Falando na Câmara dos Comuns na terça-feira (23), Boris Johnson rejeitou os receios de alguns cientistas do país e seguiu em frente com o plano de cortar a contenciosa regra de distanciamento social de 2 metros da Inglaterra.

Restaurantes, bares, hotéis, salões de beleza, cinemas, galerias e museus poderão reabrir em 4 de julho, para alívio dos parlamentares que pediam ao Primeiro-Ministro mais flexibilização do lockdown.

"Hoje podemos dizer que nossa longa hibernação nacional está começando a terminar e a vida está começando a retornar às nossas ruas e lojas", festejou Johnson.

O Primeiro-Ministro enfatizou que as novas medidas não serão aplicadas por legislação, mas introduzidas como orientação. Ele pediu que "o público britânico use seu bom senso no pleno conhecimento do risco".

Johnson disse que o número de novas infecções diminuiu 2% todos os dias e "enquanto continuamos vigilantes, não acreditamos que exista atualmente o risco de um segundo pico de infecções que possa sobrecarregar o NHS".

"Dada a queda na prevalência do vírus, podemos mudar a regra dos 2 metros a partir de 4 de julho", disse, acrescentando que "efetivamente torna a vida impossível para grandes partes da economia, mesmo sem outras restrições".

Boris Johnson estava sob intensa pressão para flexibilizar a regra. A indústria de hospitalidade advertiu que, sem a mudança, nenhum pub ou restaurante seria viável com a regra dos 2 metros em vigor.

Mais de 400 pubs e bares em todo o Reino Unido, incluindo as redes Peach Pubs, Albion & East e Oakman Inns, bem como Urban Village Pubs, tinham declarado que iriam abrir suas portas em 4 de julho, não importando a decisão do governo.

O Fuzzy Duck Pub & Kitchen em Nuneaton também fez o anúncio.

Os proprietários da Albion & East, cujos bares abrangem vários locais em Londres, disseram que as instalações em Brixton, Hackney e Islington seriam abertas em 4 de julho para salvar a empresa.

A rebelião foi liderada por Peter Borg-Neal, da Oakman Inns, que havia dito que todos os seus 28 pubs seriam reabertos em 4 de julho.

Ele desafiou o Primeiro-Ministro a dizer o contrário.

Cerca de 90% de seus 1.000 funcionários estão em licença desde que os bares foram obrigados a fechar suas portas em março.

Medo

Muitos parlamentares conservadores acreditam que o balanço de risco mudou de forma decisiva e que o governo precisa estar mais preocupado em fazer o país voltar ao trabalho – e aos pubs e lojas – do que agonizar com o vírus.

"Agora é dever absoluto das pessoas voltar ao trabalho", disse Charles Walker, um parlamentar do partido de Johnson. "Este país vai falir".

Mas outros conservadores disseram que seus constituintes estão "apavorados" com o retorno à vida normal.

Uma parlamentar disse que usou a mídia social para incentivar as pessoas a frequentar lojas locais – que reabriram em 15 de junho –  e foi acusada de estar incentivando imprudentemente a propagação do vírus.

Os parlamentares que representam áreas turísticas temem que a reabertura de hotéis e bares não resulte em um reavivamento imediato para o setor de hospitalidade, inclusive porque muitos moradores estão organizando campanhas contra a "invasão" de turistas que poderiam trazer o vírus com eles. Tornou-se comum placas "Não bem-vindo aqui" espalhadas nas cidades turísticas.

O governo está considerando um corte temporário do imposto de consumo (IVA) para impulsionar a economia, mas tem receio de introduzir uma medida tão cara se as pessoas continuarem com muito medo de ir ao pub ou sair de férias.

Johnson pareceu dividido no Parlamento, entre querer exortar seus compatriotas a comprar e beber, para retirar a economia da beira do abismo, e o medo de reacender o vírus, cujas medidas para contenção devastaram o Reino Unido.

"Meu dever é guiar o povo britânico, equilibrando nosso objetivo primordial de controlar o vírus e o natural desejo de trazer de volta a vida normal", disse.

Johnson disse que os governos escocês e galês, e o executivo da Irlanda do Norte, relaxarão suas próprias medidas de lockdown "no seu próprio ritmo, com base em seu próprio julgamento".

* Com informações do Financial Times, Express

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