Em vídeo publicado nas redes sociais, Bolsonaro desmentiu notícia que a intenção do governo é congelar as aposentadorias para garantir recursos para o Renda Brasil.

“Eu já disse que jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos. Quem por ventura vier a propor para mim uma medida como essa, eu só posso dar um cartão vermelho para essa pessoa. É gente que não tem um mínimo de coração, não tem o mínimo de entendimento como vivem os aposentados do Brasil”, disse o Presidente.

Bolsonaro concedeu que alguém da equipe econômica possa ter falado sobre o assunto, mas disse que seu governo “jamais” vai congelar aposentadorias ou reduzir o BPC “para qualquer coisa que seja”.

"Congelar aposentadorias, cortar auxílio para idosos e pobres com deficiência, um devaneio de alguém que está desconectado com a realidade".

“Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra Renda Brasil, vamos continuar com o Bolsa Família e ponto final”, destacou.

Em junho, o Ministro da Economia Paulo Guedes anunciou a intenção do governo em criar o Renda Brasil após a pandemia. Desde então, a equipe econômica e o Palácio do Planalto vinham discutindo fontes de recursos para financiar o novo programa social.

Atualização 15/09

O Secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse, em entrevista publicada no domingo (13), que a área econômica do governo defende que aposentados e pensionistas fiquem sem aumento por até 2 anos, acrescentando que o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia seria favorável ao congelamento para quem recebe mais de 1 salário mínimo. Na segunda-feira (14), Waldery voltou a se pronunciar, em nova entrevista ao mesmo veículo, afirmando que o governo federal está estudando alterações nas regras do seguro-desemprego:

  • aumento do tempo mínimo de serviço para que o trabalhador tenha direito ao benefício;
  • redução no número de parcelas a serem pagas.

“Estamos olhando a carência ou o número de parcelas. São itens mais importantes e adequados para a análise. Se estender [a carência] para 15 meses, 20 meses, 24 meses, a despesa com seguro-desemprego também é reduzida”, explicou Waldery Rodrigues.

De acordo com o Secretário, as mudanças seriam uma maneira de economizar recursos e viabilizar o Renda Brasil.

Hoje, o Secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse em uma coletiva de imprensa que Bolsonaro “é um parceiro na agenda de reformas pró-mercado”.

“Nós fomos eleitos com essa pauta, você olha o grande apoio que o Ministro Paulo Guedes tem nessa pauta e nós estamos avançando”, disse Sachsida, ao ser questionado sobre a decisão do Presidente.

“O que me parece que o Presidente Bolsonaro coloca, corretamente, é que as discussões não podem ser públicas. Você não pode ficar lançando ideias publicamente, acho que foi isso que ele deixou claro”, disse.

Os balões de ensaio, informações propositadamente vazadas com a finalidade de verificar possíveis efeitos de uma medida, tem sido uma constante da equipe do Ministro Paulo Guedes.

Barulheira

Guedes falou sobre a situação em uma videoconferência sobre reformas e o futuro da economia brasileira após a pandemia.

"Hoje [terça-feira] teve essa barulheira toda. Estamos fazendo conexões de pontos que não estão conectados. São estudos que fazemos, estamos assessorando. Várias simulações e estudos são feitos. Tratamento seletivo da informação distorce tudo", afirmou Guedes.

O Ministro disse ainda que conversou com o Presidente nesta manhã.

"Como todos jornais deram isso hoje, que o Presidente vai tirar dinheiro dos idosos, frágeis e vulneráveis para passar aos paupérrimos, o Presidente repetiu o que tinha dito antes. E levantou um cartão vermelho, que não foi para mim. Conversei com o Presidente hoje cedo. Lamentei muito essa interpretação", disse Guedes.

O Ministro confirmou o fim dos planos para criar o Renda Brasil.

"[Bolsonaro] descredenciou a ideia do Renda Brasil. Não vai ter isso. Acabou. Estão distorcendo tudo. Estão acusando o Presidente de demagogia, de tirar dinheiro do pobre para dar para o mais pobre ainda", disse Guedes. "Começou uma notícia que não é o que está na cabeça do Presidente".

Desindexação

Paulo Guedes defendeu medidas de desindexação, com as quais o governo poderia fazer que benefícios atualmente pagos não sejam corrigidos, por exemplo, pelo salário mínimo. Para o Ministro, a desindexação deveria ser geral e é uma "ilação" dizer que atingiria somente os benefícios para os mais pobres.

"Se desindexarmos todos os gastos do governo, há uma parte que pega os mais vulneráveis, idosos, BPC. Fala assim, 'o governo está tirando dos idosos e mais frágeis para fazer o Renda Brasil'. Isso é uma ilação. Não é isso que está no pacto federativo, era uma desindexação de todos os gastos , não dos mais pobres", disse Guedes.

* Com informações da Agência Brasil, Poder360, G1

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