O site Sabq News relatou nesta segunda-feira (28) que al-Hathloul foi julgada culpada pelo tribunal especializado por promover uma agenda estrangeira no país e pelo uso da Internet para prejudicar a ordem pública, entre outras atividades enquadradas em leis antiterrorismo, como agitação e propaganda (agitprop).

Al-Hathloul, 31, está sob custódia desde maio de 2018. Ela foi presa com um grupo de ativistas sauditas que reinvidicava abertamente o direito de dirigir para as mulheres e pela remoção das leis de tutela masculina, que restringiam o movimento e a capacidade de viajar das mulheres.

Em setembro de 2017, o Príncipe Mohammad bin Salman tinha anunciado que as mulheres teriam permissão de dirigir, parte de um amplo plano de modernização do país. No início de junho de 2018, o reino entregou as primeiras habilitações. Para muitas mulheres, sauditas e estrangeiras, a medida permitiu reduzir sua dependência de motoristas privados ou dos homens de sua família.

O caso de Al-Hathloul, e sua prisão nos últimos dois anos e meio, atraiu críticas de organizações de direitos humanos, membros do Congresso dos EUA e legisladores da União Europeia.

Al-Hathloul já tinha outras passagens pela polícia saudita, entre 2014 e 2018, por desafiar a proibição de mulheres dirigirem na Arábia Saudita.

Em 2014, ela ficou presa por 73 dias por estar dirigindo um automóvel na fronteira com os Emirados Árabes Unidos, onde possui habilitação, e somente foi libertada após uma forte campanha internacional.

Durona

A Professora Sima Godfrey, especialista em literatura francesa do século 19 da University of British Columbia, descreveu al-Hathloul – que frequentou a universidade canadense entre 2009 e 2014 e se formou em francês –  como uma “pessoa muito durona”.

Godfrey disse que Hathloul vem de uma família progressista que a encorajou a se envolver na política, algo que a maioria das famílias sauditas evitam no reino.

“Ela sabia o que estava arriscando e não tinha medo. Ela estava ansiosa para o desafio”, disse Godfrey à CBC em 2018.

* Com informações Al Jazeera

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