O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, em dezembro, empréstimo de US$ 285 milhões para financiar a exportação de 11 aeronaves modelo E175 para a gigante American Airlines, nos Estados Unidos.

O crédito corresponde a 85% da transação de US$ 335 milhões.

Em maio do ano passado, o BNDES já tinha aprovado empréstimo de US$ 190 milhões para o financiamento de aeronaves vendidas para a empresa aérea norte-americana Skywest, considerada a maior companhia aérea regional do mundo.

O objetivo do BNDES seria dar maior competitividade à Embraer Boeing no mercado externo.

Entre 2004 e 2018, a Embraer recebeu R$ 49,4 bilhões do BNDES.

No período de 2009 a 2014 o BNDES financiou 134 aeronaves da Embraer no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). O custo para o Tesouro Nacional com o subsídio das operações superou R$ 700 milhões, equalização entre os juros pagos pelos compradores e o praticado no mercado.

Financiamento às exportações

Atuando como agência de crédito para a exportação brasileira há 25 anos, o BNDES apoiou as exportações do setor aeronáutico em US$ 22 bilhões no período.

O elevado valor contrasta com o financiamento à exportação de serviços por construtoras brasileiras. Dados de 1998 até junho de 2019, mostram que o BNDES liberou apenas US$ 10,5 bilhões em desembolsos para empreendimentos em 15 países. Cerca de US$ 10,3 bilhões já foram pagos, entre principal e juros.

Joint Ventures

Em fevereiro de 2019, a assembleia de acionistas da Embraer aprovou a venda da divisão de aviação comercial à Boeing, negócio avaliado em US$ 4,2 bilhões.

A transação prevê a criação de uma joint venture. A Boeing deterá 80% da nova empresa, denominada Boeing Brasil -  Commercial, enquanto a Embraer terá os 20% restantes.

A divisão comercial da Embraer será dirigida através da Yaborã Indústria Aeronáutica S.A., que ficou com os bens, ativos líquidos, passivos, direitos e obrigações referentes à unidade de negócio de aviação comercial da Embraer.

As companhias também trabalham em uma segunda joint venture, Boeing Embraer – Defense, com participação de 51% da Embraer, destinada a promover e desenvolver mercados para o avião militar C-390 Millennium.

A compra do controle da divisão de aviação comercial da Embraer pela Boeing está aguardando a aprovação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no Brasil, e da Comissão Europeia.

Crise

A aprovação do financiamento do BNDES à Boeing ocorre em momento que a fabricante está em negociações com os bancos americanos Citigroup, Bank of America Merrill Lynch, Wells Fargo e J.P. Morgan para obter empréstimos que somariam mais de US$ 10 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, para enfrentar os custos crescentes decorrentes de problemas com o 737 Max.

Na semana passada, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating da Boeing. Em dezembro, a Standard & Poor’s já havia seguido o mesmo caminho.

Em 2019, a Boeing entregou apenas 380 aeronaves e encerrou o ano com 246 encomendas, o pior desempenho desde 2003. A concorrente Airbus somou 863 entregas em 2019, crescimento anual de 8%, e fechou o ano com 768 pedidos.

Das 44 mil aeronaves que a Boeing estima entregar nos próximos 20 anos, apenas 2 mil pedidos poderiam ser atendidos pela atual linha de jatos da Embraer.

* Com informações da CNBC, Agência Estado, Agência Brasil, O Cafezinho, NeoFeed

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