Até os candidatos à empresário sabem que não podem confiar nas fotos de gerentes [modelos] sorridentes que ornamentam agências bancárias.

Devem também ter cautela com as notas da Febraban quando não tratam de fechamento de agências durante jogos do Brasil e outras excentricidades.

No dia 16 de março, a entidade que representa os bancos anunciou que as cinco maiores instituições financeiras do Brasil estavam abertas para discutir a prorrogação, por 60 dias, dos vencimentos de dívidas de empresas.

A nota da Febraban destacava que a prioridade dos bancos era apoiar especialmente micro e pequenas empresas, proteger o emprego e a renda, na crescente crise provocada pela pandemia de coronavírus (SARS-CoV-2).

"[Os bancos associados estariam] sensíveis ao momento de preocupação dos brasileiros com a doença provocada pelo novo coronavírus e vêm discutindo propostas para amenizar os efeitos negativos dessa pandemia no emprego e na renda”, diz a nota.

Representantes de entidades do setor privado, altos executivos de grandes empresas, proprietários de médios e pequenos negócios disseram ao jornal Folha de S.Paulo que os grandes bancos elevaram os juros em todas as operações.

“Depois do anúncio da Febraban fui procurar minha gerente, e o que ela informou é que eles não poderiam postergar, mas sim fazer um refinanciamento, com mais juros em cima do valor do empréstimo”, disse um empresário à Folha.

A Folha também relata o caso de um empresário que conseguiu carência de três meses para pagar o empréstimo, mas a surpresa “foi perceber que as parcelas estavam 5% mais caras do que as anteriores. Isso depois de uma dura conversa, porque os valores eram maiores”.

Segundo Fernando Pimentel, Presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), além da dificuldade de crédito nos bancos, os associados também relatam discricionariedade entre os setores.

“Os bancos estão diferenciando os segmentos e dando preferência para aqueles que estão funcionando efetivamente, como os de alimentos e bebidas".

A Folha reporta que operações há muito negociadas de capital de giro, antecipação de recebíveis e até empréstimos de longo prazo, prestes a serem liberados, tiveram as taxas de juros elevadas de uma semana para outra. Há casos em que as taxas triplicaram e os setores mais atingidos tiveram o crédito cancelado.

Roriz Coelho, Vice-Presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), questiona em particular o fato dos bancos não estarem oferecendo recursos liberados pelo Banco Central (BC) justamente para dar alívio às empresas.

O BC reduziu em R$ 200 bilhões os depósitos compulsórios desde fevereiro.

“Eu acho que esse dinheiro, de uma forma ou de outra, tem que chegar às empresas, ou vai empoçar nos bancos, que estão fazendo mais exigências. Precisa haver garantia de que esse dinheiro irá para ajudar na folha de pagamento, no capital de giro. O dinheiro precisa ser carimbado”, disse Roriz à Folha.

 * Com informações da Folha de S.Paulo

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