Presenciaram a conversa os ministros Carlos Alberto França (Relações Exteriores), Marcelo Queiroga (Saúde), Onyx Lorenzoni (Secretaria-Geral) e o Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.

Em fevereiro, o Ministério da Saúde anunciou a dispensa de licitação para importação de 10 milhões de doses do imunizante russo, ao custo de R$ 639,6 milhões.

O Consórcio do Nordeste, formado por governadores da região, comprou outras 37 milhões de doses, que também serão repassadas ao Programa Nacional de Imunização (PNI) e distribuídas a todo o País.

A União Química pretende fabricar e distribuir a vacina russa no Brasil, mas, segundo a Anvisa, ainda não entregou os dados necessários sobre o produto.

“Por que querem vender para nós, sem certificação, sem nada? Isso é lobby? Comigo não vão fazer lobby”, disse Bolsonaro a apoiadores em meados de março.

No último dia 30, a Anvisa negou pedido de Certificação de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos ao laboratório indiano Bharat Biotech, que produz a vacina experimental Covaxin, também com forte lobby em Brasília.

A Agência disse que encontrou diferentes "não conformidades" na inspeção, "sendo três críticas, 12 maiores e 14 menores, que, em conjunto, denotam um risco significativo à fabricação e garantia de qualidade do produto, implicando em risco sanitário aos usuários".

Atualização 07/04

A inspeção da Agência Europeia de Medicamentos das instalações de produção da Sputnik V na Rússia, agendada para o mês que vem, foi adiada para acomodar visitas de inspetores de países que fizeram encomendas do imunizante.

“Priorizamos nas fiscalizações as pessoas que se comprometeram a comprar vacinas. . . ao contrário da Comissão Europeia ”, disse Kirill Dmitriev, CEO do fundo soberano RDIF.

A EMA está conduzindo uma revisão da Sputnik V para decidir se pode ser autorizado o seu uso na União Europeia (UE).

Além da inspeção das instações industriais, o regulador europeu investiga se os ensaios da Sputnik V atenderam aos padrões de “boas práticas clínicas” (GPC).

O GCP é um padrão internacionalmente aceito que visa garantir que os testes de medicamentos sejam elaborados e conduzidos de maneira adequada.

“A conformidade com este padrão fornece garantia de que os direitos, segurança e bem-estar dos participantes do estudo são protegidos e que os dados do estudo clínico são confiáveis”, disse a EMA.

A Rússia disse que militares e funcionários públicos estiveram envolvidos em ensaios do imunizante, desenvolvido por um laboratório estatal e financiado por um fundo soberano do Kremlin. A agência de notícias Reuters informou que alguns dos participantes disseram que foram pressionados a fazê-lo.

Dmitriev negou o uso da coerção, dizendo ao Financial Times: “Não houve pressão [sobre os participantes] e a Sputnik V cumpriu todas as práticas clínicas”. Ele disse que a inspeção da EMA estava programada para começar na próxima semana.

Embora a Rússia tenha apresentado a Sputnik V como solução para os problemas de vacinação na Europa, Thierry Breton, o comissário da UE que chefia o programa de vacinas do bloco, disse no mês passado que a Europa "não tinha absolutamente nenhuma necessidade da Sputnik V". Isso gerou reclamações de Moscou de que Bruxelas era tendenciosa contra a vacina de fabricação russa.

* Com informações do Estadão

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