O Governador João Doria anunciou, nesta quarta-feira (22), a modernização de gestão na TV Cultura e na Fundação Padre Anchieta, mantenedora da emissora.

O anúncio foi feito em entrevista coletiva, no Palácio dos Bandeirantes,  com a presença do Governador, um homem de publicidade e TV que por anos ocupou espaço na grade semanal da TV aberta, e do Secretário de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão, escalado por Doria para articular as mudanças, além de buscar no mercado um novo dirigente.

O objetivo é tornar a TV Cultura mais atrativa para os mercados de publicidade e licenciamento, garantindo autonomia financeira para investimentos em programação.

“Nossa intenção é ampliar a participação do setor privado no apoio à programação, tanto da TV como da Rádio Cultura”, afirmou o Governador João Doria, ao explicar que a busca por nomes com ampla experiência em emissoras de TV balizou a escolha do novo comando da Fundação Padre Anchieta e dos Conselhos Curador e Gestor.

O Secretário Sérgio Sá Leitão falou sobre a missão da nova gestão:  “Temos como principal desafio manter a excelência da TV Cultura e seu  foco em arte, cultura, informação, serviços e educação, ao mesmo tempo  em que construímos a comunicação pública do século XXI, utilizando todos  os meios e plataformas disponíveis para alcançarmos o maior número  possível de pessoas com uma programação que atue como um vetor de  construção da educação e da cidadania”,

Historicamente considerada uma questão secundária, o aumento da audiência será agora uma meta a ser perseguida na emissora estatal.

“A TV Cultura precisa ser relevante, e a relevância passa pela questão da audiência”, disse Sá Leitão.

A TV Cultura tem 820 funcionários e o orçamento previsto para 2019 é de R$ 147 milhões – deste montante, R$ 40 milhões é a previsão de receita própria por meio de licenciamento de produtos e prestação de serviços, como a TV Câmara de São Paulo.

Sem ativismo

Com o discurso de blindar a TV Cultura de indicações políticas, Doria determinou que os executivos da estatal não deveriam ter atuação partidária.

Em assembleia realizada no dia 20 de maio, o jornalista José Roberto Maluf foi contratado pelo Conselho Curador para ficar à frente da TV Cultura e da Fundação Padre Anchieta. Pela primeira vez na história da emissora, a seleção foi feita por uma empresa de headhunter. Maluf recebeu 36 votos a favor, dois em branco e um nulo.

A escolha por Maluf preza antes de mais nada sua competência no ramo.  Maluf tem na administração, bem mais do que na produção e criação de conteúdo, o forte de seu histórico, com vasta experiência em cargos de liderança em emissoras da TV aberta brasileira. Maluf foi contratado do Grupo Bandeirantes de Comunicação por mais de 25 anos, atuando como diretor executivo tanto da divisão de televisão quanto de rádio. Passou, ainda, pelo Sistema Brasileiro de Comunicação. No SBT, chegou a assinar como diretor-geral e vice-presidente executivo, tempo em que se reportou diretamente a Silvio Santos. Foi também superintendente da Fundação Casper Líbero.

“Além de preservar a missão de incentivar a cultura, a informação e a educação, pretendo também atender o mercado dessas áreas, buscando mais audiência e receita, não necessariamente faturamento publicitário apenas, mas licenciamento, venda de programas, no Brasil e no exterior, movimentação imobiliária e aderência a outras plataformas”, declarou Maluf.

Apesar de estar à frente de uma empresa pública, o executivo demonstrou interesse em trabalhar como se estivesse em projeto da iniciativa privada.

“A manutenção da TV Cultura tem sido dois terços do poder público e um terço com recursos próprios. Vamos tentar melhorar isso. Aumentar a receita própria para tentar diminuir o investimento do Estado”, disse José Roberto Maluf.

O novo presidente fez questão de enfatizar que, em sua gestão, a TV Cultura será mais do que apenas uma opção de canal na televisão. Maluf falou em explorar formatos e meios multimídia e citou multinacionais de streaming de vídeo como alvo preferencial.

“Temos que colocar a TV Cultura em uma grande plataforma”.

Conselho Curador

O Conselho Curador terá como presidente o profissional de marketing e comunicação Antônio Prado Jr.; o jornalista Jorge da Cunha Lima, como vice-presidente; e o jurista José Gregori, como secretário.

“O Conselho tem como função garantir a autonomia da Fundação e fazer uma televisão pró-cultura, pró-educação e pró-informação. Temos também o dever de construir cidadãos críticos e defender a cidadania. A população reconhece que nós somos a televisão que mais forma cidadãos críticos. Isso faz parte da nossa missão como Conselho e nós vamos continuar cumprindo”, declarou Antônio Prado Jr.

Conselho de Gestão

O Conselho de Gestão da TV Cultura está sendo criado para atuar, em conjunto com o Conselho Curador, na busca da integração às novas tecnologias de transmissão e parcerias com o setor privado.

Com 13 integrantes, o grupo atuará de forma voluntária e será presidido por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, um dos nomes mais importantes da história da televisão no Brasil e, desde 2003, dono da TV Vanguarda, no Vale do Paraíba, após mais de 30 anos na Globo. Boni terá a companhia no Conselho de Gestão de antigos colegas do alto comando da Globo, como Ricardo Scalamandré, ex-Globo Internacional, que cuidará dos esforços para a exportação de programas da TV Cultura, Roberto Buzzoni, ex-diretor de programação da Globo, e Marcelo Duarte, que foi homem forte do comercial da Globo. Ainda integram a equipe, o Secretário de Cultura, Sérgio Sá Leitão; o Presidente da Fundação Padre Anchieta, José Roberto Maluf; o Presidente do Conselho Curador, Antônio Prado Jr.; Bruno Barreto; Chico Zaidan Mendez; José Maurício Fittipaldi; Matias Antonio Jacinto; Phillipe Carrasco; e Roberto Giannetti.

“Estamos num momento de renascimento. A TV Cultura fez o melhor que podia ter feito cumprindo seu papel de suprir aquilo que a TV comercial não fornece. Agora a história é outra. Novas plataformas, a necessidade de trabalhar não apenas redes sociais, mas streaming de vídeo. O projeto que se tem em mente é o de uma nova TV Cultura. Ela tem que fazer uma coisa nova. No campo da informação, no campo do serviço e, fundamentalmente, no campo da utilidade pública, há um espaço enorme para o crescimento de uma televisão moderna, inteiramente integrada com todo o processo digital”, destacou Boni na coletiva de imprensa.