O Programa Bolsa Família é a mais progressiva transferência de renda feita pelo governo federal. Cerca de 70% dos seus recursos alcançam os  20% mais pobres.

Em 2017, as transferências do programa retiraram 3,4 milhões de  pessoas da pobreza extrema e 3,2 milhões da pobreza.  

Somados, os contingentes de pessoas que se beneficiaram com essa  mobilidade de classe (6,5 milhões) equivalem à população do Maranhão  (Censo de 2010). No total, o Bolsa Família transfere recursos a 14  milhões de famílias ou 45 milhões de pessoas, número semelhante a de  toda população da Argentina.

Para Luiz Henrique Paiva, um dos  autores do estudo, o Bolsa Família, o foco na população mais pobre aumenta a  eficiência do programa. Outra vantagem é o custo. Ele estima que o  programa este ano chegue a R$ 33 bilhões, com o pagamento anunciado da  13ª prestação aos segurados - assim como o 13º salário dos trabalhadores  formais. O valor equivale a menos de 1% do Orçamento Geral da União em  2019 (R$ 3,4 trilhões) e 0,4% do PIB.

Paiva destaca que com a recessão econômica houve piora no quadro social, por causa do desemprego, e o programa não foi planejado para mitigar essa situação.  “Quando tem muito desemprego, há muitas pessoas sem renda. O Bolsa  Família é um programa de complementação e não de substituição de renda”, explica.

Ele acredita que o Bolsa Família tenha vida longa. “Há literatura  sobre isso: programas sociais que são efetivos e alcançam muita gente  tendem a ter robustez tendem à resiliência, a resistir ao longo do tempo”.

* Edição: Frontliner