Compradores da China estão fazendo ofertas de aquisição de soja brasileira, para embarque em agosto, setembro e outubro, após o anúncio do presidente Donald Trump na quinta-feira sobre tarifas adicionais em produtos importados da China.

Os EUA são o segundo maior fornecedor de soja da China e as remessas podem ser reduzidas a menos da metade se as tarifas forem aplicadas.

Hoje as exportações mundiais de soja estão 85% concentradas entre Brasil, EUA, Paraguai e Argentina. A China não compra a soja transgênica paraguaia.

A perspectiva da China intensificar as compras elevou os preços brasileiros. O Brasil é o maior produtor mundial de soja e o maior fornecedor da China. A cotação para outubro no porto de Paranaguá subiu 11% na sexta-feira. No entanto, o atual patamar de preço ainda segue pouco atrativo para os produtores  brasileiros, que esperam melhores oportunidades para voltar ao mercado,  principalmente para a safra nova.

Cotação da soja americana após anúncio da quinta-feira (1). Fonte: CBOT
Efeito Trump. Fonte: cepea.esalq.usp

A China geralmente compra soja brasileira nesta época do ano. Contudo, segundo analistas de mercado, os estoques brasileiros estão baixos -- situação atribuida ao forte consumo doméstico de soja causado pelo aumento da demanda por alimentos.

Segundo a especialista Carla Mendes, em matéria do Notícias Agrícolas, da safra 2018/19, o Brasil já tem mais de 75% vendido e, de janeiro a  julho, já embarcou mais de 53 milhões de toneladas. Do restante - 19 milhões de toneladas, de acordo com os cálculos da Agrinvest - boa parte já está comprometida.

Se os preços nos portos continuarem subindo, é possível o Brasil importar soja para o fornecimento local, para liberar sua própria produção para exportar para a China.

Para Tracey Allen, analista do JPMorgan, será preciso importar farelo de soja da Argentina: “Sendo realista, essa é a única forma de possibilitar o fluxo máximo de exportação de soja do Brasil para a China e de atender à demanda interna.”

Do ponto de vista logístico, faz sentido para indústrias do Paraná, Santa Catarina e São Paulo importarem soja do Paraguai, pois é mais favorável do que trazer do Mato Grosso. Na safra 2016/17, o país vizinho exportou mais de 6 milhões de toneladas de soja, principalmente para a União Europeia e para a Rússia.

Atualização 05/08/2019: A agência de notícias Bloomberg informou hoje que o governo chinês pediu às estatais que interrompam aquisições de produtos agrícolas dos EUA. Mais do que isso, as esmagadoras chinesas de soja que estão isentas da tarifação interromperam suas compras diante das incertezas da disputa comercial.

Para o analista sênior da INTL FCStone, Darin Friederichs, as grandes compras agrícolas norte-americanas são a maior alavancagem que a China possui, porque afeta diretamente o setor agrícola norte-americano, uma das bases eleitorais de Trump.

No Brasil, a intensificação da  guerra comercial entre China e Estados Unidos aumentou a busca dos chineses por soja. Segundo dados da Brandalizze Consulting, negociantes chineses compraram mais de 500 mil toneladas de soja brasileira, com avanço dos preços no mercado nacional.

Número 1

A produção brasileira de soja saltou de 15 milhões de toneladas em 1990 para atuais 120 milhões. O País passou a ser uma potência responsável por 35% de toda a produção mundial e quase 50% das exportações. Nos anos 90, a Europa era a destinação de 80% da soja exportada. Hoje, a China responde por 90% das importações de soja do Brasil.

* Com informações do Notícias Agrícolas, Dinheiro Rural, Exame e Bloomberg.

Atualização 30/08/2019:

Os embarques de soja somaram cerca de 4 milhões de toneladas até a penúltima semana de agosto, ante 7,8 milhões de toneladas em julho.

No acumulado do ano até julho, as exportações brasileiras de soja somaram 52,3 milhões de toneladas, ante 56,5 milhões de toneladas em igual período de 2018.

Com a safra menor, o Brasil teria disponível apenas mais 15 milhões de toneladas para atender os mercados interno e externo até a próxima colheita, no início de janeiro, na avaliação T&F Agroeconômica.

* Com informações da Agrolink