A Black Friday 2021 contribuiu com -0,8 ponto porcentual para a queda de -4,2% nas vendas do varejo em relação a novembro de 2020. No varejo ampliado, a contribuição negativa foi de -0,7 ponto porcentual para o recuo de -2,9% no volume vendido.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta sexta-feira (14) pelo IBGE.

A única atividade que cresceu em novembro, na comparação com o mesmo mês de 2020, foi artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+2,5%).

No comércio varejista ampliado, o setor de veículos, motos, partes e peças teve alta de +1,7% em relação a novembro de 2020, enquanto material de construção registrou queda -4,1% no período.

“O que vimos foi uma Black Friday muito menos intensa, em termos de volume de vendas, do que a de 2020, quando esse período de promoções foi melhor, sobretudo para as maiores cadeias do varejo”, analisa o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. “Isso se deve, em parte, pela inflação, mas também por uma mudança no perfil de consumo, já que algumas compras foram realizadas em outubro ou até mesmo no primeiro semestre, quando houve maior disponibilidade de crédito e o fenômeno dos descontos. Isso adiantou de certa forma a Black Friday para algumas cadeias”.

Na margem (comparação com mês anterior), o volume de vendas do comércio varejista cresceu +0,6% em novembro frente a outubro.

“Se a gente reparar nesse dado da margem, ele é um dado sendo ancorado por uma atividade muito forte, que é supermercados”, observou Santos.

“Na verdade, cinco das [8] atividades pesquisadas tiveram variação negativa no volume”, alertou.

“Atividades que tem Black Friday forte apresentaram queda no volume“, disse Santos, citando Móveis e Eletrodomésticos, bem como Vestuário, Tecidos e Calçados.

Baixo interesse

Em 23 de novembro passado, o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) divulgou uma pesquisa de intenção de compra em 28 categorias de produtos.

O estudo já indicava que as vendas da Black Friday 2021 seriam fracas.

Apenas cinco categorias despertaram maior interesse do consumidor em relação a 2020:

  • jogos eletrônicos: Nintendo Switch (26%);
  • bicicletas (18%);
  • fones de ouvidos (20%);
  • consoles de videogame (0,8%); e
  • calçados (0,5%).

As maiores quedas de intenção de compra foram:

  • jogos eletrônicos: PS4 (-46%) e Xbox 360º (-46%);
  • home theater (-46%);
  • impressoras (-31%);
  • chuteiras (-16%); e
  • camisas de times de futebol (-17%).

“Sem o mesmo incentivo financeiro que ocorreu no ano passado, inflação de dois dígitos, deterioração do poder real de compra do consumidor e, considerando que muitos produtos comprados em um dado ano só serão recomprados depois de um longo período, 2021 dificilmente poderia quebrar recordes”, destacou na época o economista e presidente do Ibevar, Claudio Felisoni de Angelo.

De janeiro a novembro de 2021, o varejo acumula alta de +1,9%.

PMC

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) pesquisa a receita bruta de revenda nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, e cuja atividade principal é o comércio varejista.

Iniciada em 1995, a pesquisa traz resultados mensais da variação do volume e receita nominal de vendas para o comércio varejista e comércio varejista ampliado, que inclui automóveis e materiais de construção, com dados para o Brasil e as unidades da federação.

* Com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Agência Brasil

Veja também: