Nas atas da última reunião do Banco Central Europeu (BCE), ocorrida em 9 e 10 de março e divulgadas nesta quinta-feira (7), os membros apontam que a inflação crescente deverá continuar a persistir, e surgiram muitas dúvidas de que a inflação possa convergir para os 1,9% no curto prazo.

As atas revelam também alguma divisão entre os conselheiros do BCE. Aqueles que defendem uma postura mais restritiva estão agora claramente em maioria, sobressaindo a tendência para apertar a política monetária.

“O ponto mais importante revelado por estas atas será a vontade demonstrada por vários membros de pôr fim ao programa de compra de ativos durante o verão, o que abriria a porta para subidas das taxas de juro durante o último trimestre do ano”, disse o diretor da ActivTrades Europa, Ricardo Evangelista, ao jornal português Expresso.

Na avaliação do economista do Banco Carregosa Paulo Rosa, as atas vieram “corroborar a surpreendente postura mais agressiva do BCE na última reunião do dia 10 de março".

"O mercado esperava um BCE talvez mais empenhado na salvaguarda da recuperação econômica”, disse Paulo Rosa ao Expresso.

A inflação na Europa tem sido, em grande medida, impulsionada pela alta dos preços dos combustíveis, uma variável exógena, “fato que retira eficácia às políticas monetárias contracionistas”, ponderou o economista.

Face às novidades, o euro registrou ganhos frente a outras principais divisas, que Evangelista descreve, no entanto, como “modestos”.

“Com a Fed, que está muito mais focada na necessidade de controlar a inflação, tendo revelado ontem que irá começar a subir taxas de juro ao ritmo de 0,5% de cada vez já a partir de maio, a discrepância face à postura do seu congênere Europeu mantém-se, o que poderá gerar mais perdas para a moeda única”, explica.

Atualização 14/04/2022

O Banco Central Europeu anunciou nesta quinta-feira (14) que decidiu manter o plano de retirar gradualmente as políticas de estímulo, embora a inflação desenfreada paire sobre a recuperação econômica vacilante.

O BCE deixou as principais taxas de juros inalteradas e confirmou que encerrará o programa de compra de títulos até o terceiro trimestre antes de aumentar os juros.

"Os aumentos de preços tornaram-se mais difundidos", disse a Presidente do BCE, Christine Lagarde, em comunicado. "A inflação aumentou significativamente e permanecerá alta nos próximos meses, principalmente por causa do aumento acentuado dos custos de energia".

Antes do conflito Rússia-Ucrânia, o BCE insistia que o aumento da inflação na zona euro era transitória e cairia gradualmente ao longo do tempo.

A economia da zona do euro cresceu 0,3% no último trimestre de 2021.

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