O serviço vai funcionar na região de Campinas, no interior de São Paulo, inicialmente até agosto de 2021.

As encomendas serão transportadas por uma aeronave não tripulada (drone) de um ponto de distribuição (drone port hub) até pontos de recepção, localizados a uma distância máxima de 2,5 quilômetros, onde um entregador completará o trecho final da remessa ao destinatário.

Drone ports. Fonte/arte: Lynskey, Jared & Thar, Kyi & Oo, Thant & Hong, Choong Seon. (2019). Facility Location Problem Approach for Distributed Drones. Symmetry. 11. 118. 10.3390/sym11010118.

A aeronave certificada DLV-1 pesa aproximadamente 9 kg e pode transportar cargas de até 2kg com velocidade de 32 km/h.

A Speedbird também desenvolveu o DLV-2, que transporta até 5 kg de carga.

Os drones foram projetados pela empresa e montados com componentes importados. A companhia responde ainda pelo software embarcado de controle de navegação.

Há pouco mais de três anos, quando foram publicadas as normas para as operações de aeronaves não tripuladas, os equipamentos vinham sendo utilizados nas mais diversas áreas, seja para uso profissional ou recreativo. Mas, com a emissão do CAVE (Certificado de Autorização de Voo Experimental), a exploração do equipamento para novas atividades está cada vez mais próxima.

Foto: © SpeedBird
Foto: © SpeedBird

Para realizar os voos experimentais, o operador da aeronave de modelo DLV-1, que ganhou a matrícula PP-ZSL, precisa seguir as regras previstas no Regulamento Brasileiro de Aviação Civil Especial (RBAC-E) nº 94, da ANAC, e os normativos de tráfego aéreo, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

O caminho da apresentação do modelo até a concessão do certificado durou pouco mais de um ano. O primeiro contato da empresa com a ANAC aconteceu em maio de 2019, com a apresentação do equipamento e do tipo de operação pretendida.

Em setembro, a Agência recebeu o pedido de emissão do certificado que autoriza as operações. Para que ele pudesse ser emitido, a Speedbird precisou demonstrar que a tecnologia atendia as normas vigentes, principalmente no que diz respeito aos critérios de segurança.

A iFood foi a primeira empresa a testar a solução, em Campinas (SP). Em uma das aplicações, o drone coletava o pedido de restaurantes no Shopping Iguatemi e levava até o iFood Hub, de onde a encomenda partia para o seu destino. O tempo médio de entrega foi reduzido em cerca de 15 minutos, relembra o CEO da Speedbird, Manoel Coelho, em matéria do site NeoFeed.

O primeiro teste prático com acompanhamento da ANAC foi realizado em janeiro deste ano, com a demonstração da atividade planejada e certas características de segurança da aeronave.

A Speedbird precisou realizar alguns ajustes para demonstrar que estava apta a receber o certificado. Um novo teste supervisionado por técnicos da ANAC foi conduzido no mês passado. Com o cumprimento de todos os requisitos mínimos exigidos, a Agência concedeu a autorização para voos experimentais ao operador.

A iFood será a primeira companhia a escalar o formato, através de um contrato de pesquisa e desenvolvimento com a Speedbird Aero.

“Nosso conceito já foi provado. Agora, a ANAC quer ver a operação em maior escala, com estresse no sistema”, explica Coelho sobre o processo que será cumprido nos próximos meses. “Temos a chance real de operar em outra escala e mostrar que essa opção é segura e viável”.

Nesse período, a ANAC terá acesso aos logs de todos os voos, que só poderão ser realizados durante o dia. A Agência estabeleceu mais de 150 requisitos de segurança, entre eles, os procedimentos em caso de falha da bateria ou no paraquedas do equipamento.

“Nós estabelecemos uma série de condições que eles terão que atender, como distância de terceiros, alturas mínimas e máximas”, afirmou Ailton José de Oliveira, especialista em regulação da ANAC. “Todas essas etapas são parte de um processo que ainda vai culminar em um produto comercial”.

Para o Superintendente de Aeronavegabilidade da ANAC, Roberto Honorato, a autorização concedida pela Agência traz uma importância significativa para o setor e para o desenvolvimento comercial de novas oportunidades de mercado.

“Dentre as atividades que a sociedade espera para os drones explorarem, o delivery é uma das mais promissoras. Obter o CAVE é uma etapa importante no processo de desenvolvimento do negócio, principalmente por ser de uma empresa brasileira”, disse Honorato.

Empreendedores

Manoel Coelho e Samuel Salomão, os fundadores da Speedbird Aero. Reprodução © Instagram/Speedbird Aero (June 11, 2020)
Os fundadores Manoel Coelho e Samuel Salomão. Reprodução © Instagram/Speedbird Aero (June 11, 2020)

Antes de atrair investidores, a Speedbird Aero percorreu uma jornada de três anos com recursos de seus fundadores, Manoel Coelho e Samuel Salomão.

Ambos trabalhavam na GlobalMed Telemedicine, em Phoenix, Arizona, quando Salomão sugeriu à companhia complementar a oferta de serviços utilizando drones. Com a falta de interesse da GlobalMed, ele deixou o emprego e voltou ao Brasil para se dedicar à Speedbird. Coelho seguiu no exterior, mas participou ativamente do projeto.

“No início, nosso viés era mais voltado à área médica”, disse Salomão.

“A ideia era construir uma empresa focada no Brasil e na América Latina, pois não havia ninguém fazendo isso na região”, disse Salomão. Agora, ele planeja voos mais ambiciosos. “Ainda temos muita pista pela frente, mas nosso objetivo, no longo prazo, é criar uma companhia aérea de drones para logística”.

A empresa já trabalha no desenvolvimento de um drone com capacidade de carga de 8 kg e um VTOL, como são chamados os veículos de decolagem e aterrissagem vertical, para transporte de cargas em distâncias mais longas.

A consultoria ResearchAndMarkets prevê que o setor vai saltar de um faturamento global de US$ 14 bilhões, em 2018, para US$ 43 bilhões, em 2024.

* Com informações da ANAC, Symmetry, NeoFeed

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