Segundo a imprensa local, Riyadh busca o apoio de Tehran para acabar com seu caro compromisso militar de seis anos no Yemen, onde rebeldes Houthi lançaram uma campanha para tomar o último reduto governista da província de Marib, e intensificaram os ataques de mísseis e drones no reino.

 © CIA
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Fontes do governo e diplomáticas em Baghdad confirmaram no mês passado que representantes do governo saudita e iraniano mantiveram conversações de segundo escalão na capital do Iraque, mediadas por autoridades iraquianas.

Riyadh e Tehran negaram que as negociações secretas tenham ocorrido.

Na sexta-feira (7), o Embaixador Rayed Krimly, chefe de planejamento de políticas do Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita, confirmou publicamente que o reino está mantendo negociações diretas com o Irã para reduzir as tensões regionais, mas acrescentou que é muito cedo para julgar o resultado e que Riyadh queria ver "ações verificáveis".

"Esperamos que [as conversações] tenham sucesso, mas é muito cedo e prematuro para se chegar a qualquer conclusão definitiva", disse à Reuters o embaixador saudita.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu dizendo que "a cooperação bilateral é importante para garantir a segurança e estabilidade na região".

No mês passado, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, supreendeu o país em uma entrevista na televisão, dizendo que o reino estava aberto para melhorar as relações com o Irã.

"O Irã é um estado vizinho. Estamos buscando ter boas relações com o Irã", disse o Príncipe Mohammed. "Temos interesses no Irã, nosso objetivo é ver um Irã próspero".

"Estamos trabalhando com nossos parceiros na região para superar nossas diferenças com o Irã, especialmente por seu suporte às milícias e o desenvolvimento de seu programa nuclear", acrescentou o príncipe herdeiro.

Guerras por procuração

A Síria e o Líbano também têm sido campos de batalha para a divisão xiita e sunita, com o Irã xiita sendo o maior defensor internacional do Hezbollah. Os sauditas há muito diretamente armaram, treinaram e financiaram jihadistas sunitas que buscam derrubar Assad na Síria, ao mesmo tempo em que revertem a influência do Hezbollah.

Para o Irã, seu apoio a grupos como o Hezbollah, o Hamas e as milícias xiitas iraquianas é voltado principalmente contra Israel e também contra os interesses dos Estados Unidos. Portanto, é improvável que Tehran interrompa esse apoio em um grau significativo.

Por sua vez, a interpretação Wahhabi saudita do Islã está profundamente enraizada na Arábia Saudita, tornando o país uma fonte importante de apoio ideológico ao jihadismo sunita.

* Com informações do The National (Abu Dhabi), Reuters

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