A Bienal Internacional do Livro abre as portas para o público nesta sexta-feira (30),  apostando em uma visitação de mais de 600 mil pessoas. E se o livro  ocupa o lugar de destaque, também haverá muito espaço para reflexão e  debates.

O presidente do Sindicato Nacional das Editoras  de Livros, a SNEL, Marcos da Veiga Pereira, destaca que a Bienal é uma grande oportunidade para pautar temas como a necessidade de políticas  públicas de educação e voltadas para a formação de um público leitor.

Para  o mercado editorial, ele aponta que a Bienal é sempre uma boa  oportunidade de promoção dos trabalhos. O Sindicato não tem projeções  sobre a expectativa de venda de livros, mas outras edições do evento  mostraram que o público costuma comprar exemplares e não apenas visitar o  evento.

Segundo Marcos, já foram feitos cálculos que  indicam o consumo de cerca de 8 livros por família, embora a diversidade  de visitantes seja grande, incluindo por exemplo, crianças em excursões  escolares. Ele aponta que, apesar de ter sido muito impactado pela  crise econômica, vivida especialmente em 2015 e 2016, o setor editorial  conseguiu se manter.

A diretora da Bienal, Tatiana  Zaccaro, destaca que o evento aposta exatamente na diversidade de  leitores e de público. Uma das novidades nesta 19ª edição é a  distribuição dos pavilhões, que vai permitir a fluidez maior dos  visitantes de acordo com os pontos de interesse.

A  Bienal Internacional do Livro acontece no Riocentro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Capital, até o dia 8 de setembro. Nos dias de semana, o evento fica aberto entre  9h e 21h. Nos dois finais de semana, das 10h às 22h.

Atualização 06/09/2019:

Justiça concede liminar que impede apreensão de livro na Bienal

Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

O Desembargador da 5a. Câmara Cível do Tribunal de Justiça  do Rio, Heleno Pereira Nunes, concedeu liminar agora à noite à Bienal do  Livro, impedindo que a Prefeitura do Rio realize o recolhimento de livros de qualquer conteúdo em exposição e venda na feira literária. Na  decisão, o magistrado escreveu: “Desta forma, concede-se a medida  liminar para compelir as autoridades impetradas [Prefeitura do Rio] a se  absterem de buscar e apreender obras em função do seu conteúdo,  notadamente aquelas que tratam do homotransexualismo”.

O desembargador escreveu  na decisão que a medida se estende também  ao funcionamento plena da Bienal do Livro. “Concede-se a liminar,  igualmente, para compelir as autoridades impetradas a se absterem de  cassar a licença para a Bienal, em decorrência dos fatos veiculados  nesta decisão”.

Entenda o caso

O mandado de segurança impetrado pela Bienal na Justiça é contra decisão anunciada ontem (5)  pelo Prefeito Marcelo Crivella, que determinou que os organizadores do evento recolhessem o livro Os Vingadores, a Cruzada das Crianças.  Segundo Crivella, a publicação traz conteúdo imprório para menores. "Livros assim precisam estar embalados em plástico preto e lacrado,  informando o conteúdo. Desta forma, a Prefeitura do Rio está protegendo  os menores de nossa cidade”, diz a nota do Prefeito.

Escrito há dois anos por Allan Heinberg e Jim Chang, o livro traz uma ilustração de dois homens se beijando.

Hoje, a Prefeitura do Rio distribuiu nota para informar que a  notificação visa adequar obras expostas na feira aos artigos 74 a 80  do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Artigo 78 do ECA diz que “as revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado  a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem  lacrada, com a advertência de seu conteúdo”.

“No caso em questão, a Prefeitura entendeu inadequado, de acordo com o  ECA, que uma obra de super-heróis apresente e ilustre o tema do  homossexualismo [homossexualidade] a adolescentes e crianças, inclusive  menores de dez anos, sem que se avise antes qual seja o seu conteúdo”,  diz a nota.

A Prefeitura alega também que houve reclamação de frequentadores da Feira: “A obra estava lacrada. Não havia, porém, uma advertência neste  sentido, para que as pessoas fizessem sua livre opção de consumir obra  artística de super-heróis retratados de forma diversa da esperada. Houve  reclamação de frequentadores da feira, que têm direito à livre opinião e  opção quanto ao conteúdo de leitura de filhos e adolescentes, pessoas  em formação”.