Os rebeldes houthi do Yemen haviam oferecido um armistício de três dias antes, que eles disseram que poderia ser permanente se os sauditas concordassem.

"O Comando das Forças Conjuntas da Coalizão anuncia a cessação das operações militares no Yemen a partir de (0600) quarta-feira, 30 de março de 2022", anunciou o porta-voz da coalizão, General de Brigada Turki Al-Maliki, pouco antes da meia-noite (horário local).

Al-Maliki disse que a medida foi tomada a pedido do Dr. Nayef Al-Hajraf, Secretário-Geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), "com o objetivo de criar condições propícias necessárias para consultas bem-sucedidas e um ambiente favorável para o Mês Sagrado do Ramadã para fazer a paz, e alcançar segurança e estabilidade no Yemen".

A coalizão "respeitará essa cessação e tomará todas as medidas e procedimentos necessários para garantir seu sucesso", acrescentou o general.

O governo do Yemen é apoiado pela Arábia Saudita na guerra civil contra rebeldes xiitas Houthi, apoiados pelo Irã. Mapa: © CIA
O governo do Yemen é apoiado pela Arábia Saudita na guerra civil contra rebeldes xiitas Houthi, apoiados pelo Irã. Mapa: © CIA

O anúncio de Al-Maliki ocorre três dias depois que os rebeldes houthi no controle da capital iemenita ofereceram uma trégua de três dias que, segundo eles, poderiam se tornar permanentes se a coalizão liderada pela Arábia Saudita estivesse disposta.

“Este é um convite sincero e medidas práticas para reconstruir a confiança e levar todos os lados da arena das conversações para a arena dos atos”, disse o presidente do Conselho Político Supremo dos houthis, Mahdi al-Mashat Mashat, no sábado (26) em discurso transmitido na televisão iemenita. Os houthis parariam seus ataques com mísseis e drones e esperariam que os sauditas interrompam sua campanha de bombardeios e desbloqueiem os portos iemenitas, disse Mashat.

A proposta veio após um devastador ataque houthi aos depósitos de petróleo da Saudi Aramco em Jeddah na sexta-feira (25), seguido de um bombardeio em represália da coalizão à capital iemenita Sanaa e ao porto de Hodeidah.

No anúncio de cessar-fogo, Al-Maliki apontou que a coalizão “reafirma sua posição firme em apoiar o governo legítimo do Yemen tanto em suas posições políticas quanto em procedimentos e medidas militares”, referindo-se ao rival dos houthis, apoiado por Riyadh. Portanto, embora seja possível que a trégua do Ramadã se torne permanente, a disputa subjacente ao conflito de sete anos permanece sem solução.

Riyadh e seus aliados lançaram ataques aéreos no Yemen em março de 2015, seguidos por uma campanha terrestre, buscando restaurar o presidente saudita Abdrabbuh Mansur Hadi, que havia sido deposto pelos houthis. A coalizão acusa o grupo xiita de ser representante do Irã, o que Tehran nega.

A guerra civil no Yemen é tida pelo Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) como “a maior crise humanitária do mundo” atual, com estimativas de mais de 400 mil mortes. O país tem cerca de 80% da população em situação de fragilidade, com 3,6 milhões de deslocados internos e 24 milhões de pessoas necessitando de suporte humanitário.

The Onion ironiza o descaso da imprensa com a tragédia do Yemen, onde já morreram mais de 400 mil pessoas - “a maior crise humanitária do mundo”, segundo a ONU.
The Onion ironiza o descaso da imprensa com a tragédia do Yemen, onde já morreram mais de 400 mil pessoas na guerra civil - “a maior crise humanitária do mundo”, segundo a ONU.

Guerras por procuração

A Síria e o Líbano também têm sido campos de batalha para a divisão xiita e sunita, com o Irã xiita sendo o maior defensor internacional do Hezbollah. Os sauditas há muito diretamente armaram, treinaram e financiaram jihadistas sunitas que buscam derrubar Assad na Síria, ao mesmo tempo em que revertem a influência do Hezbollah.

Para o Irã, seu apoio a grupos como o Hezbollah, o Hamas e as milícias xiitas iraquianas é voltado principalmente contra Israel e também contra os interesses dos Estados Unidos.

Por sua vez, a interpretação Wahhabi saudita do Islã está profundamente enraizada na Arábia Saudita, tornando o país uma fonte importante de apoio ideológico ao jihadismo sunita.

* Com informações RT

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