O estudo da Universidade de Oxford terá a participação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e do Hospital São Rafael, em Salvador.

"É um estudo encomendado pelo Ministério. Nós precisamos saber a duração da proteção de cada vacina. Para as vacinas da Pfizer, Oxford-AstraZeneca e Janssen já existem várias publicações mostrando realmente a proteção em até 1 ano. Em relação à Coronavac, nós precisamos então avaliar isso", disse a pesquisadora Sue Ann Clemens, brasileira que trabalha na Universidade de Oxford.

O experimento será conduzido com quatro grupos de 300 voluntários, que receberão doses das vacinas registradas da Pfizer e da AstraZeneca e dos imunizantes com autorização temporária de uso da Janssen e da Sinovac.

O objetivo é levantar dados de imunogenicidade obtidos com a revacinação, subsidiando a tomada de decisões do governo na proteção da população que recebeu a CoronaVac.

"Aqueles brasileiros que logo no começo da campanha fizeram o uso da Coronavac, das duas doses da Coronavac, nós vamos agora fazer um estudo para avaliar a terceira dose da Coronavac ou dos outros três imunizantes do PNI (Programa Nacional de Imunização)", disse o Ministro da Saúde, o Dr. Marcelo Queiroga.

O jornal O Estado de São Paulo publicou no dia 6 de julho que a proteção da CoronaVac "deve ser de cerca de oito meses", citando o Diretor do Instituto Butantan Dimas Covas.

A infectologista da Unicamp Raquel Stucchi apontou que brevemente haverá um contigente populacional com mais de oito meses de imunização pela Coronavac.

"Se a ideia é chegar em outubro ou novembro com 80% da população vacinada, eles já não serão 80%, serão menos porque parte das pessoas já terá ultrapassado esse período", disse ao jornal paulistano.

Atualização 05/07/2021 - O Presidente do Chile, Sebastián Piñera, admitiu nesta quinta-feira (5) que a proteção contra covid-19 dos vacinados com a CoronaVac dura poucos meses.

Cerca de 80% das doses aplicadas no Chile foram fornecidas pela chinesa Sinovac, fabricante da CoronaVac, um imunizante de vírus inativado de baixa efetividade.

O país já vacinou totalmente mais de 60% da população. É o segundo país com a maior taxa de vacinação do mundo, após Israel.

"Decidimos iniciar um reforço da vacinação daqueles que já receberam as duas doses da vacina da Sinovac", disse Piñera em pronunciamento pela televisão.  Mesmo vacinados recentes, como há 4 meses, serão elegíveis.

O Chile utilizará a vacina da Astrazeneca como reforço.

A revacinação começará no dia 11 de agosto, iniciando com pessoas maiores de 55 anos vacinadas com a CoronaVac antes de 31 de março.

Imunogenicidade

A pesquisa de imunogenicidade avalia a capacidade da uma vacina candidata estimular a produção de anticorpos no organismo dos voluntários imunizados durante o ensaio clínico.

Os dados levantados na análise, feita a partir da coleta de sangue de participantes do ensaio, deverão fornecer informações sobre o tempo necessário para a vacina produzir anticorpos, quantos anticorpos são produzidos e quanto tempo esses anticorpos permanecem ativos nas pessoas imunizadas.

Ao submeter à Anvisa o pedido de autorização temporária de uso emergencial da CoronaVac no Brasil, o Instituto Butantan não cumpriu a exigência de entregar os dados de imunogenicidade do imunizante experimental chinês.

A autorização foi concedida pela Anvisa mediante um termo de compromisso, firmado no dia 17 de janeiro pelo instituto do governo paulista, de entrega da pesquisa de imunogenicidade até o dia 28 de fevereiro, posteriormente prorrogado até 30 de abril a pedido do Butantan.

O Butantan é o único representante da Sinovac no Brasil e na América Latina para a comercialização da Coronavac. O contrato entre o Butantan e a Sinovac é alvo de investigações do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e de órgãos federais.

Na terça-feira (27/07), técnicos da Anvisa e do Butantan voltaram a se reunir para discutir a apresentação dos dados de imunogenicidade da vacina CoronaVac.

"Durante a reunião, o Butantan informou que ainda está definindo a metodologia dos testes que serão utilizados e que deve apresentar os resultados no menor prazo possível, porém não houve definição de data", diz nota da Anvisa.

O artigo Immunogenicity and safety of a third dose, and immune persistence of CoronaVac vaccine in healthy adults aged 18-59 years: interim results from a double-blind, randomized, placebo-controlled phase 2 clinical trial, divulgado em pre-print no dia 25, relata que um estudo de amostras de sangue de adultos saudáveis, com idade entre 18 e 59 anos, que receberam duas doses da vacina CoronaVac, com duas ou quatro semanas de intervalo, apenas 17% e 35%, respectivamente, ainda tinham anticorpos neutralizantes acima do que os pesquisadores consideram um nível de limiar detectável seis meses após a 2ª dose.

Já o estudo Comparative immunogenicity of mRNA and inactivated vaccines against COVID-19, divulgado no dia 15, descobriu que os níveis de anticorpos entre os profissionais de saúde de Hong Kong que foram totalmente vacinados com o imunizante de mRNA da Pfizer/BioNTech são cerca de 10 vezes maiores do que aqueles observados nos recipientes da vacina de vírus inativados da chinesa Sinovac.

Em profissionais de saúde que receberam a vacina da Pfizer, as concentrações de anticorpos aumentaram substancialmente após a primeira dose e aumentaram novamente após a segunda dose de vacinação. Em um subconjunto de 12 participantes para os quais foram obtidos resultados de PRNT (plaque-reduction neutralization), após a segunda dose, a concentração (titre) de PRNT50 (50% plaque-reduction neutralization) médio geométrico foi de 269 e o titre de PRNT90 médio geométrico foi de 113, informa o estudo.

Em contraste, os profissionais de saúde que receberam a vacina CoronaVac tinham baixas concentrações de anticorpos após a primeira dose, aumentando para concentrações moderadas após a segunda dose.  Em um subconjunto de 12 participantes, após a segunda dose, a média geométrica do titre de PRNT50 foi de 27 e a média geométrica do titre de PRNT90 foi de 8.

A diferença nas concentrações de anticorpos neutralizantes pode se traduzir em diferenças substanciais na efetividade da vacina, destacaram os autores.

Países que usam principalmente vacinas de vírus inativados não lograram sucesso em reduzir significativamente o número de infecções.

A situação no Chile causa preocupação e ocorre em outros países, como o Bahrein e a Mongólia, que também utilizam vacinas chinesas em larga escala.

Turquia, Tailândia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, entre outros, já estão oferecendo doses de reforço a população vacinada com CoronaVac (Sinovac) e BBIBP-CorV (Sinopharm).

No Brasil, o estudo internacional Effectiveness of the CoronaVac vaccine in the elderly population during a P.1 variant-associated epidemic of COVID-19 in Brazil: A test-negative case-control study, divulgado em 21 de maio, não encontrou efeito protetor na primeira dose da CoronaVac e enfatizou a necessidade da busca de uma melhor solução de imunização para pessoas idosas.

ButanVac

O Secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou no dia 19 que a partir de janeiro de 2022 será iniciada a revacinação contra coronavírus para toda a população do Estado.

"Isto não é um reforço. Isto é uma necessidade que nós temos de estar sempre, anualmente, fazendo uma proteção. Nós chamamos de reforço vacinal quando eu uso uma terceira ou quarta dose. Nós estamos seguindo a prerrogativa das vacinas pra vírus respiratórios como da gripe, que anualmente recebem uma imunização", explicou Gorinchteyn.

“O Estado de São Paulo vai iniciar seguramente uma nova campanha a partir do dia 17 de janeiro do próximo ano. Nós entendemos que nessa articulação junto com o próprio Ministério da Saúde e o Conass, também terão esse entendimento, para que possamos expandir essa nova fase da vacinação não apenas para São Paulo, mas para todo o País”, acrescentou o Secretário.

O Ministério da Saúde afirmou, porém, que não há evidência científica sobre a necessidade de uma campanha anual de vacinação contra o vírus.

Além da CoronaVac, o Butantan está fabricando uma outra vacina experimental, licenciada dos EUA e que está sendo testada no Vietnã e na Tailândia. Segundo Gorinchteyn, já existem 20 milhões de doses produzidas aguardando envase.

O governo paulista está promovendo a vacina americana com o nome de ButanVac.

Atualização 08/08/2021

De acordo com dados do Ministério da Saúde de Israel, reportados pela TV israelense neste domingo (8), quatorze pessoas foram diagnosticadas com covid-19 apesar de terem sido inoculadas com uma terceira dose da vacina Pfizer.

Onze dos 14 casos detectados tem mais de 60 anos e os demais são de pessoas imunocomprometidas, informou o Channel 12. Dois pacientes estão hospitalizados.

O número limitado de casos não é suficiente para os médicos tirarem conclusões quanto à efetividade da terceira dose no combate à variante Delta.

Atualização 18/08/2021

Em relatório de voto, a Diretora da Anvisa Meiruze Sousa Freitas recomendou ao Ministério da Saúde considerar a possibilidade de revacinar pessoas que receberam a vacina CoronaVac, autorizada temporariamente para uso emergencial, em caráter experimental, no Brasil.

"RECOMENDAR ao Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde (MS), que, mediante avaliação de oportunidade e conveniência, no contexto da política de saúde pública para o enfretamento da pandemia, e baseados em evidências técnicas consistentes, considere a possibilidade de indicação de uma dose de reforço, em caráter experimental, para grupos que receberam duas doses da vacina Coronavac, destacadamente para públicos-alvo prioritários, tais como pacientes imunocomprometidos ou idosos, em especial os acima de 80 anos", diz o documento.

Atualização 21/08/2021

Aumenta no Rio número de mortes de idosos com duas doses de vacina

Segundo a Agência Brasil, "sem divulgar estatísticas, a Secretaria Estadual de Saúde observou aumento na morte de idosos com esquema vacinal completo na semana epidemiológica de 30 de maio e 5 de junho de 2021".

"O tipo de imunizante não foi relevante no resultado da análise, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde", acrescentou a agência estatal de notícias.

"Segundo a Secretaria, os técnicos estão avaliando se os óbitos estão ocorrendo devido à redução da imunidade provocada pelo tempo, já que os idosos foram os primeiros a serem vacinados, por isso, está sendo avaliada a necessidade de se aplicar uma terceira dose na população da faixa etária".

É uma hipótese notável para vacinas que começaram a ser aplicadas em fevereiro, com intervalo de várias semanas entre as doses, e cujo esquema vacinal só é considerado "completo" após duas semanas da 2ª dose.

* Com informações do The Times of Israel

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