O presidente brasileiro defendeu que não deveria ter Carnaval no próximo ano, mas destacou que a decisão não cabe ao governo federal.

“Por mim não teria Carnaval. Só que tem um detalhe: quem decide não sou eu. Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), quem decide são os governadores e prefeitos. Então, não quero me aprofundar nessa que, poderia ser, uma nova polêmica. Em fevereiro do ano passado, ainda estava engatinhando a questão da pandemia, pouco se sabia, praticamente não tinha óbito no Brasil, eu declarei emergência e os governadores e prefeitos ignoraram, fizeram Carnaval no Brasil”.

“As consequências vieram. Chegamos a 600 mil óbitos e alguns tentaram imputar a mim essa responsabilidade. Não tenho culpa disso. Não estou me esquivando nem apontando outras pessoas. É uma realidade. Todo trabalho de combate à pandemia coube aos prefeitos e governadores. A mim, coube enviar recursos para esses municípios. No total, para combater a pandemia, gastamos no ano passado R$ 700 bilhões. Foi dinheiro para o auxílio emergencial”, acrescentou.

Bolsonaro destacou que, caso os casos voltem a subir no País, manterá a posição contrária à decretação de lockdown.

“Outra onda, sim, está vindo. Não sei se outra cepa de vírus ou se acabou validade da vacina, e os problemas estão aí. É uma realidade que temos que enfrentar, não adianta se esconder nem culpar ninguém por essa tragédia que está acontecendo no mundo todo”.

“Estou vendo que alguns países da Europa, sim, estão retomando medidas de lockdown. Se tivermos outro lockdown em Estados e municípios pelo Brasil vão quebrar a economia de vez em nosso País. Essa é nossa preocupação”, apontou.

Bolsonaro lembrou que a efetividade e durabilidade das vacinas são limitadas.

“A vacina deve ter uma validade. Seis meses depois, os anticorpos estão mais baixos. Já quem tem a doença conta com muito mais imunidade”, disse.

Na quarta-feira (24), o Diretor-Geral da OMS, Tedros Ghebreyesus disse em coletiva que alguns países e comunidades foram atraídos para uma "falsa sensação de segurança" de que os vacinados estão totalmente protegidos contra a covid.

Tedros disse que as vacinas covid reduzem o risco de doenças graves e morte, mas os vacinados podem contrair e espalhar o vírus conforme as interações sociais retornam aos níveis pré-pandêmicos.

"Mesmo se você for vacinado, continue a tomar precauções para evitar ser infectado e infectar outra pessoa que pode morrer", disse Tedros.

"Isso significa usar máscara, manter distância, evitar multidões e encontrar outras pessoas do lado de fora, se puder, ou em um espaço bem ventilado dentro de casa", acrescentou.

Carnaval em São Paulo

O número de prefeituras paulistas preocupadas que as festividades carnavalescas possam gerar uma nova onda de infecções e volte a elevar o número de hospitalizações e óbitos continua crescendo.

Segundo levantamentos de outros veículos, cerca de 70 prefeituras já decidiram cancelar o Carnaval 2022.

Com 154 mil mortes, São Paulo é o estado com mais óbitos por covid-19 no País e uma das maiores taxas per capita do mundo. O estado também foi vítima de inúmeros e desastrosos lockdowns, decretados pelo governo estadual e por prefeituras.

Na capital paulista, o cronograma segue mantido. No início do mês, a prefeitura recebeu 867 inscrições para desfiles de blocos de rua. A previsão é a de que 15 milhões de pessoas participem do Carnaval 2022 na capital mas a realização da festa depende da situação da pandemia.

O carnaval de rua em 2020 movimentou R$ 2,1 bilhões na economia da cidade, de acordo com a Secretaria Municipal de Turismo. A festa foi a maior da história, com público de 14 milhões de pessoas (30% turistas), em quase 500 desfiles que aconteceram por toda a capital paulista.

Segundo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional de São Paulo, as cidades têm autonomia para decidir sobre a realização do evento e não precisam informar a gestão estadual.

Atualização 26/11/2021

O Presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (26) que o Brasil e o mundo não aguentam um novo lockdown, ao comentar sobre a possibilidade da chegada de uma nova variante do vírus da covid-19, durante as comemorações do 76° Aniversário da Brigada de Infantaria Pára-quedista, no Rio de Janeiro, onde serviu quando estava no Exército.

“Tudo pode acontecer. Uma nova variante, um novo vírus. Temos que nos preparar. O Brasil, o mundo, não aguenta um novo lockdown. Vai condenar todo mundo à miséria e a miséria leva à morte também. Não adianta se apavorar. Encarar a realidade. O lockdown não foi uma medida apropriada. Em consequência da política do 'fique em casa e a economia a gente vê depois', a gente está vendo agora. Problemas estamos tendo”, disse Bolsonaro.

Sobre a possibilidade de fechar fronteiras, o Presidente disse que não tomará nenhuma medida irracional. Também disse que não tem ingerência sobre a realização de festas do Carnaval.

“Eu vou tomar medidas racionais. Carnaval, por exemplo, eu não vou. A decisão cabe a governadores e prefeitos. Eu não tenho comando no combate à pandemia. A decisão foi dada, pelo STF, a governadores e prefeitos. Eu fiz a minha parte no ano passado e continuo fazendo. Recursos, material, pessoal, questões emergenciais, como oxigênio lá em Manaus”, disse.

Bolsonaro disse que o Brasil é um dos países que melhor está saindo na economia na questão da pandemia.

“Nós fizemos a nossa parte. Se o meu governo não tiver alternativas, todo mundo vai sofrer, sem exceção. Não vai ter rico, pobre, classe social. Temos certeza que dá para resolver esses problemas. Eleições são em outubro do ano que vem. Até lá, é arregaçar as mangas, trabalhar. Tem 210 milhões de pessoas no Brasil que, em grande parte, dependem das políticas adotadas pelo governo”, ressaltou.

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