Atualização 05/01 - Os líderes do Golfo Árabe assinaram uma declaração na terça-feira (5) para amenizar uma disputa com o Qatar.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, disse que a declaração assinada pelos líderes do Golfo e pelo Egito “enfatiza a solidariedade e estabilidade dos países árabes e do Golfo, e reforça a continuidade da amizade e fraternidade entre nossos países”.

O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Príncipe Faisal bin Farhan, disse a repórteres após a cúpula que as relações diplomáticas serão totalmente restauradas com o Qatar, embora nenhum prazo tenha sido dado.

“Estamos extremamente satisfeitos por termos conseguido este avanço muito importante que acreditamos que contribuirá muito para a estabilidade e segurança de todas as nossas nações na região”, disse o Príncipe Faisal. “Estamos em um lugar onde todos estão satisfeitos e felizes ... o retorno das relações diplomáticas, voos, etc., tudo isso agora vai voltar ao normal”.

Não está claro quando o passo será seguido pelos Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Egito, que se juntaram ao reino para isolar Doha, contudo o Egito concordou em reabrir seu espaço aéreo para o Qatar.

O Ministério das Relações Exteriores do Kuwait, que mediou as conversações, anunciou a medida nesta segunda-feira (4).

"Foi acordado abrir o espaço aéreo e as fronteiras terrestres e marítimas entre o Estado do Qatar e o Reino da Arábia Saudita, começando esta noite", disse o Ministro das Relações Exteriores do Kuwait, Sheikh Dr Ahmed Nasser Al-Mohammed Al-Sabah.

A medida é parte de um acordo para encerrar uma disputa política entre Riyadh e seus aliados e Doha.

A Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Egito impuseram um boicote diplomático, comercial e de viagens ao Qatar em junho de 2017, acusando Doha de apoiar o terrorismo e ter laços com Teerã considerados muito próximos.

O acordo com a Arábia Saudita abre caminho para que uma delegação do Qatar, liderada pelo Emir Sheikh Tamim bin Hamad al-Thani, participe da 41ª sessão do Gulf Cooperation Council Summit na terça-feira, que será realizada em Al-Ula e presidida pelo monarca saudita, o Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud.

A reaproximação ocorre depois que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman intensificou os esforços para encerrar a disputa com o vizinho do reino.

A reunião de cúpula do GCC será "inclusiva", levando os membros à "reunificação e solidariedade no enfrentamento dos desafios de nossa região", disse o príncipe saudita.

Anwar Gargash, o ministro de estado dos Emirados Árabes Unidos para Relações Exteriores, descreveu a próxima cúpula como "histórica".

“Estamos diante de uma cúpula histórica em Al-Ula, por meio da qual restauramos nossa coesão no Golfo e garantimos que segurança, estabilidade e prosperidade sejam nossa prioridade”, disse em rede social. “Temos mais trabalho pela frente e estamos na direção certa”.

Nayef Mubarak Al-Hajraf, secretário-geral dos seis membros do GCC, também saudou a mudança.

“A etapa, que antecede a 41ª cúpula do GCC na Arábia Saudita na terça-feira, reflete o grande interesse e esforços sinceros que estão sendo feitos para garantir o sucesso da cúpula, que é realizada à luz de circunstâncias extraordinárias”, disse Al-Hajraf.

A Turquia elogiou em nota os esforços do Kuwait e de outros atores internacionais para acabar com a crise e saudou o anúncio de que a Arábia Saudita reabrirá suas fronteiras e espaço aéreo para o Qatar, mas pediu o levantamento de todas as sanções.

“Nosso desejo é que esta disputa seja completa e permanentemente resolvida com base no respeito mútuo pela soberania dos países e que outras sanções contra o povo do Qatar sejam levantadas o mais rápido possível”, disse em comunicado.

Ankara apoiou fortemente Doha após o embargo de 2017 e esteve na vanguarda das nações no fornecimento de alimentos e serviços ao país.

Maior exportador mundial de gás natural liquefeito e nação mais rica em termos per capita, o Qatar sempre negou todas as acusações e usou seus recursos financeiros para amortecer o impacto do embargo em sua economia.

O Qatar espera que a Copa do Mundo de 2022 seja o primeiro grande evento a celebrar a superação da pandemia. A menos de dois anos do início do torneio, o Comitê Organizador progrediu na entrega de estádios.

São Paulo - Doha

A abertura do espaço aéreo da Arábia Saudita irá encurtar o tempo das viagens entre o Brasil e o Qatar.

A Qatar Airways voa diariamente entre São Paulo e Doha, com a capital paulista sendo o único destino operado na América do Sul, depois do cancelamento da rota de Buenos Aires. O voo é o mais longo saindo do Brasil. Ele teve a rota alterada em virtude da crise diplomática, cruzando o norte da África, a Turquia e o Iraque.

* Com informações do Financial Times, BBC, Al Jazeera

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