O Ministro da Saúde da Argentina, Gínes González García, e outras autoridades estiveram no Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, para receber o primeiro carregamento despachado de Moscou.

“É um dia muito especial e cheio de emoções”, escreveu Ginés García em sua rede social, acrescentando que o país "começará uma logística nunca antes realizada para uma distribuição federal e equitativa com cada uma das províncias argentinas".

O governo argentino planeja adquirir mais de 51 milhões de doses de vacinas, que resultariam na maior vacinação no país. Ao todo, 7.750 postos médicos e 126 mil pessoas, entre agentes sanitários e voluntários, serão mobilizados na campanha.

Atualmente, o governo está ajustando os detalhes para o plano de imunização da população. Médicos argentinos já começaram a receber um manual das diretrizes técnicas para a campanha.

No início deste mês, o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), financiador do desenvolvimento e produção da vacina russa, e o governo de Buenos Aires assinaram um acordo para fornecer 10 milhões de doses da Sputnik V.

Na quarta-feira (23), o Ministério da Saúde argentino anunciou em rede social que autorizou o uso emergencial da vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya.

"O ministro Ginés García assinou a resolução que autoriza o uso da vacina Sputnik V por recomendação da ANMAT [Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica] e sob a modalidade de emergência. A vacina está mais próxima, mas a pandemia não acabou. Continuemos cuidando uns dos outros, respeitemos as recomendações sanitárias".

Segundo o CEO do RDIF, Kirill Dmitriev, os resultados dos estudos clínicos da vacina russa serão publicados nos próximos dias e deverão incluir ensaios com idosos.

"Os testes realizados em pessoas com mais de 60 anos foram concluídos com sucesso e a vacina mostrou grande segurança e eficácia", disse o executivo.

"Assim que as vacinas estiverem disponíveis para aplicação na Argentina, elas já terão sido aprovadas na Rússia para maiores de 60 anos", acrescentou.

O Presidente Alberto Fernández prometeu que o país terá doses suficientes para vacinar cinco milhões de pessoas dos grupos mais vulneráveis em janeiro de 2021.

“Serei o primeiro a tomar a vacina, farei antes de mais ninguém para que ninguém tenha medo”, prometeu Fernández, em declarações aos jornalistas.

Segundo a imprensa local, a vacinação será gratuita e começará na segunda (28) ou terça-feira em todas as províncias ao mesmo tempo.

Com 44 milhões de habitantes, a Argentina registra mais 42 mil mortes por covid-19 desde o início da pandemia.

Em comunicado oficial, o governo argentino informou que as etapas de vacinação serão organizadas segundo o risco de infecção grave e exposição.

A vacinação começará pelos profissionais da saúde, depois será dividida por etapas: pessoas com mais de 70 anos, pessoas com idades entre 60 e 69 anos, membros das Forças Armadas e de segurança, pessoas com idades entre 18 e 59 anos em grupos de risco, professores e outras populações estratégicas.

Em 6 de novembro, o Presidente Alberto Fernández tinha anunciado 10 milhões de doses em dezembro, número que caiu para 600 mil em novo anúncio em 10 de dezembro e que foi reduzido agora pela metade.

A vacina Sputnik V tornou-se a maior aposta da Argentina depois que as negociações com a Pfizer/ BioNTech esfriaram.

"As conversas ficaram complicadas porque a empresa pediu condições um pouco inaceitáveis", disse o Ministro González García, citando a "imunidade jurídica" e a exigência que fosse "o Presidente Alberto Fernández que assinasse o contrato".

O Ministro se diz "um pouco frustrado e um pouco chateado" com a Pfizer, mas informou que as negociações continuam.

A farmacêutica tinha feito da Argentina o seu principal ponto de testes na America do Sul, com seis mil voluntários.

Logística

Entre a decolagem de Buenos Aires, o embarque das caixas com as vacinas em Moscou, e o pouso na Argentina, a operação durou quase 40 horas.

A decolagem do Airbus A330-200 da Aerolíneas Argentinas ocorreu às 20h00 da terça-feira, 22 de dezembro. No regresso, a aeronave aterrissou no Aeroporto Internacional de Ezeiza pouco antes das 10h30 da quinta-feira.

Para atender regulamentações internacionais, que limitam em 12 horas o tempo dos pilotos conduzindo aeronaves, foram necessárias três tripulações completas a bordo, formadas por comandante e dois co-pilotos, além de um piloto extra.

As vacinas foram acondicionadas em 56 caixas térmicas da empresa DHL, capazes de conservar a temperatura de -18 °C durante 96 horas, e o aeroporto de Ezeiza instalou uma câmara frigorífica com as condições de biosegurança como Plano B.

O peso bruto da carga de 300.000 vacinas superou 9.000 kg.

Minutos após o desembarque das caixas térmicas, foi montada uma grande operação para colocar as vacinas em caminhões e transportá-las com segurança para todas as províncias da Argentina.

"A logística já está preparada para as 300 mil doses agora, 5 milhões em janeiro e 14,7 milhões em fevereiro. Isso implica uma vacinação a 10 milhões de pessoas", garante o Ministro Ginés García.

A tecnologia de imunização da Sputnik V utiliza duas doses com formulações diferentes, aplicadas com um intervalo de três semanas entre as duas injeções.

Não há vacina para todos

O CEO do RDIF disse, em videoconferência na quarta-feira, ter expectativa que a Argentina comece a produzir a vacina Sputnik V no segundo trimestre do ano que vem, ressaltando que 2021 "será o ano da escassez da vacina", porque "não será suficiente para todas as pessoas no mundo que dela necessitam".

"É por isso que você tem que trabalhar com muitos produtores, associar e não competir", destacou o executivo.

"Países como Índia, China, Coreia, Brasil e Argentina, entre outros, poderão produzir a vacina em seus territórios", disse Dmitriev.

O fundo soberano russo negocia com diversos laboratórios argentinos a possibilidade de produzir a vacina.

"Acreditamos que dali [da Argentina] o imunizante possa ser exportado para o resto da América Latina", afirmou o CEO do RDIF.

Dmitriev informou ainda que a vacina Sputnik V custa US$ 10 por dose para compradores internacionais mas cidadãos russos estão sendo vacinados gratuitamente.

Atualização 16/01

Contêineres despachados de Moscou com 300.000 doses do segundo componente da vacina Sputnik V foram entregues em Buenos Aires no sábado (16).

A Argentina iniciou sua campanha de vacinação em 29 de dezembro, após a chegada ao país do primeiro lote da vacina russa, também com 300.000 doses.

Até o momento, foram aplicadas 200.000 doses. O intervalo entre a primeira e a segunda injeção é de 21 dias.

Moscou e Buenos Aires assinaram contrato para 10 milhões de doses da Sputnik V, com novas entregas previstas na Argentina no final deste mês e em fevereiro.

* Com informações do RT, Clarín, Sputnik

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