Aldrin nasceu no dia 7 de novembro sem covid-19, mas com anticorpos contra o coronavírus, noticiou o jornal The Straits Times neste domingo (29).

Os testes não detectaram anticorpos contra o SARS-CoV-2 na mãe.

“Minha gravidez e parto foram tranquilos, apesar de ter sido diagnosticada com covid-19 no meu primeiro trimestre, que é a fase mais instável da gravidez", disse Celine Ng-Chan ao jornal.

Celine disse que ela e sua família contraíram o vírus em férias na Europa em março. Seu marido e seu pai não adoeceram, mas sua mãe, de 58 anos, ficou internada por quatro meses – 29 dias em uma máquina de suporte de vida.

Celine, 31 anos, e sua filha de 2 anos ficaram hospitalizadas por cerca de duas semanas e meia, mas foi descrito pelo jornal como casos moderados de covid.

"Não estava preocupada que Aldrin recebesse o vírus quando li que o risco de transmissão é muito baixo", disse Celine.

Os Ng-Chan também sabiam sobre Natasha e Pele Ling, outro casal que deu à luz um bebê com anticorpos em Cingapura; Natasha testou positivo durante sua 36ª semana de gravidez.

Ainda são poucas as mulheres em Cingapura que foram infectadas com o coronavírus durante a gravidez que já deram à luz.

Um porta-voz do Hospital da Universidade Nacional de Cingapura, onde Aldrin nasceu, disse ao Straits Times que todas as outras mães e recém-nascidos tiveram resultado negativo.

Em outubro, pesquisadores chineses relataram a detecção e o declínio de anticorpos contra o SARS-CoV-2 em bebês nascidos de mulheres com covid-19 (Disappearance of SARS-CoV-2 Antibodies in Infants Born to Women with COVID-19, Wuhan, China).

Contudo, a transmissão do coronavírus de mães para recém-nascidos seria rara, sugere estudo do Irving Medical Center da Universidade de Nova York / Columbia (Outcomes of Neonates Born to Mothers With Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Infection at a Large Medical Center in New York City).

Atualização 05/02 -  Os anticorpos contra o coronavírus podem ser transferidos da mãe para o filho através da placenta e do leite materno, não importando se desenvolvidos após infecção ou vacinação, disse Alexander Gintsburg, Diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, do Ministério da Saúde da Rússia.

"Os anticorpos da mãe para o filho podem passar pela placenta. Além disso, com o leite materno, a criança pode receber anticorpos não apenas contra o coronavírus. Esta é uma lei biológica bem conhecida de que a amamentação garante que uma criança até os seis meses de idade tenha praticamente protegido pelos anticorpos que recebeu de sua mãe", disse Gintsburg em uma entrevista conjunta com a TASS e a agência de notícias Kazinform.

“A concentração de anticorpos maternos no colostro supera a concentração de anticorpos no sangue dezenas de vezes, então a amamentação não é apenas a fonte de nutrição necessária para o crescimento de uma criança, mas também uma proteção contra diferentes doenças infecciosas porque o sistema imunológico próprio ainda não foi formado", explicou o cientista.

Numerosas publicações sobre a infecção por coronavírus observam que uma via intrauterina direta de infecção pelo coronavírus não foi comprovada.

* Com informações do The Straits Times, South China Morning Post, Sky, Tass

Jinzhi Gao et al. Disappearance of SARS-CoV-2 Antibodies in Infants Born to Women with COVID-19, Wuhan, China. Emerging Infectious Diseases Volume 26, Number 10 – October 2020. Original Publication Date: July 03, 2020. doi:10.3201/eid2610.202328

Dani Dumitriu et al. Outcomes of Neonates Born to Mothers With Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Infection at a Large Medical Center in New York City. JAMA Pediatrics. Published online October 12, 2020. doi:10.1001/jamapediatrics.2020.4298

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