Pesquisa do Instituto Oi Futuro e da consultoria Consumoteca aponta  que 80% dos frequentadores de museus brasileiros integram as classes A e  B, ou seja, pertencem a famílias que ganham mais de R$ 9.980 mensais.

A  maioria das pessoas que disseram que não frequentam museus pertence às  classes C (55%), ou seja, integra famílias cujo rendimento médio mensal  está entre R$ 4.990 e R$ 9.980. Outros 45% dos não frequentadores são da  classe B e tem um rendimento familiar de R$ 9.980 a 19.960 ao mês.

A  pesquisa ouviu 600 homens e mulheres de todas as regiões do país. Não  foram ouvidas pessoas das classes D e E, ou seja, cujas famílias ganham  menos de R$ 4.990 mensais. Metade dos entrevistados frequenta museus  pelo menos uma vez ao ano. A outra metade os visita a cada dois anos,  podendo ser classificada como não frequentadora habitual.

A partir  das respostas obtidas, os pesquisadores identificaram que quem costuma  visitar museus mais de uma vez ao ano o faz por se sentir envolvido  pelas histórias contadas por meio das exposições. Esse grupo afirma  estar a par das constantes mudanças de programação das instituições  museológicas.

MAM São Paulo. Foto: Vitor Cheregati
MAM São Paulo. Foto: Vitor Cheregati

Já os não frequentadores, na maioria das vezes,  afirmam não ter conhecimento de que, além de acervos permanentes, os  museus costumam abrigar exposições temporárias ou mostras temáticas que  dinamizam a programação. Em parte por este desconhecimento, tendem a  considerar os equipamentos monótonos, sem novidades, e a pensar que, uma  vez visitados, não há motivos para voltar.

Para os coordenadores  da pesquisa, a percepção de 50% dos entrevistados de que museus são  locais monótonos (contra apenas 20% que os consideram lugares  divertidos) pode ser explicada, em parte, pelo fato de que a maioria dos  brasileiros tem o primeiro contato com estes equipamentos ao participar  de visitas escolares, principalmente a museus de História.

“A  escola tem um papel fundamental para aproximar os estudantes dos  museus”, afirmou a museóloga Bruna Cruz, coordenadora da pesquisa,  destacando que 55% dos entrevistados responderam que a primeira vez que  estiveram em um museu estavam participando de uma atividade escolar.

“Vários  entrevistados disseram que, após crescer e deixar a escola, não  voltaram a visitar um museu. Vários fatores contribuem para isso, mas a  escolarização da experiência de visitar um museu contribui porque  reforça a percepção de que eles são espaços elitistas”, explicou a  museóloga. Ela destaca ainda que 80% dos entrevistados consideram que  museus são prédios históricos, de arquitetura clássica, destinados a  oferecer conhecimento sobre determinado assunto (65%) e preservar e  comunicar a história de seu próprio acervo (45%). “Os próprios prédios  de alguns museus costumam intimidar algumas pessoas. Outra questão  decorrente da escolarização é que as visitas dificilmente se repetem.”

Foto: Wel Loren, Pixabay

Renovação

“Os  museus que pensam programações familiares estão pensando no futuro.  Assim como os que levam em conta a questão da acessibilidade e da  compreensão”, acrescenta a museóloga Bruna Cruz. De acordo com a  pesquisa, metade dos não frequentadores mencionou o fato de não entender  o que veem, principalmente em se tratando de exposições de artes  plásticas.

“Mais de 90% dos entrevistados declararam que os  programas educativos aumentam a vontade de visitar um museu. Em termos  da linguagem, as melhores experiências se dão nos museus que estão  partindo para promover uma maior participação do público, facilitando a  compreensão [do conteúdo exposto]”, disse Bruna, assegurando que até  entre frequentadores com ensino superior há quem se queixe da linguagem  hermética com que muitas obras costumam ser apresentadas.

“É uma  barreira. Da mesma forma que a questão da acessibilidade para as pessoas  com qualquer deficiência. No circuito museográfico, a linguagem e a  acessibilidade precisam ser levadas em conta o tempo todo, pois o  público vem exigindo isso e quando operamos com o modelo universal[para  todas as pessoas], temos resultado mais satisfatórios”, ponderou Bruna.

“O  ideal é que, além de continuar recebendo grupos no museu, tentemos  `desescolarizar´ a experiência da visita e, simultaneamente, trabalhemos  programas extramuros indo até as escolas e fazendo ações que demonstrem  aos estudantes que eles também produzem conhecimento e que este é  importante para a sociedade”, concluiu a coordenadora.

Foto: Milos Duskic, Pixabay

Concorrência

Dos  entrevistados, 60% consideram que os museus ainda são locais elitizados  e pouco visitados. Perguntados sobre o que gostam de ver nos museus,  50% respondeu artefatos antigos, esqueletos e ossadas. Em seguida vieram  os quadros e pinturas (45%); esculturas (30%); instalações artísticas  (25%); fotografia (20%); videoarte (10%) e performances ao vivo (10%).

Entre  os frequentadores, 60% disseram que o preço acessível é uma motivação  na hora de escolher o que fazer em momentos de lazer. Destes, 80%  preferem passar parte do tempo livre no cinema; 65% em restaurantes e  65% em parques. Os museus são a preferência de 50% dos que disseram  visitá-los regularmente. Já os entrevistados que não frequentam museus  preferem sair para a casa de amigos (60%); shopping (50%) e cinema  (50%). Para estes, o fato de um lugar ser apropriado para se fazer um  programa com toda a família é fundamental na hora de escolher uma  atividade de lazer.

Ibram

Segundo dados do  Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), há, hoje, 3.800 museus em  funcionamento. Em maio, o instituto celebrou a 17ª Semana Nacional de  Museus com uma programação nacional. Com o tema `Museus como Núcleos  Culturais: o Futuro das Tradições´, o órgão incentivou o debate sobre a  realização e o desenvolvimento de projetos e atividades de curta, média e  longa duração que considerem os museus como núcleos ou centros  culturais. Mais de 1.1 mil instituições culturais programaram 3.200  eventos culturais, como mostras, oficinas, visitas guiadas, debates e  apresentações musicais, nas cinco regiões do país.

Edição: Narjara Carvalho