Em janeiro de 2020, o CEO da BlackRock, Larry Fink, abalou o mundo dos investimentos ao escrever uma carta anual aos CEOs das empresas nas quais investe, alertando-os de que no futuro a BlackRock teria uma visão mais crítica de suas políticas de mudança climática.

Qualquer empresa que parecesse não estar se preparando para um futuro de baixo carbono enfrentaria desinvestimento pela maior empresa de investimentos do mundo.

A BlackRock usaria seu poder financeiro para forçar ações mais rápidas sobre as mudanças climáticas.

Mensagem fácil de escrever quando o preço do petróleo está nas cordas e as ações das empresas de combustíveis fósseis não vão a lugar nenhum. Bem mais difícil sustentar quando os preços do petróleo e gás estão disparando, e as companhias petrolíferas têm sido os destaques nas bolsas.

A BlackRock acaba de emitir outra nota, alertando seus acionistas ativistas de que não sacrificará os retornos dos investidores em nome de se posicionar contra as empresas que julga estarem descarbonizando suas atividades muito lentamente.

O fundo observa que "muitas das propostas de acionistas relacionadas ao clima que chegam à votação em 2022 são mais prescritivas ou restritivas às empresas e podem não promover o valor dos acionistas a longo prazo".

Em outras palavras, estamos preocupados que a ação contra as mudanças climáticas vai nos custar e aos nossos investidores.

A nota observa que a crise da Ucrânia mudou a dinâmica e que, a curto e médio prazo, haverá uma ênfase na redução da dependência do petróleo e gás russo, exigindo um aumento da produção de combustíveis fósseis para muitos países.

A BlackRock pode ver muito bem que não está sozinha em ter um vasto poder para realocar capital – seus próprios clientes também têm esse poder. E se eles não estão recebendo os retornos que esperam, não hesitarão em realocar seu próprio capital para administradores que estão entregando um melhor resultado.

* Com informações Ross Clark/The Spectator

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