Do Salão Oval, Trump disse que recebeu uma "chamada histórica" entre o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu e o Rei Ahmad Al Khalifa, onde os líderes concordaram que Bahrain "normalizará totalmente suas relações diplomáticas com Israel". Trump chamou o acordo de "um avanço histórico para promover a paz no Oriente Médio".

“Não há resposta mais poderosa ao ódio que gerou o 11 de Setembro do que o acordo que estamos prestes a contar a vocês”, disse Trump aos repórteres.

Declaração conjunta dos Estados Unidos, do Reino do Bahrain e do Estado de Israel
Declaração conjunta dos Estados Unidos, do Reino do Bahrain e do Estado de Israel

Após o anúncio, o Irã disse que o Bahrain agora é parceiro nos "crimes" de Israel.

"Os governantes do Bahrain serão de agora em diante parceiros dos crimes do regime sionista como uma ameaça constante à segurança da região e do mundo islâmico", disse o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado no sábado (12).

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia condenou veementemente a decisão do Bahrain de estabelecer laços diplomáticos com Israel, acrescentando que isso representará um novo golpe nos esforços para defender a causa palestina.

"Isso vai encorajar ainda mais Israel a continuar as práticas ilegítimas em relação à Palestina e seus esforços para tornar a ocupação das terras palestinas permanente", disse o ministério.

O acordo com o Bahrain segue o Acordo de Abraham de 13 de agosto – que normaliza as relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos (UAE), sob a condição do governo israelense desistir de anexar partes da Cisjordânia. A Casa Branca sediará a cerimônia de assinatura do Acordo de Abraham na terça-feira (15).

Bahrain, um reino governado por sunitas com uma grande população xiita, tem relações especialmente tensas com o Irã e depende dos Estados Unidos, que estaciona sua 5ª Frota na ilha.

Trump reverteu o curso de seu antecessor, Barack Obama, vendendo armas para Bahrain e encorajou o reino a fortalecer laços não oficiais com Israel, com o genro de Trump, Jared Kushner, lançando no ano passado em Manama, capital do Bahrain, o plano do governo Trump para o Oriente Médio.

Will Wechsler, diretor do programa do Oriente Médio do Atlantic Council, disse que os árabes do Golfo estão reagindo a uma retirada dos Estados Unidos de seu papel de liderança, que consideram "extremamente preocupante".

Com os centros históricos de poder árabe – Cairo, Damasco e Bagdá –  voltados para assuntos internos, os estados do Golfo estão cada vez mais preocupados com a influência de países não árabes: o estado clerical xiita Irã, a Turquia ligada à Irmandade Muçulmana e a assertiva Rússia de Vladimir Putin.

“O que você está vendo agora é o surgimento de uma nova coalizão para ser capaz de afastar essas influências”, disse Wechsler.

Entre Israel e os árabes do Golfo “existem diferenças culturais, mas todas estão sendo superadas agora porque compartilham essa percepção da geopolítica e das oportunidades”, principalmente econômicas, disse.

Os estados árabes são os primeiros a reconhecer Israel em mais de duas décadas, aproximando o estado judeu de seu objetivo de aceitação no cenário mundial e conectando-o ainda mais dentro da região, inclusive por meio de voos diretos para o Golfo.

A principal concessão de Netanyahu foi desistir de um plano polêmico de anexar grande parte da Cisjordânia ocupada, mas não está perto de permitir um estado palestino, uma meta que os Emirados Árabes Unidos e Bahrein dizem ainda apoiar.

Wechsler disse que a anexação teria sido um “desastre estratégico maciço” para Israel e os acordos de normalização efetivamente o forçaram a “evitar dar um tiro no próprio pé”.

A Autoridade Palestina chamou o acordo do Bahrain de outra “punhalada nas costas” em meio a temores de que sua causa por um Estado independente esteja perdendo força entre os governos árabes.

O anúncio do Bahrain ocorre no momento em que o governo do Afeganistão abre negociações com o Taliban, outro objetivo internacional importante de Trump.

* Com informações da Associated Press News, The Japan Times, Al Jazeera

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