Não há presença militar no distrito. A área abriga os mercados – uma faixa de pequenos estandes, um posto de gasolina, um parque e edifícios residenciais da era soviética.

A agência local de notícias relatou que o Ministério da Saúde da República Popular de Donetsk (DPR) confirmou o ataque aos dois mercados.

"O ataque no bairro de Tekstilschik, no distrito de Kirovsky, matou quatro pessoas no local", disse o Ministério. "Um paciente morreu na ambulância durante o transporte".

Vinte e três pessoas, incluindo duas crianças, ficaram feridas. As crianças sofreram ferimentos de média gravidade, informou o Ministério.

De acordo com Gennady Andreevich, um funcionário da comissão de segurança do distrito, os foguetes atingiram o mercado de vegetais e roupas, e, em frente e descendo a rua, um mercado de produtos químicos domésticos e materiais de construção. Este último foi mais danificado, com lojas completamente queimadas, mas sem mortes.

A jornalista e ativista canadense Eva Bartlett, cuja carreira inclui anos cobrindo zonas de conflito no Oriente Médio, especialmente na Síria e na Palestina, esteve no local e documentou dois mortos que ainda não tinham sido removidos: uma mulher não identificada de cerca de 50 anos e um popular professor de 60 anos.

Gennady contou a Bartlett sobre ataques anteriores do governo ucraniano — que vêm acontecendo desde 2014. Bombardeios mais recentes atingiram um prédio residencial, perto do posto de gasolina, e em seu próprio prédio administrativo, em frente ao mercado, matando dois colegas.

Ele observou que o mercado está sempre cheio no horário do bombardeio, e que a Ucrânia sabia muito bem no que estava atirando.

"Eles sabem que há um mercado aqui e que das 10h às 13h há muitas pessoas aqui", disse Gennady em vídeo.

"Esses tipos de mercados são o ponto central da reunião social, do comércio e do emprego para a grande maioria dos trabalhadores de cultura russa que não tem condições de frequentar centros urbanos mais luxuosos e desenvolvidos. Os autores dessas atrocidades sabem que os olhos da imprensa nunca são fixados nos pobres, e como tal, eles são regularmente alvos", escreveu o jornalista, ativista e comunista Fergie Chambers, que também esteve no local e fotografou danos e vítimas fatais. "Infelizmente, o que testemunhamos hoje tornou-se normalidade para os cidadãos de Donetsk. Este é apenas um pequeno exemplo do que essas pessoas enfrentam, dia após dia".

Atacar mercados e ruas lotadas em uma hora movimentada do dia é algo que os terroristas na Síria fizeram durante anos, ao silêncio da mídia ocidental.

“Não há absolutamente nenhuma razão militar para atacar lugares como este. Eles fazem isso para causar medo em nossos corações”, disse Gennady Andreevich, “mas não funciona”.

Apesar de 8 anos de ataques militares, e intermináveis sanções, incluindo um limite de água por algumas horas da noite, a cidade de mais de um milhão de habitantes continua a viver; as lojas permanecem abertas, o transporte público funciona e a população continua unida na resistência ao governo ucraniano.

Em oito anos de guerra civil entre o governo da Ucrânia e as repúblicas separatistas do Donbass morreram mais de 14 mil pessoas.

"O apagamento Ocidental do massacre da população em Donbass, por fascistas ucranianos, é uma vergonha absoluta. É claro que esperaríamos isso da maioria fortemente propagandeada da população ocidental, que é nutrida e doutrinada pela mídia corporativa, mas o silêncio e a falta de clareza por parte da esquerda ocidental são impressionantes", lamenta Chambers.

"A população civil de Donbass tem sido implacavelmente atacada por tropas fascistas e neonazistas suportadas pelos Estados Unidos e OTAN por quase uma década; mas ainda assim, a russofobia implícita de uma esquerda danificada por décadas de engenharia social anticomunista os deixa confusos, incapazes de ver que o povo de Donetsk, Lugansk e, verdadeiramente, todos os russos na Ucrânia, são os portadores da tocha da resistência dos justos", defende Fergie Chambers.

Atualização 10/05/2022

Mais civis foram mortos e feridos em Donetsk após dois dias seguidos de bombardeios pela Ucrânia, disseram autoridades da República Popular de Donetsk (DPR) nesta terça-feira (10).

Duas pessoas foram mortas e cinco feridas no distrito de Kievsky, no norte da cidade, disseram autoridades da DPR. Eles acrescentaram que quatro pessoas também ficaram feridas durante o bombardeio do distrito de Kirovsky, na parte ocidental de Donetsk.

Autoridades informaram que a cidade foi atingida várias vezes na segunda-feira (9), quando os moradores estavam comemorando o Dia da Vitória, o 77º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

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