Segundo o Ministério das Relações Exteriores uruguaio, a iniciativa não significa um rompimento com o Mercosul, do qual quer continuar membro.

Em reunião anterior, o Presidente da Argentina, Alberto Fernández, rebateu o posicionamento do Presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou. O uruguaio reclamou do protecionismo do bloco e da demora na tomada de decisões. Na ocasião, Fernández recomendou que quem não estiver feliz pode “abandonar o bloco.

O Brasil assumiu a presidência pró-tempore do Mercosul nesta quinta-feira (8).

Para o governo brasileiro, o bloco não pode ser guiado por "questões ideológicas" e o atual formato do Mercosul é uma “armadilha” que atrasa o Brasil.

O Presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil atuará pela abertura e integração do Mercosul “nas cadeias regionais e internacionais”, de forma a manter os “valores originais do bloco”.

Íntegra do discurso do Presidente Jair Bolsonaro na 58ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados

Excelentíssimos Senhores Presidentes,

Alberto Fernández,
Mario Abdo Benítez,
Luis Lacalle Pou,
Sebastián Piñera,
Guillermo Lasso,
Mohamed Irfaan Ali.

Senhor Vice-Presidente da Bolívia, David Choquehuanca,

Senhor Felipe Solá, Chanceler da Argentina, em nome de quem cumprimento as demais autoridades que participam dessa reunião.

Senhores e senhoras.

Agradeço, inicialmente, ao Presidente Alberto Fernández pela organização deste encontro de Chefes de Estado que conclui a presidência pro tempore argentina do MERCOSUL. Agradeço, igualmente, a ele e a sua equipe, pela condução dos nossos trabalhos no último semestre.

Lamento que, ainda desta vez, não nos tenhamos encontrado presencialmente.

Com avanço firme e decisivo da vacinação em massa nos próximos meses, estarei honrado em poder recebê-los no Brasil no final do ano. Tenho a forte esperança de podermos celebrar, durante a pandemia brasileira, durante a presidência brasileira do MERCOSUL, o início, me desculpem, o início da superação desse período tão desafiador e sofrido para nossos países e para o mundo.

Meu governo está empenhado em garantir rápida e plena recuperação da economia neste momento de intensificação da imunização em massa. Os brasileiros voltam a trabalhar, a estudar e a encontrar-se com plena segurança. A viver, enfim, em condições de absoluta normalidade.

Com a graça de Deus, as mudanças e reformas que empreendemos no Brasil oferecem base firme para retomada econômica, juntamente com as medidas emergenciais e garantia do ganha-pão das parcelas mais vulneráveis de nossa população. Nossa recuperação, de fato, já começou. Como demonstram os números mais atualizados de nossa economia.

Senhoras e senhores, estou convencido de que o MERCOSUL pode e deve desempenhar papel crucial nesses esforços. Precisamos, para tanto, transformá-lo em instrumento efetivo de promoção da liberdade e da prosperidade para nossos povos. Não podemos deixar que o MERCOSUL continue a ser visto como sinônimo de ineficiência, desperdício de oportunidades e restrições comerciais.

De modo a superarmos essa imagem negativa do bloco, o foco do Brasil tem privilegiado a modernização da agenda econômica do Mercosul. Persistiremos neste caminho durante o exercício da presidência pro tempore que nos cabe até o final deste ano.

Para avançar a passos certos e seguros, precisamos ter clareza de onde estamos.

O semestre que se encerrou deixou de corresponder às expectativas e necessidades de modernização do MERCOSUL. Devíamos ter apresentado resultados concretos nos dois temas que mais mobilizaram nossos esforços recentes: a revisão da Tarifa Externa Comum e a adoção de flexibilidades para as negociações de acordos comerciais com parceiros externos.

Senhoras e senhores, o Brasil tem pressa. Os ministros e negociadores do MERCOSUL já estão cientes de nossa sede por resultados. Precisamos lançar novas negociações e concluirmos os acordos comerciais pendentes, ao mesmo tempo em que trabalhamos para reduzir tarifas e eliminar outros entraves ao fluxo comercial entre nós e com o mundo em geral.

Queremos e conseguiremos uma economia mais arejada e integrada ao mundo, empresas mais competitivas, trabalhadores mais produtivos e consumidores mais satisfeitos.

Não podemos patinar na consecução desses objetivos. O MERCOSUL precisa mostrar seu valor com entregas à população, pela conquista de novos mercados e pela eliminação de entraves que tenham como resultado mais empreendimentos, novos empregos e produtos mais baratos.

A persistência de impasses, o uso da regra do consenso como instrumento do veto e o apego a visões arcaicas de viés defensivo terão um único efeito de consolidar sentimento de ceticismo e dúvida quanto ao verdadeiro potencial dinamizador do MERCOSUL.

Senhoras e senhores, o Brasil não vai parar nos esforços para modernizar sua economia e sociedade. Queremos que nossos sócios de integração sejam nossos companheiros nessa caminhada para a prosperidade comum. É por isso que, em nossa presidência de turno, que se inicia hoje, continuaremos a trabalhar pelo resgate dos valores originais do bloco. Associados à abertura e à busca da maior e melhor integração de nossas economias, nas cadeias regionais e internacionais de valor.

Será a melhor maneira de honrar os 30 anos do MERCOSUL, que celebramos neste ano. O MERCOSUL nasceu de um compromisso claro com a liberdade, com a democracia e a abertura para o mundo. Serão esses os princípios orientadores da atuação brasileira ao longo deste semestre.

Na ampla agenda do MERCOSUL, trabalharemos para gerar resultados que possam ser entendidos, valorizados e acima de tudo sentidos e percebidos por nossas populações, por nossos empresários.

Queremos um MERCOSUL de resultados. Queremos um MERCOSUL que seja instrumento para a modernidade. Contem com o meu empenho e com meu pleno engajamento de meu governo no exercício dessa responsabilidade, e no trabalho pelos resultados que todos ambicionamos e que nossos povos tanto merecem.

Muito obrigado a todos.

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