"As ramificações desta guerra não se limitam à Europa Oriental”, disse Fink. “Elas estão sobrepostos a uma pandemia que já teve efeitos profundos nas tendências políticas, econômicas e sociais. O impacto vai reverberar nas próximas décadas de maneiras que ainda não podemos prever.”

A resposta à crise da Ucrânia foi uma "guerra econômica" contra Moscou, incluindo o ato sem precedentes de impedir o banco central russo de movimentar suas reservas em moeda estrangeira, observou Fink. Os mercados de capitais, as instituições financeiras e outras empresas foram além das sanções impostas por seus governos, cortando seus laços e operações russas.

"A agressão da Rússia à Ucrânia e sua subsequente dissociação da economia global vai levar empresas e governos em todo o mundo a reavaliar suas dependências e re-analisar suas estruturas de fabricação e montagem – algo que a pandemia já havia estimulado muitos a começar a fazer", disse Fink em carta anual aos acionistas.

Como resultado, acrescentou, as empresas irão mover mais operações para seus países de origem ou para nações vizinhas, levando a custos e preços mais altos.

"Uma reorientação em larga escala das cadeias de suprimentos", continuou o executivo, “será inerentemente inflacionária”.

"Mesmo antes do início da guerra, os efeitos econômicos da pandemia – incluindo a mudança na demanda dos consumidores de serviços para bens domésticos, escassez de mão-de-obra e gargalos da cadeia de suprimentos – levaram a inflação nos EUA ao seu nível mais alto em quarenta anos. Em toda a União Europeia, Canadá e Reino Unido, a inflação está acima de 5%. Os salários não mantiveram o ritmo, e os consumidores estão sentindo o fardo à medida que são confrontados por salários reais mais baixos, aumento das contas de energia e preços mais altos no caixa do supermercado. Isso é especialmente verdade para os trabalhadores com salários mais baixos que gastam uma proporção maior de seus salários em itens essenciais como gás, eletricidade e alimentos", lembrou Fink.

O conflito Rússia-Ucrânia “derrubou a ordem mundial” que estava em vigor desde o fim da Guerra Fria e exigirá que a BlackRock se ajuste a “mudanças estruturais de longo prazo”, como localização e inflação mais alta, disse Fink. Ele acrescentou que os bancos centrais terão que aceitar o aumento da inflação – mesmo além da alta de 40 anos que foi estabelecida no mês passado nos EUA – ou a redução da atividade econômica e do emprego.

Atualização 29/03/2022

O Presidente da BlackRock, Rob Kapito, alertou a uma plateia no Texas nesta terça-feira (29) que a "inflação da escassez" levará a uma escassez generalizada nos Estados Unidos, atingindo especialmente os americanos mais jovens. "Pela primeira vez, esta geração vai entrar em uma loja e não será capaz de obter o que quer".

Segundo Kapito, a escassez de inflação é resultado da escassez no estoque de mão-de-obra, oferta agrícola e habitação combinada com altos preços de energia.

Atualização 04/04/2022

Os Estados Unidos aumentaram suas compras de petróleo russo em 43% entre 19 e 25 de março, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia (EIA). Apesar da proibição da Casa Branca de importações de energia da Rússia, os EUA continuam a comprar até 100.000 barris de petróleo russo por dia.

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