"Juntos, o G7 anunciará que proibiremos a importação de ouro russo, uma grande exportação que arrecada dezenas de bilhões de dólares para a Rússia", escreveu Biden em rede social.

Pela primeira vez, a reunião dos líderes das principais potências ocidentais será dedicada a um tema não relacionado à agenda tradicional do G7. A cúpula pretende-se como uma demonstração de determinação para continuar a ajudar a Ucrânia e tomar novas medidas radicais contra a Rússia, incluindo a introdução de um teto sobre os preços mundiais do petróleo, bem como a proibição das importações de ouro russo. No entanto, os participantes da cúpula admitem que é muito difícil alcançar um novo nível de sanções. Nem todos os países estão prontos para apoiar as iniciativas do G7, e os próprios membros do grupo não entendem muito bem como endurecer as sanções sem prejudicar suas próprias economias.

Altos funcionários do governo Biden argumentam que o ouro é o segundo ítem da pauta de exportações de Moscou depois da energia. A proibição das importações tornaria mais difícil para a Rússia participar nos mercados globais, acreditam.

Segundo a Casa Branca, a Rússia exportou US$ 19 bilhões em ouro em 2020, cerca de 5% dos embarques globais. Quase US$ 17 bilhões foram exportados para o Reino Unido. Os Estados Unidos importaram menos de US$ 200 milhões em ouro da Rússia em 2019 e menos de US$ 1 milhão em 2020 e 2021.

A expectativa é que o Reino Unido deverá anunciar neste domingo que proibirá as importações russas de ouro, seguido de um anúncio formal na terça-feira (28) envolvendo todos os países do G7, de acordo com funcionários do governo Biden.

O presidente americano também deverá lançar formalmente neste domingo a iniciativa de combate a influência da China chamada de "Build Back Better World", introduzida na cúpula do G7 do ano passado.

John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse que Biden e outros líderes anunciarão os primeiros projetos para se beneficiar do que os EUA veem como uma "alternativa a modelos de infraestrutura que vendem armadilhas de dívida para países parceiros de baixa e média renda, e avançariam a competitividade econômica dos EUA e nossa segurança nacional".

Atualização 27/06/2022

O ouro da Rússia será vendido para países onde está em demanda e onde há regimes econômicos mais legítimos, disse aos jornalistas, nesta segunda-feira (27), o secretário de imprensa do presidente da Federação Russa, Dmitry Peskov, comentando sobre os planos do Grupo dos Sete de introduzir uma proibição à importação de ouro russo.

"O mercado de metais preciosos é global, é bastante grande, volumoso e muito diversificado", ponderou o porta-voz do Kremlin. "Como acontece com outros bens, é claro, se um mercado perde sua atratividade devido a decisões ilegítimas, então há uma reorientação para onde esses bens estão mais procurados e onde há regimes econômicos mais confortáveis e mais legais".

Veja também: