Ainda há o pessoal da reserva espalhado por secretarias de ministérios e estatais.

Para os críticos do aparelhamento, é problemático ter vários militares da reserva no governo, mas convidar aqueles da ativa afeta diretamente as Forças Armadas como instituição devido ao seu papel não partidário na democracia.

Atualmente, os militares controlam a vice-presidência e oito dos 22 ministérios do governo de Jair Bolsonaro. Com a recente nomeação do General Braga Netto, o Palácio do Planalto ficou totalmente 'militarizado', embora Jorge de Oliveira Francisco, da Secretaria-Geral da Presidência, não seja egresso das Forças Armadas — ele é Major da Polícia Militar do Distrito Federal.

Os militares que estão no 1º escalão do governo atual, além do General da Reserva Antônio Hamilton Martins Mourão, são: General Walter Souza Braga Netto (Casa Civil), General Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Almirante Bento Costa Lima (Minas e Energia), Tenente-Coronel da Reserva Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), General da Reserva Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), General da Reserva Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Capitão da Reserva Não Remunerada Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e Capitão da Reserva Não Remunerada Tarcísio Freitas (Infraestrutura).

Há ainda militares da ativa em cargos distribuídos em estatais e órgão públicos, uma situação que não se via desde o final do governo militar.

Para Wagner Romão, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Presidente se cerca de militares já vislumbrando maiores dificuldade na relação com deputados e senadores.

“Bolsonaro brigou com o PSL. Entrou em uma enorme enrascada para consolidar a Aliança pelo Brasil (novo partido)”, observa o professor. Para ele, aquela característica do  presidencialismo de coalização, em que o Executivo teria força para o  próprio governo e uma base no Congresso, não existe no Governo Bolsonaro.

“A base que se constituiu na reforma da Previdência foi uma maioria formada de ocasião”, explicou o professor, em entrevista à Rádio Brasil Atual.  Ele ressaltou que alguns partidos tinham identidade com a reforma da  Previdência, mas muitos deputados votaram pela “velha política de emendas parlamentares, de promessas, cargos e assim por diante”.

“Não é o forte desse governo a interlocução com o Congresso. O que vimos no ano passado e vamos continuar vendo é o protagonismo do Congresso. Nunca se falou tanto no Presidente da Câmara e no Presidente do Senado como articuladores políticos”.

“A entrada do General Braga Neto é a finalização de um processo que veio sendo construído de entrada definitiva da cúpula do Exército Brasileiro no Governo Bolsonaro. Braga Neto e Luiz Eduardo Ramos são militares da ativa, faziam parte do Estado Maior das Forças Armadas. O  que é muito diferente dos militares da reserva, que embora tenham um considerável poder, é diferente de ter militares da ativa, que realmente comandam essa força”, disse Romão.

* Com dados e informações do Poder360, Agência Brasil

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