Bonsaglia avaliou positivamente o encontro. Ele e o presidente conversaram sobre vários temas e expuseram seus pontos de vista.

“A reunião foi boa. O presidente colocou algumas preocupações dele em  relação à área jurídica, ao Ministério Público, e eu expus a minha  visão a respeito de tais questões, que são no sentido daquilo que eu  discuti ao longo da campanha da eleição da lista tríplice”, disse, sem  entrar em detalhes.

Um dos temas abordados foi a compatibilização entre preservação do  meio ambiente e exploração de recursos naturais. Bonsaglia se mostrou  alinhado com Bolsonaro nesse sentido. “[Tratamos da] importância de  compatibilizar a preservação da Amazônia com desenvolvimento  sustentável. Essa é a minha posição também."

Questionado se tinha a mesma visão que Bolsonaro sobre facilitar a  permissão de exploração de terras indígenas, Bonsaglia se esquivou de  firmar posição, mas disse que o Ministério Público Federal já discute a  questão internamente.

“O Ministério Público Federal é uma instituição plural, onde há  diversas reflexões a respeito do tema e que podem ser desenvolvidas no  sentido de que os direitos envolvidos podem ser compatibilizados. Os  direitos à preservação à vida tradicional dos povos indígenas, direito à  exploração econômica sustentável de setores preservados de modo a se  conciliar os diversos valores em jogo."

Bonsaglia é o primeiro colocado na lista tríplice formulada pela  Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). A listá também  é composta ainda por Luiza Frischeisen e Blal Dalloul. Bolsonaro já  declarou que não se sente obrigado a escolher um dos três nomes, embora  seja uma tradição presidencial. Ele afirmou que o novo procurador-geral da República não deve tratar as questões  sob sua alçada com “radicalismo” e deve atuar “sem estrelismo” . Na  semana passada, o presidente afirmou que o nome indicado sai até a próxima sexta-feira (16).

Atualização 14/08/2019:

Bolsonaro diz que novo PGR deverá ser alinhado com o governo

O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (14) que o novo  procurador-geral da República deverá ser alinhado com os interesses de  seu governo. Bolsonaro é o responsável por escolher o substituto de  Raquel Dodge no comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) e citou  a facilitação na concessão de licenças ambientais como uma das  bandeiras que o novo procurador-geral deve encampar.

“Com todo respeito ao pessoal da PGR, a gente precisa que esteja  alinhado com as bandeiras nossas. Com a questão ambiental […], a  dificuldade nossa com licença. Para fazer uma central hidrelétrica é uma  dificuldade com licença ambiental”, disse o presidente na noite desta  quarta-feira na frente do Palácio da Alvorada. Ele citou a demora na  liberação de licenças para as obras do Linhão de Tucuruí e  da restauração e pavimentação da BR 319, rodovia que liga Porto Velho  (RO) a Manaus (AM), como exemplos de obras que atrasam por demora na  concessão da licença.

Ainda sobre o assunto, o presidente disse ter a impressão de que o  Ministério Público não contribui para o desenvolvimento do país. “Tem a  legislação nesse sentido e tem o Ministério Público. O nosso sentimento é  que, muitas vezes, [o MPF] não joga com o desenvolvimento do Brasil. Eu  sei que eles têm que fiscalizar a lei, mas às vezes vão um pouquinho  além disso. Tudo isso tem que ser conversado”.

Questionado pelos jornalistas que o esperaram chegar ao Alvorada,  Bolsonaro evitou dar pistas de quem está mais ou menos cotado para ser  escolhido. Ontem (13), Mário Bonsaglia se reuniu com Bolsonaro no Palácio do Planalto.

Bonsaglia é o primeiro colocado na lista tríplice formulada pela  Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). A listá também  é composta ainda por Luiza Frischeisen e Blal Dalloul. O presidente, no  entanto, já deixou claro que não está preso aos três nomes da lista.  Nem mesmo a atual ocupante do cargo está descartada. “Jamais descartaria  a Raquel Dodge. Todo mundo está no páreo”. Ele acrescentou que o nome  poderá sair até sexta-feira (16).