No mês de abril, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) alcançou  mais  de 1 milhão de investidores pessoa física no mercado de renda  variável.  Foram 1.046.244 investidores, mais de 63 mil novos CPFs  quando comparado  ao número de março. Em abril no ano passado, eram  663.270 investidores  pessoa física.

De acordo com Felipe Paiva,  diretor de Relacionamento com Clientes  Brasil da B3, não se pode  ignorar que há uma mudança em curso no mercado  financeiro. Além dos  investimentos em produtos de bolsa, o Tesouro  Direto também atingiu a  marca de mais de 1 milhão de investidores. Já o  Ibovespa, índice do  mercado, atingiu os 100 mil pontos neste ano.

“Esse número é o  resultado, em primeira instância, da questão do  cenário macroeconômico;  então, a questão da taxa de juros em um dígito,  os contratos futuros  apontando a manutenção dessa taxa de juros em um  dígito, têm feito as  pessoas que têm recursos em poupança a sair da zona  de conforto, eles  não têm mais aqueles rendimentos garantidos que  tinham no passado, esse  é um movimento constante”, disse Paiva.

Para ele, as pessoas  estão percebendo outros instrumentos financeiros  que trazem retornos  melhores do que a poupança, por exemplo. “O  resultado de 1 milhão é  muito positivo nesse sentido, de que está  havendo uma mudança  comportamental no país em relação a comprar  investimentos”.

Paiva  destaca que o crescimento é uma tendência e não apenas um  fenômeno  isolado. “Mês a mês, vem crescendo, então é uma tendência sim  de  crescimento no número de pessoas físicas, também em outros produtos,   não só em bolsa”.

No início deste mês, a B3 apresentou o  resultado de uma pesquisa que  fez com mais de mil pessoas sobre  “Ecossistema do Investidor  Brasileiro”. A bolsa ressalta que os dados  coletados retratam a relação  que os investidores brasileiros  estabelecem com os variados produtos  financeiros e ajudam os agentes  financeiros - corretoras e bancos -,  além da B3, a identificar  oportunidades na prestação de serviços para os  diferentes perfis e  comportamentos.

A pesquisa mostrou que um dos mitos dos  investidores iniciantes sobre  o mundo dos investimentos é a percepção  de que, para iniciar suas  aplicações, é necessária grande quantidade de  dinheiro. Nesse ponto, a  B3 identificou que é preciso aumentar o nível  de conhecimento das  pessoas sobre o tema. “Assim, é possível entender  que começar a investir  com pouco, diversificar logo no início e aplicar  além da poupança são  pontos imprescindíveis para a jornada do  investidor”, divulgou a B3.

Os resultados indicam que a decisão  sobre quais investimentos comprar  segue tendências, ou seja, produtos  que estão em alta são aqueles  atrativos ao investidor que tem a  intenção de diversificar sua carteira  de investimentos, ou mesmo para  iniciantes. Foram citados pelo público o  Tesouro Direto, a LCI e LCA,  as ações, os fundos de investimento, a  previdência privada e até os  bitcoins.

Apesar de haver ainda, segundo o estudo da B3, um  déficit muito  grande em relação aos investimentos, existe uma parcela  das pessoas (51%  dos entrevistados) que admite que gostaria de ter  algum expert em investimentos apoiando suas decisões.

Para  Paiva, a pesquisa comprova que as pessoas estão mudando a forma  de  encarar investimentos, por isso seria o momento de aproveitar para   desmistificar as crenças em torno do assunto.