Atualização 18/12 - Em evento do Valor Econômico, o CEO e CIO da Verde Asset, Luis Stuhlberger, avaliou que o BC de Roberto Campos Neto vai deixar um legado de coragem.

"O juro está 2% e, no dia que chegar a 5% ou 6%, a gente vai achar estupidamente alto. É uma mudança do padrão de expectativas – o Roberto Campos rompeu com uma barreira. Se o Brasil conseguir lidar com juro nominal de 5% ou 6% terá sido uma incrível vitória dessa modelagem do BC, que deu de presente à nós brasileiros, porque o juro baixo é extremamente positivo para a economia", disse Stuhlberger.

"A gente está tendo neste ano uma Selic média de 2,80% para uma inflação de 4,30%. Então é um juro real negativo, eu diria pela primeira vez na história recente. A gente só tinha juro real negativo na época da hiperinflação. Desde o plano real ou um pouco antes disso tivemos juros reais extremamente positivos. Isso é uma mudança de paradigma".

"Enquanto o juro ficar baixo estamos relativamente bem".

A S&P Global Ratings, divisão de classificação de risco da S&cP Global, reafirmou na quinta-feira (10) seus ratings de crédito soberanos 'BB-/B' de longo e curto prazo em moeda estrangeira e local na escala global atribuídos ao Brasil.

O rating soberano 'brAAA' na Escala Nacional Brasil também segue estável e a avaliação de transferência e conversibilidade (T&C)  'BB+' permanece inalterada.

A perspectiva dos ratings de longo prazo permanece estável.

"A perspectiva estável indica que a implementação oportuna de ajuste fiscal e a modesta recuperação econômica ajudarão a preservar a confiança do mercado e as condições de financiamento adequadas para o governo nos mercados locais nos próximos dois anos, apesar de um aumento sustentado na carga da dívida", explica a classificadora de risco em comunicado.

Contudo, a agência destacou que a "pandemia exacerbou algumas das principais fraquezas estruturais do Brasil, sobretudo o baixo crescimento econômico, os grandes desequilíbrios fiscais e a alta carga de endividamento".

A S&P Global Ratings espera "recuperação sustentada, embora moderada, do investimento privado nos próximos trimestres devido à política monetária expansionista, a taxa SELIC em baixa recorde de 2%, e a um forte aumento da utilização da capacidade instalada, de acordo com pesquisas recentes", porém ressalta que "a persistente incerteza fiscal e as altas necessidades de financiamento do governo podem afetar a confiança empresarial".

O comunicado credita às autoridades brasileiras "um apoio extraordinário para mitigar o impacto econômico, social e financeiro decorrente da pandemia", subscrevendo o entendimento anteriormente expresso pelo FMI.

"O pacote de apoio fiscal total é de 12% do PIB, um dos maiores entre os mercados emergentes, e seu impacto direto no deficit primário do governo para 2020 é estimado em cerca de 8% do PIB. A principal medida é um programa de ajuda emergencial, equivalente a 4,5% do PIB, que beneficiou mais de 60 milhões de habitantes", detalha a S&P Global Ratings.

"O fim próximo dessas medidas aumenta a incerteza sobre o ritmo de recuperação no próximo ano, pressionando os formuladores de políticas para aprovar uma extensão dos benefícios, apesar da falta de espaço fiscal", alerta a agência.

A S&P Global Ratings projeta PIB per capita de US$6.513 em 2020, com retração de -4,7% no PIB este ano e perspectiva de aumento de +3,2% em 2021, crescimento abaixo de outros países em nível semelhante de desenvolvimento.

Dívida pública

Na avaliação da S&P Global Ratings, a ampla resposta de política econômica à pandemia agravou o "já fraco desempenho fiscal do Brasil".

"A variação da dívida líquida do governo geral deve crescer para cerca de 16% do PIB em 2020 e recuar para 8% em 2021" estima a agência.

"O deficit fiscal aumentará a carga da dívida líquida do governo para cerca de 76% do PIB ao fim de 2021 e projetamos que continuará crescendo, atingindo cerca de 80% do PIB em 2023".

Para os analistas da agência de classificação de risco, "o rápido aumento da dívida, a perspectiva de grandes necessidades de financiamento no próximo ano – 28% da dívida vencerá nos próximos 12 meses –  e o lento progresso na aprovação de reformas estruturais aumentaram as preocupações do mercado doméstico nos últimos meses, levando a uma acentuada inclinação da curva de juros em moeda local e, consequentemente, a uma redução dos prazos".

Por outro lado, a agência avalia que "os consideráveis ativos líquidos do governo (em torno de 16% do PIB) e passivos contingentes limitados mitigam os riscos de gestão da elevada carga de endividamento do Brasil".

IED

Apesar da posição favorável da dívida externa, que atualmente representa apenas
5,7% da dívida pública, a S&P Global Ratings considera que o Brasil "pode estar vulnerável a mudanças bruscas nos fluxos de investimento estrangeiro direto (IED), uma vez que o passivo externo líquido, que inclui o elevado estoque de IED no País, representa quase 200% dos ingressos em conta corrente em 2020".

Embora tenham sido registradas fortes quedas em 2020, a expectativa da agência é que o IED líquido continue sendo a maior fonte de financiamento do deficit em conta corrente.

"Presumimos que o deficit em conta corrente aumentará lentamente nos próximos anos, à medida que as importações e a distribuição de lucros se acelerarem, mas que permanecerá abaixo de 2% do PIB, consistente com uma recuperação moderada da demanda interna", prevê a agência.

* Com informações da Standard & Poor's Financial Services e afiliadas (coletivamente S&P)

Veja também: