Atualização 15/06 - O Grupo Fleury, de medicina diagnóstica, participará da seleção de candidatos para os testes com a vacina experimental da AstraZeneca.

"A vacina não está tão longe como temíamos que estivesse. Tenho os dados reais como referência e sou uma pessoa otimista”, disse Celso Granato, infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, ao Valor. “Teremos uma vacina [no máximo] no início do ano que vem”.
Nota: Artigo em pre-print não revisado da Universidade de Oxford sobre o teste da vacina com macacos (ChAdOx1 nCoV-19 vaccination prevents SARS-CoV-2 pneumonia in rhesus macaques), mostra que o medicamento não protege contra infecção e não reduz a carga viral, com o doente contagiando outras pessoas. Os testes sugerem que a vacina pode diminuir a evolução para pneumonia em humanos, o que está sendo contestado porque o vírus SARS-CoV-2 seria menos agressivo em macacos.

A vacina experimental da AstraZeneca está entre as primeiras a avançar para os ensaios da Fase II. Para acelerar o desenvolvimento, os pesquisadores estão realizando ao mesmo tempo os ensaios de Fase II e Fase III.

A AstraZeneca licenciou da Universidade de Oxford a vacina recombinante contra adenovírus ChAdOx1 nCoV-19, que passou a se chamar AZD1222.

Os estudos iniciais para avaliar a segurança da vacina foram realizados no Reino Unido. O medicamento foi testado primeiro em adultos, com efeitos colaterais leves, como estado febril e braço dolorido, e atualmente está sendo testado em 10.260 voluntários, entre adultos e crianças.

No Brasil, os testes da vacina serão realizados em São Paulo e no Rio.

Em São Paulo, os testes serão conduzidos pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e contaram com a viabilização financeira da Fundação Lemann no custeio de toda a infraestrutura médica e de equipamentos necessários.

Para a etapa em São Paulo, a Unifesp irá recrutar mil voluntários que estejam na linha de frente do combate à Covid-19, uma vez que estão mais expostos à contaminação. Serão selecionadas pessoas que não contraíram a doença.

Os voluntários "devem ser profissionais de saúde entre 18 e 55 anos e estar em alto risco de infecção, por exemplo, pessoal de limpeza e apoio em unidades que tratam pacientes com Covid-19", disse à AFP Soraya Smaili, reitora da Unifesp.

No Rio de Janeiro, os testes em outros mil voluntários serão feitos pela Rede D’Or São Luiz, com custo de cerca de R$ 5 milhões bancados pela Rede e sob coordenação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

Embora não seja comprovadamente eficaz contra o coronavírus, as vacinas são vistas pelos líderes mundiais como a única maneira real de reiniciar suas economias paralisadas e até de obter vantagem sobre os concorrentes globais.

AZD1222

A ChAdOx1 nCoV-19/AZD1222 usa um vetor viral de chimpanzé com deficiência de replicação, baseado em uma versão enfraquecida de um vírus do resfriado comum (adenovírus) que causa infecções em chimpanzés e contém o material genético da proteína spike SARS-CoV-2. Após a vacinação, a proteína de pico de superfície é produzida, iniciando o sistema imunológico para atacar a Covid-19 se posteriormente infectar o corpo.

A vacina foi testada em seis macacos rhesus no National Institutes of Health’s Rocky Mountain Laboratory, em Montana, EUA, que foram expostos a grandes volumes do coronavírus SARS-CoV-2. Mais de 28 dias depois, todos os seis ainda estavam saudáveis.

O vetor de adenovírus recombinante (ChAdOx1) foi escolhido por gerar uma forte resposta imune a partir de uma dose única e não se replicar; portanto, não pode causar uma infecção contínua no indivíduo vacinado. As vacinas feitas com o vírus ChAdOx1 foram administradas a mais de 320 pessoas e demonstraram ser seguras e bem toleradas, embora possam causar efeitos colaterais temporários, como febre, sintomas semelhantes aos da gripe, dor de cabeça ou dor no braço.

* Com informações da Fundação Lemann, Anvisa, AFP

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