O saldo liquido positivo em dezembro na modalidade de trabalho intermitente foi puxado pela expansão de vagas no comércio (+3,7 mil) e serviços (+3,1 mil).

O resultado de dezembro veio melhor que a mediana das estimativas do mercado financeiro, negativa em 328 mil postos de trabalho. Ainda assim, o fechamento de vagas em dezembro foi mal recebido.

"Se olhar direito, apesar da criação de vagas no ano, o Caged veio meio ruim. Hoje o mercado olha com mais preocupação para essas vagas  fechadas", afirmou Vitor Miziara, gestor da Criteria Investimentos, ao Valor Ecônomico.

Saldo de emprego formal no mês de Dezembro/2019. Fonte: Caged
Saldo de emprego formal no mês de Dezembro/2019. Fonte: Caged

O maior salário médio de admissão em dezembro ocorreu no setor de extração mineral, com R$ 2.860, elevado pelas contratações da Petrobras. O menor salário médio de admissão apurado foi na agropecuária, no valor de R$ 1.392.

Balanço anual

O Brasil fechou 2019 com o maior saldo de emprego com carteira assinada em números absolutos desde 2013.

Fonte: Caged
Fonte: Caged

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que houve saldo liquido de +644 mil vagas de emprego formal no País em 2019, elevando o número de postos de trabalho com carteira assinada a 39 milhões.

A série ajustada do Caged mostra que os negócios com menos de 20 empregados registraram saldo positivo de 737 mil vagas formais em 2019, enquanto empresas médias, com 20 a 100 funcionários, e grandes companhias, com mais de 1 mil trabalhadores, reduziram seus quadros em quase 200 mil postos de trabalho no ano passado.

Saldo liquido de empregos CLT por porte de empresa. Fonte: Caged
Saldo liquido de empregos CLT por porte de empresa. Fonte: Série ajustada do Caged

Os dados do Caged apontam queda no salário médio de novas contratações a partir de agosto do ano passado, se afastando ainda mais da média salarial dos demitidos no mesmo período.

Valores deflacionados pelo INPC. Não inclui vínculos da modalidade intermitente e recebimentos inferiores a 0,3 SM e superiores a 150 SM. Fonte: Caged
Valores deflacionados pelo INPC. Não inclui vínculos da modalidade intermitente e recebimentos inferiores a 0,3 SM e superiores a 150 SM. Fonte: Caged 

Setores

Todos os oitos setores da economia registraram saldo positivo em 2019.

O destaque do ano ficou com Serviços, responsável pelo acréscimo de +383 mil postos de trabalho, seguido de Comércio (+146 mil) e Construção Civil (+71 mil).

O saldo total do ano passado de +644 mil empregos formais representou crescimento de +22% em relação ao apurado em 2018 (+530 mil). Já o saldo do trabalho intermitente, de +86 mil vagas em 2019 e de +51 mil no ano anterior, registrou crescimento de +70% nessa modalidade de emprego precário que vem sendo somada ao saldo de contratações regulares, distorcendo os números de emprego. Fonte: Caged
O saldo total do ano passado de +644 mil empregos formais representou crescimento de +22% em relação ao apurado em 2018 (+530 mil). Já o saldo do trabalho intermitente, de +86 mil vagas em 2019 e de +51 mil no ano anterior, registrou crescimento de +70% nessa modalidade de emprego precário que vem sendo somada ao saldo de contratações regulares, distorcendo os números de emprego. Ao contrário dos outros tipos de vínculo, o intermitente não garante nem trabalho nem renda. Fonte: Caged

Modernização trabalhista

Em 2019 ocorreram 221 mil desligamentos mediante acordo entre empregador e empregado. A maioria desses acordos ocorreu em Serviços (109 mil), Comércio  (53 mil) e Indústria de Transformação (35 mil).

Na modalidade de trabalho intermitente, o saldo anual ficou positivo em +85 mil empregos formais. O melhor desempenho foi do setor de Serviços, que fechou 2019 com saldo de +40 mil postos, seguido de Comércio (+24 mil), Indústria da Transformação (+10 mil) e Construção Civil  (+10 mil). As principais ocupações foram assistente de vendas, repositor de mercadorias e vigilante.

No regime de tempo parcial, o saldo de 2019 foi de +20 mil postos. Os setores com maiores saldos foram Serviços (+10 mil) e Comércio (+8 mil). Por função, as maiores contratações foram repositor de mercadorias, operador de caixa e faxineiro.

* Com dados do Caged/Ministério da Economia

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