"Estamos diante de um estado excepcional na Argentina. Queremos  transmitir, a quem faz parte do mercado interno, que esta lei é uma ferramenta para colocar a economia em marcha e devolver a esperança", disse o deputado governista Sergio Massa, Presidente da Câmara, na votação da Lei de Solidariedade Social e Reativação Produtiva, proposta pelo Presidente Fernández.

Basicamente, a lei recorre ao receituário dos governos de Néstor e Cristina Kirchner, prescrevendo medidas de aumento da carga tributária, congelamento de tarifas de serviços públicos e controle de preços.

Neste domingo (12), Nicolás Trotta, ministro da Educação da Argentina, postou uma foto em rede social onde aparece fiscalizando preços controlados em um supermercado.

O Chefe de Gabinete, Santiago Cafiero, também publicou imagens de sua visita a um supermercado e pediu para que as pessoas fossem aos pontos de venda para controlar os produtos nas gôndolas.

Elizabeth Gómez Alcorta, a ministra de Mulheres, Gênero e Diversidade, também foi a um supermercado posar para fotos, com um smartphone na mão simulando estar checando valores, tendo as prateleiras como fundo.

A iniciativa, chamada de “Preços Cuidados”, não é inédita. Foi implementada durante o governo de Cristina Kirchner, atual vice de Alberto Fernández.

Dificil acreditar que a ação de marketing tenha sensibilizado os argentinos.

Certamente não teria impacto com os brasileiros. Como até os recém-chegados de Saturno sabem, o risco de um congelamento não é o comércio formal cobrar acima do preço tabelado, e sim o produto sumir das prateleiras dos mercados porque os fornecedores aumentaram os preços, sendo encontrado no mercado negro por valores superiores ao que custaria sem a intervenção do governo.

O governo Sarney apostou numa medida drástica para conter a inflação descontrolada que castigava a população brasileira durante a década de 1980: o Plano Cruzado, que dentre outras medidas, "congelou" o preço das mercadorias. Dessa forma, surgiram os chamados fiscais do Sarney – com uma cartela de preços do governo em mãos denunciavam ao governo os pontos de venda que aumentassem os preços  de seus produtos. Em muitos casos chamavam a polícia, que decretava ordem de prisão aos responsáveis pela remarcação dos preços e a interdição do estabelecimento comercial.  Após um curto período de euforia de consumo e de aquecimento econômico, muitos produtos começaram a sumir das prateleiras e os fornecedores passaram a cobrar ágio; e assim, a inflação voltou a disparar (Wikipedia)

Naturalmente, o governo argentino fez correções para que não se repitam os erros passados mas é uma medida de sucesso limitado.

“Já vimos essa tentativa de tentar aquecer a economia apertando todos os botões possíveis, fazendo congelamento de preços, tributando exportações, reduzindo na marra a taxa de juros. Já vimos tudo isso.  Seja aqui no Brasil, seja, inclusive, lá na Argentina. E como terminou essa história? Terminou mal”, avaliou Felippe Serigati,  pesquisador da FGV, quando o pacote emergencial foi aprovado.

A recuperação da economia da Argentina é de grande importância para o Brasil. Existe um forte laço agrícola, industrial e comercial entre os dois países que impacta fortemente o PIB brasileiro.

O Brasil deve ajudar a Argentina e não gerar dificuldades.

“Ao ajudar a Argentina, estamos nos autoajudando”, disse ao Valor Econômico José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB)

* Com informações do O Globo e Valor Econômico.

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