10.000,00 de  premiação.

O Grupo 3corações abriu uma exceção no regulamento, premiando também o 4º  e o 5º melhores cafés, com R$5.000,00 cada, sendo ganhadores os  cafeicultores Mehpey Suruí, com 87,06 pontos, e Joel Suruí, com 86,88  pontos, respectivamente.

* Com informações da Embrapa Rondônia e Rondônia Dinâmica

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