O anúncio veio horas antes de políticos alemães e fabricantes de vacinas se reunirem em meio à frustração com a lenta campanha de vacinação da União Europeia (UE).

“As discussões com o governo alemão deixaram claro que as atuais capacidades de fabricação de vacinas precisam ser aumentadas, especialmente para variantes potenciais do vírus SARS-CoV-2. Isso inclui a necessidade de expandir a capacidade de produção, bem como a experiência de fabricação relacionada na Alemanha. Nós da Bayer contribuiremos ainda mais, disponibilizando mais vacinas para ajudar a combater a pandemia", disseram em nota conjunta Oelrich; o Ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn; o Ministro-Presidente da Renânia do Norte-Vestfália (Nordrhein-Westfalen), Armin Laschet; e o CEO da CureVac NV, Franz-Werner Haas.

Na avaliação de Jens Spahn, garantir a produção da vacina no longo prazo é importante diante de possíveis mudanças, ou da necessidade de uma segunda vacinação dentro de um ano, ou mais.

Embora a Bayer não tenha experiência na produção de vacinas, a empresa disse que detém "grande experiência no desenvolvimento de produtos biotecnológicos".

Sob o acordo, a Bayer também buscará aprovações e fornecerá acesso aos mercados farmacêuticos internacionais, bem como à sua cadeia de fornecimento e rede de distribuição global.

O modelo é semelhante à aliança entre a desenvolvedora alemã BioNtech e a farmacêutica americana Pfizer, com a Bayer aparentemente não buscando uma participação na empresa de biotecnologia.

A CureVac, sediada em Tübingen, no estado alemão de Baden-Württemberg, tem como maiores investidores Dietmar Hopp, Bill and Melinda Gates Foundation, GlaxoSmithKline e o governo alemão.

O governo alemão adquiriu em junho uma participação de 23% na CureVac por 300 milhões de euros, além de subvenção de 252 milhões de euros para pesquisas.

Em meados de dezembro, a Curevac iniciou seu ensaio clínico de fase 2b/3, com a meta de atrair 35.000 voluntários adultos da Europa e da América Latina.

A vacina é baseada em mRNA, assim como os produtos aprovados pela União Europeia e Estados Unidos da Biontech-Pfizer e Moderna, mas tem algumas vantagens sobre suas concorrentes.

A CureVac diz que sua vacina mRNA pode permanecer estável por três meses em temperaturas normais de geladeira, facilitando o transporte e armazenamento. Além disso, a empresa está testando uma dose de 12 microgramas, menos da metade da vacina BioNTech-Pfizer, permitindo a remessa de maiores quantidades do imunizante.

Para Franz-Werner Haas, o acordo com a Bayer "nos ajudará a tornar nossa vacina candidata ainda mais disponível para o maior número possível de pessoas".

Até agora, a CureVac disse que teria capacidade de produzir até 300 milhões de doses ainda em 2021, e mais 600 milhões de doses em 2022.

A empresa já assinou um acordo com a União Europeia (UE) para fornecer até 405 milhões de doses de seu produto de dois cursos, mas abandonou os planos de fornecer sua vacina aos Estados Unidos, citando a saturação do mercado

* Com informações do The Local

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