A maior contração desde os dias da Guerra Civil Espanhola, no final dos anos 1930, é resultado das restrições impostas no ano passado, particularmente os 94 dias de confinamento domiciliar rígido que basicamente paralisou a economia entre março e junho – a produção econômica caiu -18% no segundo trimestre de 2020.

Nos primeiros seis meses do ano, os gastos do governo foram praticamente o único motor da atividade econômica.

As estatísticas mostram claramente que o maior impacto do ano passado foi sentido no setor de serviços, em particular nas atividades relacionadas com a hotelaria.

As restrições de mobilidade devastaram a indústria do turismo, que normalmente é um impulsionador do crescimento econômico que representa quase 14% do PIB. As chegadas internacionais caíram de um recorde de 85 milhões em 2019 para 20 milhões em 2020, levando ao fechamento de empresas em todo o espectro do setor de turismo, de hotéis a bares, restaurantes e lojas voltadas aos visitantes.

Por sua vez, isso teve um impacto no mercado de trabalho, especialmente em regiões altamente dependentes do turismo, como as Ilhas Baleares e as Ilhas Canárias, onde o desemprego subiu acima da média nacional.

Os efeitos do colapso do turismo foram agravados por uma desaceleração nas exportações e por uma queda na demanda interna alimentada pela incerteza sobre o futuro, pois muitos trabalhadores foram dispensados ou licenciados.

Acompanhando ações semelhantes em toda a Europa, o governo espanhol lançou um plano de estímulo (ERTE) em março para proteger famílias e empresas. As medidas consumiram cerca de € 35 bilhões em fundos públicos, sem contar as garantias oferecidas pelo banco estatal ICO.

ERTE, Kurzarbeit, furlough, chômage partiel, cassa integrazione guadagni... todos os governos europeus adotaram esquemas de proteção temporária do emprego, garantindo parte do salário a trabalhadores afastados, que ajudou as empresas a reduzir custos, evitando demissões.

A iniciativa manteve artificialmente a taxa de desemprego da Espanha em 16% em 2020, pois os trabalhadores licenciados não são contados como desempregados.

Se forem consideradas as cifras do Instituto Nacional de Estatística espanhol, entre janeiro e junho desapareceram na Espanha 1,35 milhão de vagas (-8%).

A Alemanha, para efeito de comparação, suprimiu -1,4% vagas no segundo trimestre e nenhuma no primeiro, segundo o Eurostat. A França perdeu -2,6% no segundo e -0,2% no primeiro. O Reino Unido abriu mão de -0,7% dos postos de trabalho, apesar de sofrer uma contração do PIB similar à espanhola. Outros países monitorados pelo Eurostat também sofreram perdas de emprego menores que a Espanha: Holanda, -3,1%; Áustria, -4,1%; Polônia, -1,2%; Suécia, -1,3%.

A questão é quantos trabalhadores espanhóis no regime ERTE – que acaba de ser renovado pela quarta vez e agora está previsto para expirar em 31 de maio de 2021 – poderão retornar aos seus postos ou encontrar rapidamente um novo emprego assim que o programa terminar.

No saldo anual, 622.600 empregos foram destruídos e houve um acréscimo de 527.900 pessoas desempregadas em um total de 3,71 milhões de desocupados.

Embora as previsões mais otimistas sustentem que a Espanha estará de volta aos níveis pré-pandêmicos no final de 2022, a maioria dos especialistas acredita que o verão de 2023 é uma data mais realista.

Se o país for capaz de administrar e investir com sucesso os quase € 30 bilhões em ajuda à reconstrução prometida por Bruxelas para este ano, a economia poderá crescer até 10%, de acordo com as estimativas do executivo.

* Com informações do El País

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