Até o momento, a Universidade Estadual da Louisiana (LSU) é uma das pelo menos sete escolas, incluindo a Universidade de Maryland, a Universidade do Colorado e a Universidade Estadual de Michigan, que fecharam acordos de publicidade lucrativos com aplicativos de apostas, como Caesars Sportsbook e PointsBet, relata a Bloomberg.

Os aplicativos de apostas esportivas estão pagando para ter seus nomes mencionados durante as transmissões de rádio, destacados nos aplicativos das escolas e exibidos dentro de arenas e estádios para torcedores e telespectadores.

Segunda apurou a Bloomberg, um anúncio do Caesars Sportsbook brilha ao lado da quadra da LSU. Na rede de rádio esportiva da instituição de ensino, um locutor fornece "sua atualização do placar do Caesars Sportsbook". Há também um novo Caesars Sportsbook Skyline Club no estádio de futebol.

No Colorado, atletas universitários assinaram acordos de patrocínio com o aplicativo de apostas online MaximBet. Tais acordos, antes verbais, foram viabilizados no ano passado, quando a National Collegiate Athletic Association (NCAA) removeu suas restrições aos estudantes atletas que ganhavam dinheiro com atividades como postagens nas redes sociais e autógrafos.

Michael Schreiber, fundador e diretor executivo da Playfly Sports, que gerencia os direitos de mídia para departamentos atléticos universitários, incluindo acordos com empresas de apostas esportivas, diz que a crescente aceitação das apostas entre as faculdades é semelhante à forma como as escolas agora permitem álcool dentro dos estádios depois de anos de proibição.
A aposta esportiva, disse Schreiber, "tornou-se mais uma norma social".

Mas os acordos publicitários levantam preocupações sobre a promoção de apostas para estudantes em idade universitária que podem ser vulneráveis ao vício.

Vários estados e universidades restringem as apostas em jogos universitários.

Embora a NCAA permita acordos de marketing entre escolas e aplicativos de apostas esportivas, ela ainda proíbe apostas em esportes universitários por atletas universitários, treinadores e administradores.

Christine Reilly, diretora de pesquisa do International Center for Responsible Gaming, uma organização apoiada por cassinos, disse à Bloomberg que o grupo está analisando se a legalização das apostas esportivas está criando mais viciados em jogo. O grupo está particularmente preocupado com jovens de 18 a 25 anos que estão "propensos a se envolver em atividades viciantes".

Sem uma lei nacional que restringe apostas em esportes universitários, surgiu um emaranhado de leis estaduais e políticas escolares.

Na Virginia, Oregon, New Jersey e New York, é ilegal apostar em jogos de faculdades do estado, ainda que apostas esportivas online agora sejam legais.

O Estado de New York legalizou as apostas online em janeiro, imediatamente aumentando a arrecadação de impostos, mas também causando preocupação entre especialistas em tratar apostadores viciados.

Algumas universidades, como Purdue, St. Joseph's e Villanova, proibiram estudantes, professores e funcionários de apostar em equipes de suas escolas.

No ano passado, o National Council on Problem Gambling emitiu diretrizes para acordos de marketing entre faculdades e empresas de aplicativos esportivos. Entre suas "principais salvaguardas", estabelece que as empresas de jogos de azar não deveriam pagar escolas com base em quantas pessoas ajudam a se inscrever.

Mas, de acordo com a Sports Illustrated, em pelo menos um acordo, entre a Universidade do Colorado e a PointsBet, a escola recebe US$ 30 por cada novo cliente que envia para o aplicativo de apostas.

Timothy Fong, psiquiatra e diretor do Programa de Estudos de Apostas da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, disse que não está tão preocupado com anúncios de aplicativos de apostas esportivas dentro das arenas universitárias. Mas ele se preocupa com as universidades encorajando diretamente os alunos a usá-los.

Em um comunicado, a Caesars disse que seus acordos com a LSU e o Estado de Michigan "estão focados em alcançar a grande base de ex-alunos e fãs acima de 21 anos", e a empresa prometeu "não atingir aqueles com menos de 21 anos".

Cody Worsham, porta-voz do departamento de atletismo da LSU, disse que qualquer um que entrasse em um endereço de e-mail para conseguir ingressos para jogos da LSU recebeu a promoção Caesars Sportsbook. Ele disse que enviar o e-mail aos fãs com menos de 21 anos foi "um erro" e que o processo de aprovação do e-mail "não foi seguido do jeito que deveria ter sido".

O professor de Comunicações da LSU Robert Mann disse que o e-mail "mostra uma chocante falta de consideração" para o bem-estar de estudantes vulneráveis. "Eles estão convidando os alunos a apostar em atletismo da LSU".

* Com informações do Japan Times, Bloomberg

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