A Associação dos Servidores do Ministério Público Federal (ASMPF)  disse em nota que a indicação foi recebida "com muita alegria" pelo fato  de Augusto Aras ter integrado a lista informal elaborada pelos  servidores com indicações ao cargo. Segundo a associação, ao longo da  história,  os servidores do MPF "têm sido apenas coadjuvantes na escolha  do PGR" e agora ocupam posição de protagonistas.

"A nomeação de Augusto Aras para ocupar o mais alto posto do MPU  traça um novo marco para o MPU, demonstrando que a ASMPF estava correta  no lançamento da #TOP5PGR, oportunizando aos servidores e procuradores  (ativos e aposentados) a participação ativa na escolha de seu dirigente  maior. Cientes de estarmos no caminho da construção de um MPU melhor,  mais plural, participativo e justo, a ASMPF deseja ao novo PGR muito  sucesso", disse a Associação.

Já a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) é contrária à indicação pelo fato de Aras não ter integrado a lista tríplice elaborada pela entidade.

"O indicado não foi submetido a debates públicos, não apresentou  propostas à vista da sociedade e da própria carreira. Não se sabe o que  conversou em diálogos absolutamente reservados, desenvolvidos à margem  da opinião pública. Não possui, ademais, qualquer liderança para  comandar uma instituição com o peso e a importância do MPF. Sua  indicação é, conforme expresso pelo Presidente da República, Jair  Bolsonaro, uma escolha pessoal, decorrente de posição de afinidade de  pensamento", declarou a ANPR.

O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso lembrou que a Constituição definiu que cabe ao Presidente da República fazer a indicação.

"A lista não está prevista na Constituição. Isso é competência do Presidente da República".

Ao comentar as críticas que tem recebido por causa da escolha, o Presidente Bolsonaro reforçou que o indicado tem compromissos em diferentes áreas de atuação. "Não basta apenas ter alguém lá que combata a corrupção. Tem que combater a corrupção? Tem. Mas tem também  que ser sensível às outras questões", disse.

O Presidente disse que a questão ambiental teve um peso na escolha do  nome. "Vamos supor que a gente bote alguém lá que não pode ver uma vara  de bambu sendo cortada que já processa todo mundo. Como é que ficaria  alguém que tivesse uma visão muito radical na questão ambiental? Como é  que ficaria o agronegócio no Brasil?", acrescentou.

Bolsonaro pediu que seus apoiadores deem uma chance e aguardem o desempenho do futuro PGR antes de fazerem juízo de valor sobre a  escolha. "Dá uma chance para mim. Você acha que eu quero botar alguém lá  para atrapalhar a vida do Brasil?".

Currículo

Augusto Aras é Doutor em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), professor da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU) desde 2002, e professor da Universidade de Brasília (UnB).

Aras ingressou no Ministério Público Federal (MPF) em 1987. Foi Procurador Regional Eleitoral na Bahia (1991 a  1993), Representante do MPF no Conselho Administrativo de Defesa  Econômica (Cade), entre 2008 e 2010, e Corregedor do MPF.  Teve atuação em processos no Superior  Tribunal de Justiça (STJ) e integrou o Conselho Superior do MPF, além  de ter sido titular da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão em matéria de Direito Econômico e do Consumidor do MPF.

* Com informações da Agência Brasil

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