Os US$ 12 bilhões vêm se somar a linha de crédito de US$ 9,5 bilhões, obtida em outubro do ano passado.

A Boeing deve detalhar sua estratégia de financiamento quando reportar lucros antes da abertura do mercado na quarta-feira (29).

Na semana passada, a CNBC informou que a Boeing estava tentando garantir um empréstimo de "US$ 10 bilhões ou mais".

Nesta segunda-feira (27), a CNBC considerou os US$ 2 bilhões a mais do que o inicialmente solicitado como "um voto de confiança" de Wall Street na empresa.

Essa é uma maneira de analisar a coisa –  outra é que a Boeing prontamente se envolverá ainda mais em engenharia financeira.

A Boeing gastou US$ 44 bilhões para recomprar suas próprias ações desde junho de 2013
A Boeing gastou US$ 44 bilhões para recomprar suas próprias ações desde junho de 2013

O passivo total da Boeing (US$ 136 bilhões) excedia seu total de ativos (US$ 132 bilhões) em setembro de 2019. O patrimônio liquido negativo é apontado como resultado das operações de recompra de ações, que totalizam US$ 44 bilhões.

Endividamente de longo prazo. Fonte:YCharts
Endividamente de longo prazo já alcança US$ 26 bilhões. Fonte:YCharts

Circula o rumor que a Boeing utilizará a maior parte dos recursos dos empréstimos para recomprar as ações da fabricante em poder dos próprios financiadores, de forma que o empréstimo garantido estará virtualmente acima de todos os credores, recebendo os bens mais valiosos da empresa no caso de inadimplência ou falência.

Wall Street está preocupada com algo que afeta a Boeing mais que o conturbado jato 737 MAX: a taxa de produção de seu popular jato wide-body 787.

"Considerando o horizonte de pedidos de 787, há uma lacuna em 2022, em parte devido à falta de pedidos para a China desde 2017", explicou a analista da Jefferies Sheila Kahyaoglu em um relatório de pesquisa nesta segunda-feira.

As notícias da redução de 4 unidades na atual produção mensal de 14 jatos wide-body 787 perturbaram os mercados, ainda que a Boeing tenha alertado os investidores sobre prováveis cortes várias vezes em recentes teleconferências.

Modelos menores de corredor único como o MAX - junto com outros modelos 737 mais antigos - e o Airbus A320 NEO são responsáveis pela maioria das entregas de aeronaves comerciais quando medidas por unidades.

Mas jatos wide-body - como o Boeing 787, 777 e o Airbus A350 - são mais caros que os modelos menores.

As vendas de jatos menores provavelmente representaram 40-50% das vendas de aviões comerciais da Boeing em 2017. Mas são os jatos de corredor duplo - como o 787 - que continuam alimentando os ganhos e o fluxo de caixa da Boeing.

Além disso, a Boeing possui a liderança de participação de mercado sobre a Airbus no mercado wide-body. O 787 superou o concorrente A350 no mercado e a empresa está lançando uma versão mais recente de seu jato 777, o 777X, que completou seu primeiro voo no sábado (25).

Embora as taxas de produção do Boeing 787 possam diminuir, não é sinal de que a demanda esteja diminuindo. As companhias aéreas encomendaram mais de 1.400 aeronaves 787 e ainda existem cerca de 500 pedidos a serem entregues.

Isso não significa que a Boeing não fabricará mais 787.

A frota mundial de jatos wide-body em serviço é estimada em 6.200 aeronaves.

“A reposição é uma fonte visível e confiável de demanda. Nós a vemos suportando a produção nos anos 2020 e, especialmente, nos anos 2030”, escreveu o analista do Citi Jonathan Raviv em um relatório de pesquisa nesta segunda-feira. "É uma dinâmica poderosa, com cerca de 60% mais aeronaves wide-body saindo de serviço nos próximos 10 anos em comparação à década anterior".

Raviv calcula que a demanda de reposição já consome cerca de metade das taxas atuais de produção de aeronaves wide-body. O restante vem do aumento de viagens. A demanda de tráfego aéreo cresceu de 5% a 6% ao ano na última década. À medida que mais pessoas ao redor do mundo entram na classe média, a demanda por viagens aéreas aumenta.

CADE

Segundo comunicado divulgado pela Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na tarde desta segunda-feira (27), foi aprovada a compra do negócio de aviação comercial da Embraer pela Boeing e a criação de uma joint venture entre Boeing e Embraer orientada à comercialização de aeronaves militares.

Em fevereiro de 2019, a assembleia de acionistas da Embraer aprovou a venda da divisão de aviação comercial à Boeing, negócio avaliado em US$ 4,2 bilhões.

Como a operação não recebeu restrições do CADE, as empresas não serão obrigadas a tomar medidas como venda de ativos para concorrentes.

A compra do controle da divisão de aviação comercial da Embraer pela Boeing ainda depende de aprovação da Comissão Europeia.

A transação prevê a criação de uma joint venture. A  Boeing deterá 80% da nova empresa, denominada Boeing Brasil - Commercial, enquanto a Embraer terá os 20% restantes.

As duas fabricantes também trabalham em uma segunda joint venture, Boeing Embraer – Defense, com participação de 51% da Embraer, destinada a promover e desenvolver mercados para o avião cargueiro militar C-390 Millennium.

* Com informações da CNBC, ZeroHedge, Barron's, Jefferies, CADE

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