Conforme o contrato assinado em 24 de janeiro de 2019, qualquer parte poderia encerrar o acordo se a transação não fosse concluída até 24 de abril de 2020.

As empresas também poderiam concordar em estender as negociações por mais seis meses, até outubro, uma medida que permitiria avaliar melhor as perspectivas em um mercado encolhido pela pandemia de coronavírus.

Na joint venture, a Boeing pagaria US$ 4,2 bilhões pela participação de 80% do negócio de aviação comercial da Embraer, principal geradora de caixa da empresa.

Ao final de dez anos a Boeing poderia exercer opção de compra dos 20% da Embraer à preço de mercado. Se a Embraer resolvesse se desfazer antes das ações, receberia US$ 1,05 bilhão da Boeing.

Contudo, o valor de mercado de todos os negócios da Embraer – defesa, aviação comercial e jatos executivos – despencou para menos de US$ 1,1 bilhão, cerca de um quinto do valor que a Boeing tinha acertado pagar pela aviação comercial.

Os ADRs da Embraer atingiram o mais baixo valor em 20 anos. Fonte:© Investing.com
Os ADRs da Embraer atingiram o mais baixo valor em 20 anos. Fonte:© Investing.com

A incerteza sobre a joint venture, criada para concorrer com os jatos menores de corredor único da Airbus SE, levou à queda de 6,4% na cotação das ações da Boeing na sexta-feira (24).

A Boeing decidiu exercer o direito de rescindir o acordo, encerrando mais de dois anos de negociações.

“A Boeing trabalhou diligentemente nos últimos dois anos para concluir a transação com a Embraer. Há vários meses temos mantido negociações produtivas a respeito de condições do contrato que não foram atendidas, mas em última instância, essas negociações não foram bem-sucedidas. O objetivo de todos nós era resolver as pendências até a data de rescisão inicial, o que não aconteceu”, disse Marc Allen, Presidente da Boeing para a parceria com a Embraer, em nota oficial. “É uma decepção profunda. Entretanto, chegamos a um ponto em que continuar negociando dentro do escopo do acordo não irá solucionar as questões pendentes”.

A Embraer ainda não se manifestou oficialmente. Executivos da empresa afirmam que os detalhes pendentes seriam mínimos e que a Boeing não renegociou o prazo porque decidiu que a compra não seria viável, levantando ainda a hipótese de que a fabricante americana quis evitar pagar multas contratuais, estimadas em até US$ 75 milhões, que seriam devidas em uma posterior desistência.

Para Ron Epstein, analista do Bank of America, "é uma questão de liquidez".

"A Boeing estaria em posição de gastar US$ 4 bilhões em uma aquisição, considerando o que está acontecendo no mercado da aviação comercial?".

* Com informações da Boeing, Financial Times, Bloomberg, Folha de S.Paulo

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