Os aviões de combate desembarcaram no Porto de Navegantes, em Santa Catarina, foram transportados para um hangar do Aeroporto Internacional de Navegantes e, após inspeções e testes, decolaram para o Gripen Flight Test Center (GFTC), localizado na planta da Embraer, em Gavião Peixoto (SP).

O Gripen é abastecido com JP-8, querosene de aviação militar, disponível apenas em bases aéreas, além do caça não ser homologado em nenhum país, impedindo-o sobrevoar espaços aéreos de nações, restrições que obrigam a entrega do avião por navio. Foto: © SAAB do Brasil
O Gripen é abastecido com JP-8, querosene de aviação militar, disponível apenas em bases aéreas, além do caça não ser homologado em nenhum país, impedindo-o sobrevoar espaços aéreos de nações, restrições que obrigam a entrega do avião por navio. Foto: © SAAB do Brasil
O Portonave, onde o Gripen desembarcou, está a menos de 3 quilômetros do Aeroporto Internacional de Navegantes, com um traçado favorável pelas ruas da cidade. Foto: © SAAB do Brasil
O Portonave, onde o Gripen desembarcou, está a menos de 3 quilômetros do Aeroporto Internacional de Navegantes, com um traçado favorável pelas ruas da cidade. Foto: © SAAB do Brasil
Os dois caças no percurso entre o porto e o aeroporto. Foto: © Sargento Muller/CECOMSAER
Os dois caças no percurso entre o porto e o aeroporto. Foto: © Sargento Muller/CECOMSAER

Esses são os dois primeiros caças feitos em série pela SAAB entregues à FAB. O Gripen recebido na Suécia em 2019, e que chegou ao Brasil em 2020, é visto como um modelo em desenvolvimento e apoia os testes do avião de combate.

A Aeronáutica recebeu o primeiro Gripen em uma cerimônia realizada em 10 de setembro de 2019, na cidade de Linköping, na Suécia, após um voo experimental de uma hora realizado em agosto daquele ano.

Apenas em 24 de setembro de 2020, o F-39E Gripen entregue à FAB realizou o primeiro voo no Brasil, entre o Aeroporto de Navegantes e a unidade industrial da Embraer no interior de São Paulo, conduzido pelo piloto de testes Marcus Wandt, da SAAB.

Para os caças recém-chegados, coube a dois pilotos do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), o Tenente-Coronel Aviador Cristiano de Oliveira Peres e o Major Aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, a responsabilidade de conduzi-los.

As aeronaves foram conduzidas por dois pilotos brasileiros da FAB, entre o Aeroporto Internacional de Navegantes e o Centro de Ensaios em Voo do Gripen em Gavião Peixoto (SP). Foto: © SAAB do Brasil
As aeronaves foram conduzidas por dois pilotos brasileiros da FAB, entre o Aeroporto Internacional de Navegantes e o Centro de Ensaios em Voo do Gripen em Gavião Peixoto (SP). Foto: © SAAB do Brasil

De acordo com a SAAB, os novos caças permanecerão no GFTC até que obtenham a certificação militar. Ela será feita na Suécia e ratificada no Brasil. A expectativa é que o processo deve levar 6 meses.

“Depois disso, as aeronaves serão transferidas para Anápolis para as etapas finais da fase de entrega”, informou a empresa.

Foto: © SAAB do Brasil
Foto: © SAAB do Brasil

A FAB quer contar com seis caças F-39E Gripen até o fim do ano.

Em dezembro de 2021, autoridades brasileiras e suecas participaram de um evento de alto nível na Suécia para apresentação das seis primeiras aeronaves de produção em série que saíram da fábrica e entraram em fase de entrega.

O Brasil participa ativamente do desenvolvimento, da campanha de ensaios em voo, e da produção dos caças, conforme previsto no contrato que incluiu, no pacote, a transferência de tecnologia para a indústria de defesa brasileira.

O modelo de quarta geração do Gripen (E/F), só foi comprado pela FAB (36 aviões) e pela própria Suécia (60).

O caça ainda não foi homologado por nenhuma autoridade aeronáutica.

Os aviões do Programa Gripen foram comprados no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. O contrato com a SAAB, assinado em 2014, prevê a aquisição de 36 aeronaves e um amplo programa de transferência de tecnologia, totalizando 39,3 bilhões de coroas suecas (4,2 bilhões de dólares na cotação atual), “o maior negócio na história da empresa”, segundo a própria fabricante.

Dos 36 aviões de combate contratados, 28 JAS 39E Gripen e 8 JAS 39F, 13 caças serão fabricados e montados na Suécia, em Linköping, com acompanhamento de técnicos brasileiros, e 23 vão ser integrados parcialmente na planta industrial da Embraer Defesa e Segurança (EDS), em Gavião Peixoto, a 300 Km da capital paulista e próximo de Araraquara.

Enquanto o JAS 39E (1 assento) é a versão padrão de combate desenvolvida pela SAAB, o JAS 39F (2 assentos) está sendo projetado por um consórcio e será usado para treinamento, controle do espaço aéreo e guerra eletrônica. Servirá também para a execução de missões de ataque qualificado, de alta complexidade, que exigem um artilheiro a bordo.

JAS 39F

O JAS 39F tem características mais poderosas do que a versão padrão de combate graças ao motor F414G, fabricado nos EUA, sistema de radar de fase ativa (AESA) Raven ES-05, tanque de combustível maior, e estrutura reforçada para suportar o aumento de peso e o maior alcance.

O JAS 39F Gripen está sendo desenvolvido em conjunto pela SAAB e as brasileiras EDS, Ael Sistemas, Akaer e Atech. A maior parte dos engenheiros envolvidos no projeto está trabalhando no Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (CPDG) no núcleo industrial da EDS.

Designado como F-39 na Força Aérea Brasileira, a primeira aeronave está prevista para ser entregue em 2023.

Rearmamento

Atualmente, o Brasil possui uma frota modernizada de caças Northrop F-5 Tiger II, além da aeronave de ataque A-1 (AMX). Os países vizinhos operam aviões de combate mais avançados, como o americano F-16 (Chile e Venezuela), e os caças russos MiG-29 (Peru) e Su-27 (Venezuela).

"O planejamento baseado em capacidade nos leva hoje, pelas nossas hipóteses de emprego, a 66 aviões", disse à Folha o comandante da FAB, Carlos de Almeida Baptista Junior, contrastando com as especulações de uma frota de mais de 120 aeronaves, que circulam desde que o Brasil começou a discutir a aquisição de um novo caça, em 2001.

"Como chegar nisso [os 66], temos discutido, estamos em fase inicial. Tem uma intenção", diz o brigadeiro, ciente das dificuldades orçamentárias inerentes à área militar —o contrato para a compra de cargueiros KC-390 da Embraer, por exemplo, está sendo renegociado e deverá contemplar talvez metade da encomenda original de 28 aviões.

Baptista Junior descartou os boatos no mercado de que a FAB teria interesse em outro vetor para sua aviação de combate, o americano com tecnologia furtiva F-35. "Isso é delírio", disse.

Tal ideia veio da recente derrota do Gripen em uma concorrência na Finlândia, para o F-35, que por ter começado a ultrapassar os problemas de alto custo passou a ser visto como uma alternativa no mercado.

"A ideia era que a Embraer pudesse fazer um avião de quinta geração. Hoje, não sei se está fazendo isoladamente, difícil com esse custo, mas com parcerias", disse Baptista Junior.

Este é um risco inerente à opção "fazer" quando a FAB se viu entre "comprar ou fazer" ao escolher seu caça multimissão. A vantagem é a capacitação industrial.

Caminho diverso foi tomado para armar o Gripen. Após anos fomentando o desenvolvimento local de mísseis, a opção da FAB foi pelo "comprar".

Em 24 de novembro, a Força recebeu seu primeiro lote para uso operacional do míssil Meteor, do consórcio europeu MBDA, considerado o mais avançado modelo do tipo, alcançando velocidade de até 4.900 km/h, quatro vezes a do som.

Míssil Meteor. Estima-se que o negócio com a FAB atingiu € 200 milhões para um total de cem unidades (R$ 12 milhões cada míssil).
Míssil Meteor. Estima-se que o negócio com a FAB atingiu € 200 milhões para um total de cem unidades (R$ 12 milhões cada míssil).

Também foi anunciada a compra de um lote, para uso operacional, do míssil ar-ar de curto alcance Iris-T. Segundo especialistas, cada um custa € 380 mil.

O Iris-T irá substituir o míssil nacional MAA-1 Piranha, desenvolvido nos anos 1970 pela FAB e que só começou a ser fabricado 25 anos depois. Ele é da antiga geração de mísseis para combate visual em distâncias de no máximo 25 km. Ao ser disparado, persegue a assinatura de calor do avião adversário.

"Não haverá compra de oportunidade sob este comando. Sofremos muito com isso no passado. Eu preciso de um míssil. O Meteor já está no paiol, o Iris-T está chegando", afirmou Baptista Junior.

"Durante 30 anos fizemos investimentos na missilística nacional. Fizemos todas as tentativas. Por que a Avibrás é uma vencedora? Porque ela tem um mercado de exportação que compensa a baixa compra governamental. Ou você tem uma tecnologia dual, civil ou militar, ou tem exportação", afirmou.

* Com informações do Aeroin

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