Kristalina Georgieva, Diretora-Gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse que conversou nesta quarta-feira (26) com o Presidente da Argentina, Alberto Fernández, e se colocou à disposição para ajudar o país a voltar a crescer.

“Tive uma conversa muito construtiva e positiva com o Presidente Fernández hoje. Discutimos os importantes desafios enfrentados pela Argentina, inclusive no contexto da pandemia global, e as prioridades do governo argentino para o futuro, em particular a necessidade de revigorar a economia, continuando a proteger os mais vulneráveis", disse Georgieva em comunicado.

"Nesse contexto, o Presidente Fernández me notificou do pedido de seu governo para iniciar as discussões sobre um novo programa apoiado pelo FMI".

“Esperamos aprofundar nosso diálogo sobre a melhor forma de apoiar os esforços do governo para administrar o impacto da pandemia, impulsionar o crescimento e a criação de empregos, reduzir a pobreza e o desemprego e, ao mesmo tempo, fortalecer a estabilidade macroeconômica para o benefício de todos os argentinos".

"Estamos prontos para desempenhar nosso papel, trabalhando com o Ministro Guzmán, o Governador Pesce do BCRA e suas equipes para apoiar a Argentina nestes tempos difíceis”, conclui o comunicado do FMI.

Horas antes, o governo argentino anunciou que havia enviado carta ao FMI solicitando negociação formal com o Fundo para um novo programa.

Guzmán afirmou na carta que a crise que afeta hoje a Argentina foi aprofundada por um “rápido acordo” com o FMI em 2018.

Segundo o Ministro da Economia, o programa, em que o Fundo emprestou dezenas de bilhões ao país, era “insustentável” e foi negociado sem participação da sociedade.

Em 20 de junho de 2018, o Conselho Executivo do FMI aprovou um Acordo de Stand-By (SBA) de 36 meses para a Argentina, no valor de US$ 50 bilhões, que foi expandido em 17 de outubro para um valor total de US$ 57 bilhões.

Trata-se do maior empréstimo a um país na história do Fundo.

Fernández diz que o empréstimo não serviu para melhorar a economia do país e que, ao contrário, só piorou o quadro recessivo.

Um novo acordo que inclua um "reescalonamento dos vencimentos da dívida com o FMI é um passo necessário para resolver a crise econômica que tem afetado o país nos últimos anos e, assim, conseguir colocar e manter a Argentina de pé", escreveu Guzmán em uma rede social.

As negociações marcarão mais um capítulo em um relacionamento difícil. O novo acordo será o 22º do país com o FMI e muitas vezes marcou o prelúdio de uma crise econômica mais profunda. O Fundo é historicamente vilão na Argentina e o negócio mais recente apenas alimentou o fogo.

Em comunicado, o Ministério da Economia disse que Fernández pediu a Georgieva que o futuro programa entre Argentina e o FMI “respeite os objetivos da recuperação econômica do país e resolva os problemas sociais mais urgentes”.

A economia argentina está sob pressão em meio a uma inflação anual de 43%, o terceiro ano consecutivo de recessão e desemprego de dois dígitos. Sem acesso a crédito, o governo imprimiu dinheiro durante a pandemia para financiar medidas de estímulo, gerando preocupações de que a inflação volte a disparar.

* Com informações do IMF

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