Conforme simulações da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), no financiamento de uma geladeira de R$ 1,5 mil em 12 prestações, o comprador desembolsará R$ 6,80 a mais com a nova taxa Selic. O cliente que entra no cheque especial em R$ 1 mil por 20 dias pagará R$ 0,40 a mais.

Na utilização de R$ 3 mil do rotativo do cartão de crédito por 30 dias, o cliente gastará R$ 1,80 a mais. Um empréstimo pessoal de R$ 5 mil por 12 meses cobrará R$ 22 a mais após o pagamento da última parcela. Caso seja feita em financeira, a operação sairá R$ 14 mais cara. No financiamento de um automóvel de R$ 40 mil por 60 meses, o comprador pagará R$ 15 a mais por parcela e R$ 925 a mais no total da operação.

Em relação às pessoas jurídicas, as empresas pagarão R$ 92 a mais por um empréstimo de capital de giro de R$ 50 mil por 90 dias, R$ 37 pelo desconto de R$ 20 mil em duplicatas por 90 dias e R$ 4 a mais pela utilização de conta garantida no valor de R$ 10 mil por 20 dias.

Segundo avalia a Anefac, existe uma diferença muito grande entre a taxa básica e os juros efetivos de prazo mais longo, o que dilui o impacto na ponta.

Repercussão

A primeira elevação da taxa Selic em quase seis anos dividiu o setor produtivo.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de apressada. Segundo a entidade, o recrudescimento da pandemia reduzirá o crescimento da demanda neste ano, diminuindo o ritmo de elevação nos preços de bens e de serviços. Para o setor industrial, seria mais prudente esperar para avaliar o comportamento da inflação nos próximos meses, em vez de elevar os juros básicos e encarecer o crédito num momento em que empresas e consumidores tendem a se endividar.

“Consideramos que a decisão de aumento da taxa Selic deveria ter sido postergada até que os efeitos das medidas de isolamento sobre a demanda e, consequentemente, sobre a trajetória da inflação pudessem ser avaliados”, afirmou em comunicado, o Presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Entidades ligadas ao comércio, no entanto, elogiaram o reajuste, citando a necessidade de conter a inflação.

Em nota, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) destacou que o aumento nos juros serve como um recado para o governo promover ajustes fiscais urgentes. Para a entidade, o BC acertou ao elevar os juros, por causa da necessidade de conter a inflação, mesmo com a atividade econômica ainda muito fraca.

Segundo a ACSP, o agravamento da pandemia e das medidas restritivas deve enfraquecer ainda mais o consumo das famílias. No entanto, a autoridade monetária precisa restabelecer a confiança de que o impacto da alta do dólar sobre os preços é temporário.

“Podemos entender que o Comitê quis mandar uma mensagem ao Congresso e ao Executivo sobre a necessidade e urgência de medidas de ajuste fiscal mais efetivas. Apenas com o restabelecimento da confiança na área fiscal será possível reverter a desvalorização cambial que se constitui em um dos responsáveis pela elevação dos preços. Esperamos que essa sinalização atinja seus objetivos, permitindo que as altas da Selic possam ser interrompidas ou, pelo menos, moderadas nas próximas reuniões”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP.

* Com informações da Agência Brasil

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