A autoridade monetária leiloará US$ 550 milhões por dia entre 21 e 29  de agosto para conter a volatilidade cambial, totalizando US$ 3,845  bilhões no período.

A última vez em que o BC tinha leiloado dólares das reservas à vista  tinha sido em 3 de fevereiro de 2009, ainda durante a crise do subprime  no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Com a decisão anunciada hoje  (14), o BC muda a política de intervenções no câmbio.

Até agora, em momentos de alta da moeda norte-americana, a autoridade monetária leiloava contratos de swap cambial  tradicional, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Feitas  em reais, essas operações não afetam as reservas internacionais, mas  têm impacto na posição cambial do BC e aumentam os juros da dívida  pública.

Agora, o BC atuará de maneira diferente. Venderá até US$ 550 milhões  no mercado à vista e, ao mesmo tempo, comprará o mesmo valor em  contratos de swap cambial reverso, que funcionam como compra de  dólares no mercado futuro. Caso a demanda por dólares à vista fique  abaixo desse valor, a autoridade monetária completará a operação com  contratos de swap tradicional.

Ao justificar a medida, o BC explicou que os swaps cambiais  tradicionais são demandados por investidores que querem se proteger da  volatilidade no câmbio, mas que uma parte do mercado está demandando  dólares à vista por causa da situação econômica.

“Considerando a conjuntura econômica atual, a redução na demanda de proteção cambial (hedge) pelos agentes econômicos por meio de swaps cambiais  e o aumento da demanda de liquidez no mercado de câmbio à vista, o  Banco Central do Brasil comunica que, para efeito de rolagem da sua  carteira de swaps, implementará a oferta de leilões simultâneos de câmbio à vista e de swaps reversos”, informou a instituição em nota.

Na nota, a autoridade monetária esclareceu que as operações conjugadas de venda direta, swap tradicional e swap reverso não mudarão a posição cambial do banco. No entanto, o estoque de swap tradicional,  atualmente em torno de US$ 70 bilhões, vai aumentar, assim como o valor  das reservas internacionais vai diminuir menos de 1%.

Hoje, o dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 4,04,  com alta de R$ 0,074 (1,86%) em apenas um dia. Na maior cotação desde  23 de maio (R$ 4,047), a divisa acumula valorização de 5,83% em agosto.  Os mercados financeiros de todo o planeta enfrentaram turbulências  depois da divulgação de dados de desaceleração econômica na Alemanha e  na China.