A empresa Nord Stream AG confirmou a exportação de gás para a Europa e observou que o gasoduto russo está entregando 530 GWh de gás por dia, cerca de 30% da capacidade máxima.

Os primeiros pedidos para a recepção do gás Nord Stream pela Alemanha no terminal receptor em Greifswald em 21 de julho coincidiram com os indicadores antes da parada.

O chefe da Agência Federal de Rede (regulador alemão) Klaus Müller disse na quarta-feira (20) que "inicialmente aproximadamente 800 GWh de gás foram nomeados para 21 de julho de 2022 nos pontos de entrada alemãs do Nord Stream".

Volume de gás russo exportado por dia através do gasoduto Nord Stream entre 2020 e 2022
Volume de gás russo exportado por dia através do gasoduto Nord Stream entre 2020 e 2022

A operadora alemã de transmissão de gás Gascade, subsidiária da Gazprom, espera que o transporte seja retomado ao nível de pré-manutenção (40% da capacidade), mas como o lançamento da infraestrutura após a parada é um processo técnico complexo, a restauração da capacidade do gasoduto pode levar várias horas, enfatizou a empresa.

Consumo de gás natural na Alemanha © Bundesnetzagenturv
Consumo de gás natural na Alemanha © Bundesnetzagenturv

Desde meados de junho, o Nord Stream opera com apenas 3 das 8 unidades compressoras de gás por problemas técnicos. Além disso, uma das turbinas fabricadas pela Siemens Energy no Canadá, enviada para Montreal para revisão, ficou retida devido a sanções canadenses contra a empresa russa Gazprom, controladora do Nord Stream, que não possui negócios no país.

Em 9 de julho, após inúmeros pedidos da Alemanha, o Canadá decidiu devolver a turbina. O equipamento foi embarcado no domingo (17) para a Alemanha e será enviado para a estação compressora de Portovaya, na Rússia.

A Comissão Europeia afirmou que o retorno não viola as sanções contra a Rússia, uma vez que não se aplicam a equipamentos de trânsito de gás. A Gazprom não foi sancionada por nenhum país do mundo, exceto o Canadá,

A gigante russa de energia alertou que a demora do retorno da turbina em face das sanções e a subsequente revisão de outros equipamentos da Siemens afetam a operação segura do Nord Stream.

Reexportação

A Alemanha, o maior consumidor de gás russo, reexportou em maio cerca de seis bilhões de metros cúbicos de gás para países vizinhos.

Países sem acesso ao mar, como Suíça, Áustria e República Tcheca, dependem da Alemanha para grande parte de suas necessidades de gás.

O gás da Alemanha para a República Tcheca transportado pela Gascade caiu 60-80% a partir de 16 de junho, quando os fluxos pelo gasoduto do Báltico diminuíram, segundo dados da ENTSOG.

Corte de consumo

A Comissão Europeia propôs corte de 15% no consumo de gás, a partir de agosto. Meta "vai tornar-se obrigatória", no caso de "uma emergência".

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu o racionamento obrigatório do consumo de gás, no caso de "uma emergência", na apresentação esta quarta-feira (20) do plano de Bruxelas focado na "redução" do consumo de gás na União Europeia.

As medidas contam com a colaboração "de todos", desde a indústria aos consumidores domésticos, e visam uma "redução de 15%" no consumo total de gás, já a partir de 1º de agosto, para garantir "um inverno seguro".

"Quanto mais rápido agirmos, mais poupamos, e mais seguros estaremos", afirmou von der Leyen.

O plano foi recebido com um “não” de Portugal. O Secretário de Estado do Ambiente e da Energia, João Galamba, afirmou ao jornal Público que o governo “não aceita” a proposta de Bruxelas, que ignora que Portugal não tem interligações com o resto da Europa e que o consumo de gás dirige-se essencialmente à indústria e à produção de eletricidade.

Atualização 21/07/2022

O fornecimento de gás via Nord Stream atingiu o nível anterior à interrupção para manutenção programada – cerca de 40% do máximo. De acordo com dados do operador, o fluxo de gás das 7:00 às 8:00 (horário de Moscou) foi de quase 1,9 milhão de metros cúbicos – cerca de 30% da capacidade do gasoduto, e das 8:00 às 9:00 aumentou para 2,66 milhões de metros cúbicos.

A Nord Stream AG anunciou a conclusão de todas as obras planejadas em ambas as linhas do gasoduto dentro dos prazos estabelecidos.

Atualização 25/07/2022

A Gazprom recebeu documentos da Siemens sobre o retorno da turbina do Canadá para o Nord Stream. Eles não removem os riscos previamente identificados e levantam questões adicionais, avaliou a holding em um comunicado.

O jornal Kommersant, citando fontes, informou que a Siemens enviou à Gazprom um documento emitido pelo Canadá que permite reparar e transportar turbinas para a estação de compressão de Portovaya até o final de 2024.

"Sabemos que ainda há problemas com outras unidades, que a Siemens também está ciente. Mas, é claro, a turbina será instalada depois que todas as formalidades forem concluídas. E as entregas [de gás] continuarão na medida em que isso for tecnicamente possível", disse a repórteres, nesta segunda-feira (25), o porta-voz presidencial russo Dmitry Peskov.

Devido a atrasos com a documentação, a turbina perdeu a balsa de 23 de julho da Alemanha para Helsinque. Se as partes trocarem documentos com sucesso, o equipamento poderá ser transportado em poucos dias. No entanto, fontes do Kommersant duvidam que a entrega da turbina aumentará os volumes sobre o Nord Stream, uma vez que outras cinco unidades, de um total de 8 da estação de compressão Portovaya, necessitam de manutenção.

Elas podem ser enviadas ao Canadá para reparos a qualquer momento, de acordo com as fontes, mas a Gazprom ainda não autorizou a remessa. O jornal russo diz que a manutenção de uma turbina leva cerca de três meses.

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